Crowdfunding: o que é, como fazer o seu projeto e em qual plataforma
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Crowdfunding: o que é, como fazer o seu projeto e em qual plataforma

Pedro Katchborian em 20 de fevereiro de 2017

Também chamado de financiamento coletivo, o crowdfunding é um modelo de arrecadação de dinheiro em que um grande número de pessoas contribui para um objetivo em comum. É bastante utilizado para financiar novos produtos e projetos nas mais variadas áreas. Estima-se que mais de US$ 34 bilhões foram arrecadados em crowdfunding em 2015.

De onde e quando surgiu o crowdfunding?

Há muito tempo. Apesar de ter se tornado popular com a internet, os livros são resultado de financiamento coletivo há séculos — no passado, autores e editoras eram bancados por leitores em potencial.

Há outros exemplos: em 1730, o Bank of England foi salvo pela comunidade mercantil de Londres. O movimento de cooperação para financiar um produto manteve-se ativo nos séculos 19 e 20, mas sempre restrito a pequenos grupos.

Em 1885, quando o governo dos Estados Unidos falhou em arrecadar dinheiro para criar uma base da Estátua da Liberdade, um jornal fez uma campanha que arrecadou dinheiro de mais de 160 mil doadores.

Trazendo para um cenário mais próximo ao nosso, até campanhas como o Criança Esperança e o Teleton podem ser consideradas crowdfunding.

Como começou o crowdfunding na internet?

A primeira iniciativa de crowdfunding na internet completa 20 anos em 2017. Em 1997, fãs da banda Marillion arrecadaram US$ 60 mil para uma tour do grupo. O sucesso se repetiu e a banda utilizou o método para arrecadar dinheiro para fazer os seus álbuns de estúdio nos anos seguintes.

No cinema, o diretor e roteirista Mark Tapio Kines fez um site em 1997 para terminar o seu filme “Foreign Correspondents”. No começo de 1999, ele havia arrecadado mais de US$ 125 mil de dezenas de fãs. Os exemplos pontuais se tornaram milhares a partir de 2003, quando surgiu o ArtistShare, que atuava no campo da música. A partir daí, mais sites começaram a aparecer na internet, com os mais famosos sendo o IndieGoGo (lançado em 2008) e o Kickstarter (lançado em 2009). Também há outros como o GoFundMe.

No Brasil, os mais famosos são o Catarse,  Kickante, Benfeitoria e o Vakinha. Esse último é mais voltado a ajudas com despesas médicas, casamentos, festas, viagens e outras arrecadações mais pessoais.

Como eu coloco o meu projeto em um site de crowdfunding?

Crowdfunding

Foto: Istock/Getty Images

Antes, vale procurar o melhor site para o seu produto ou projeto: há algumas páginas mais de nicho e que podem servir melhor para projetos de arte, por exemplo, enquanto outras funcionam melhor com produtos.

Na maioria dos sites, você deve selecionar o nome, a categoria e apresentar as recompensas. Lembre-se de que há uma taxa do site: um exemplo é o Catarse, maior site brasileiro de crowdfunding, cobra uma taxa fixa de 13% do valor do projeto.

Como fazer um bom crowdfunding?

Lembre-se de montar uma boa apresentação: vídeos, desenhos e explicações detalhadas vão ajudar a se conectar com o seu público em potencial. Não se esqueça de mostrar como você irá gastar cada centavo que receber com o projeto.

Vivane Sedola, vice-presidente e cofundadora da Kickante, deu algumas dicas para quem quer fazer um bom crowdfunding. “Para ter uma campanha de sucesso você vai precisar de visibilidade“, comenta. “Você vai capitalizar a sua credibilidade. O ideal é se preparar para essa campanha e perguntar-se: qual é a recompensa que faz sentido?“, afirma.

Outra dica é na hora da definição da meta: pesquise bem antes de definir quanto dinheiro você precisa. “Uma meta muito ambiciosa pode repelir o público”, diz Viviane.

O mais importante, no entanto, é lembrar do principal objetivo da campanha. “A ideia não é informar sobre o projeto, o objetivo da página é converter”, afirma. A lição de casa é achar pessoas que podem ajudar a massificar e conseguir uma boa rede de pessoas para divulgar a campanha.

Viviane ainda cita a campanha da bicicleta elétrica Fat Bike. Com as bicicletas custando mais de R$6 mil, foram apenas 22 apoiadores, mas que ajudaram a arrecadar mais de R$ 137 mil. Isso significa que a campanha atingiu o público certo.

Não se esqueça de escolher o modelo de campanha: o Kickante, por exemplo, tem dois modelos: o tudo ou nada, em que a pessoa só recebe o dinheiro se a meta for alcançadas, e o flexível, em que a pessoa recebe o dinheiro arrecadado, independente se o objetivo foi alcançado.

