“Ciranda”, a moda sustentável e uma nova forma de compartilhar
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“Ciranda”, a moda sustentável e uma nova forma de compartilhar

Camila Luz em 26 de abril de 2016

Pegar acessórios da loja e depois devolvê-los, pagando um preço mais baixo do que o de compra: essa é a proposta da “Ciranda”. O sistema foi criado pela linha de moda sustentávelDa Tribu”, de Belém (PA). A marca produz acessórios como colares, pulseiras e bolsas de forma artesanal.

Dentro da loja da “Da Tribu” é possível comprar produtos ou pegar emprestado. Quem prefere o sistema de empréstimo, está participando da “Ciranda”. Funciona assim: os clientes podem escolher quatro acessórios para serem usados por 15 dias. Depois desse período, as peças são devolvidas. O custo é uma média dos preços dos quatro itens.

Por exemplo, você escolhe um colar por R$63, brincos por R$ 30, pulseiras por R$30 e uma carteira por R$ 70. O preço final será R$193 dividido por quatro: R$48,25.

Criatividade colorida

Tainah Fagundes, uma das donas da marca, conta que alguns produtos podem ser usados de diferentes maneiras. Há tiaras e conjuntos de pulseiras que podem virar um colar, por exemplo. O cliente, ao escolher essas peças, pode acabar levando mais de um acessório para casa. Tudo depende de sua disposição e criatividade.

Veja o vídeo explicativo da “Ciranda”:

A sócia também explica que há um contrato físico para pegar as peças. Mas a marca procura estabelecer uma relação de confiança com o consumidor. “Queremos que o cliente volte muitas vezes, que aprenda até a trocar com outras pessoas. Compartilhar é juntar forças, é fortalecer o coletivo”, defende. “O preço sai mais em conta e as pessoas começam a entender que não é preciso acumular muitas peças para criar novos looks”, conclui.

Tainah diz que os acessórios da marca são muito coloridos e carregam personalidade. Não são nada discretos. “Queremos aumentar a autoestima dos nossos clientes”, diz.

Ciranda e a Economia Compartilhada

A Ciranda segue princípios da Economia Compartilhada. Deseja incentivar uma nova experiência de consumo, mais sustentável e menos materialista.

A economia compartilhada se baseia no compartilhamento de recursos. O consumidor paga pelo benefício do produto, e não pelo produto em si. Para que essa experiência cresça e se torne mais popular, é preciso repensar valores da sociedade capitalista, como acúmulo de bens e individualismo.

“Queríamos propor uma experiência de maior contato entre consumidor e produção. Achamos que ele pode experimentar mais, ser mais ousado, mais criativo e adotar a sustentabilidade no vestir e no discurso”, diz ao Free The Essence.

Kátia e sua “tribu” de artesanato

A artesã responsável pela produção das peças é Kátia Fagundes, mãe de Tainah.

Kátia Fagundes se casou com um músico e teve três filhos, Tainah, Moahra e Kauê. Sempre teve habilidade com as mãos e fabricou produtos artesanais. Viver só disso sempre foi um plano de vida.

“Nossa família sempre teve a preocupação de viver de forma sustentável, recuperar materiais e valorizar a história dos produtos”, conta Tainah. “Queríamos viver de maneira alternativa ao capitalismo imposto, valorizando a cultura local”, explica.

Kátia tinha o costume de restaurar móveis e roupas de amigos. Quando fazia esses favores ou serviços, dizia que eram “da tribo”, se referindo aos filhos. Teve, então, a ideia de criar a“ Da Tribu”.

Kátia Fagundes no ateliê da DaTribu

Kátia Fagundes no ateliê da DaTribu
Foto: Divulgação

Hoje, a marca já está em sua sétima coleção. A “Ciranda” é uma das propostas que cabe dentro desse projeto sustentável. Tainah conta que, no início, era preciso ir até São Paulo comprar matéria-prima industrializada. Hoje, fazem parcerias com comunidades locais que fornecem materiais como algodão coberto com látex. Para fazer as peças, Kátia também usa papel machê, papel reciclado e crochê.

Moda sustentável e muito mais

A “Da Tribu” fica localizada no bairro de Campina, na Loja Morada. Além da venda e aluguel dos acessórios, a casa sedia eventos como aulas de yoga, feirinhas de orgânicos, bazares e shows. Tudo para promover trocas e aprendizados.

A marca investe em parcerias para realizar esses eventos. “Dividimos o espaço com um olhar construtivo. Nenhum parceiro vai simplesmente deixar seu produto ali, para ser vendido. Ele está junto conosco, explicando para os clientes quais são suas ideias”, explica Tainah.

Dentro da Morada, tudo é pensado para ser sustentável. “Nossos objetos são feitos a partir do reaproveitamento, usando pallets e madeira de reflorestamento. Os parceiros devem estar dispostos a contribuir com isso”, conta a sócia.

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