Caco.lab: com quantas ideias se faz um coletivo?
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Caco.lab, coletivo que experimenta a economia compartilhada. Foto: Faceboo/Divulgação
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Caco.lab: com quantas ideias se faz um coletivo?

Kaluan Bernardo em 27 de abril de 2016

Um grupo de pessoas se junta em uma casa para fazer o que mais amam: arte. O espaço não tem inquilinos, é gerido por todos e de forma horizontal. Quem usa o lugar troca ideia e trabalhos para ajudar a manter e fortalecer a rede. Essa é a premissa básica do coletivo caco.lab que nasceu em São Paulo, no início de março de 2016 e está experimentando as possibilidades da economia compartilhada.

Lá estão pessoas que trabalham com marcenaria, culinária, design, cerâmica, vídeo, entre outros. Embora sejam atividades diferentes, todos se conectam. O grupo não é exatamente aberto, mas também não é totalmente fechado. Para entrar, é necessário ser aprovado pela curadoria de quem já está lá dentro.

O aluguel é pago com a colaboração de cada um e com eventos, que o coletivo faz para arrecadar dinheiro. Mas, como o empreendimento é novo, eles ainda estão experimentando formatos. “Se você perguntar para todos o que é o caco.lab, provavelmente cada um dará uma resposta diferente”, explica Ivan Staicov, um dos criadores do coletivo ao Free The Essence.

As minas arrasando nas pinturas! 🛠👊🏼 a ca//co ta tomando forma aos poucos #projetos #pinheiros #reforma

Uma foto publicada por ca//co.lab (@cacolabsp) em

“Não somos um coworking, porque há muita interação; mas também não somos um espaço colaborativo, porque somos relativamente fechados. A ideia que mais se aproxima é a de coletivo”, diz Ivan.

Em pouco mais de um mês, eles já fizeram eventos como o Open Mic, para bandas tocarem. Os expositores pagam uma taxa para ajudar a manter o local.

Agora trabalham para criar um bom relacionamento com a comunidade local. Querem estabelecer vínculos que vão desde quem passa pela rua até o dono do bar da esquina. O desafio, no entanto, não é simples. Alguns vizinhos têm reclamado do barulho e do movimento. A solução está no diálogo. Por isso, estão promovendo conversas abertas, convidando qualquer um da região a tomar um café e discutir como podem conviver em harmonia.

O importante, segundo Ivan, é sempre criar laços com pessoas próximas:

Mais de metade da nossa reforma veio com o apoio de gente da nossa rede. O lance é que conseguimos trazer todas essas pessoas que se conectavam pelo virtual para o universo físico. O pessoal saiu do curtir para ajudar no dia a dia.

O conceito que ele defende não vem de agora, vem de uma longa série de experiências que o grupo teve com outros espaços, como a Laboriosa 89 e Ateliê em Rede.

O coletivo que nasce da rede

A história do caco.lab começa na Laboriosa 89, uma casa na Vila Madalena, considerada pioneira em experimentar com espaços colaborativos na cidade de São Paulo. A Laboriosa funcionava como uma verdadeira rede de pessoas criativas: aberta, poderia ser usada por qualquer um. O aluguel e a manutenção eram pagos por todos, assim como toda a gestão e responsabilidade pelo espaço eram divididos horizontalmente. O experimento funcionou entre 2012 e 2015, quando fechou as portas, mas suas ideias e legados continuaram. Parte dessa história foi contada no site Projeto Draft.

Pouco antes do encerramento da Laboriosa, um grupo de pessoas ligadas à arte resolveu sair de lá e ir para um novo espaço, o Ateliê em Rede. “Como fazíamos diversos trabalhos manuais, que envolviam barulho e sujeira, tivemos o bom senso de ir para um espaço onde não atrapalhássemos ninguém, mas que manteriam aquelas ideias”, explica Ivan, mas que também participava da Laboriosa e ajudou a criar o ateliê

Nesse novo espaço, no bairro de Pinheiros, 12 amigos investiram em maquinário, manutenção, etc. O lugar também funcionava aberto: qualquer um interessado em fazer sua arte, poderia ir lá e usufruir de tudo. A colaboração era espontânea: eles não cobravam uma taxa, aluguel nem nada. Quem quisesse ajudar, doava o que achava que cabia. No vídeo abaixo é possível conhecer um pouco mais da ideia:

No final de 2015, o aluguel do espaço onde era o Ateliê em Rede ficou muito caro e o grupo se desfez. Mas, logo, alguns dos participantes resolveram se reunir e criar um novo ambiente, o caco.lab, com as mesmas ideias e conceitos, mas experimentando com novas formas.

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