Viviane completa citando alguns exemplos de campanhas bem-sucedidas no Kickante: a Aguawell, um dispositivo para não desperdiçar água do chuveiro, a Bluelux, para quem quiser controlar as lampadas pelo smartphone e o Mecânica em Miniatura, um projeto que traz um motor em miniatura e visa ajudar na compreensão do funcionamento de um motor.

Como funciona o crowdfunding pela internet?

Em sites como o Kickstarter, IndieGoGo e Catarse, o projeto ou produto financiado oferece recompensas para quem investir dinheiro na ideia. O dono do projeto seleciona os valores e a recompensa designada para cada valor.

Pebble

Em 2012, a campanha do Pebble arrecadou US$ 10 M, com o investimento de mais de 69 mil pessoas. Foto: Divulgação

No caso dos produtos, a grande maioria das vezes há uma recompensa que é o próprio produto, dependendo do valor investido no site. Nesses casos, o site acaba funcionando quase que como uma pré-venda. Inclusive, essa é uma crítica ao Kickstarter: se antes algumas empresas dependiam exclusivamente do valor arrecadado para sobreviver, atualmente o conceito de pré-venda tem prevalecido.

O exemplo dado por Chris Shuptrine, do Huddington Post, é o do wearable Pebble: em 2012, a campanha arrecadou US$ 10 milhões, com o investimento de mais de 69 mil pessoas. Em fevereiro de 2015, a Pebble, já consagrada, resolveu repetir a fórmula para um novo produto, o Pebble Time, que arrecadou mais de US$ 20 milhões de 80 mil pessoas. As primeiras entregas foram feitas dois meses depois da campanha terminar, dando a entender que o produto já estava pronto. Em dezembro de 2016, a empresa foi vendida para a concorrente FitBit por US$ 40 milhões.

Quais projetos arrecadaram mais dinheiro?

A diversidade de produtos e projetos listados como os que mais arrecadaram dinheiro evidenciam a diversidade do crowdfunding. Além do Pebble, outro produto inovador se tornou um case do modelo: Oculus Rift, óculos de realidade virtual, foi inicialmente financiado pelo Kickstarter, recebendo mais de US$ 2 milhões em contribuições. Em 2014, a empresa foi vendida por US$ 2 bilhões para o Facebook.

O crowdfunding deu uma chance muito maior aos produtores independentes — e os desenvolvedores de videogame souberam aproveitar, e muito, a oportunidade. O jogo Prison Architect, por exemplo, foi um dos que mais arrecadou dinheiro na história, com US$ 19 milhões, ocupando o 5º lugar na lista dos que mais arrecadaram. Além do Pebble, com US$ 20 milhões, a Elio Motors ocupa a 3ª posição, tendo arrecadado US$ 102 milhões. A empresa produz um carro de baixo custo, prometendo, em 2014, vender veículos por US$ 6.800. O carro ainda pode ser adquirido, mas agora por US$ 7.300.

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No entanto, quem ocupa a primeira colocação na lista dos projetos que mais juntaram dinheiro por financiamento coletivo é o The Dao, uma organização descentralizada construída por blockchain. No total, foram US$ 160 milhões investidos na plataforma.

Há ainda outros casos interessantes: entre os 10 que mais arrecadaram está o The Coolest Cooler, um cooler que é uma releitura moderna de um cooler tradicional, trazendo um liquidificador, som, espaço para guardar comida, rodinhas e outros acessórios interessantes. Foram mais de US$ 13 milhões arrecadados.

O caso mais curioso é o de Zack Danger Brown, que queria fazer uma salada de batata e resolveu testar a chance no Kickstarter. O resultado? Mais de US$ 55 mil arrecadados com quase 7 mil pessoas doando.

E no Brasil? Quais projetos arrecadaram mais?

A campanha do Santuário Animal do Rancho dos Gnomos, em Cotia, São Paulo, no Kickante, foi a primeira brasileira a ultrapassar a marca de 1 milhão de reais. O curioso é que a campanha não bateu a meta de R$ 1,2 milhão, mas mesmo assim ficou com o dinheiro pois era uma campanha flexível. Foram mais de 15 mil doadores para fazer um santuário ecológico.

Na segunda colocação vem um dos maiores nomes do empreendedorismo no Brasil, Bel Pesce conseguiu arrecadar R$ 889 mil no Kickante para fazer palestras para contar a sua história de empreendedora.

Há outros projetos que merecem destaque: quando Marcio S. Oliveira colocou o seu projeto no Catarse, em 2014, ele não imaginava que ia arrecadar 1206% do que pretendia: a meta era de R$ 50 mil e ele acabou juntando R$ 603 mil para produzir a Mola, um kit de estruturas que ajuda a estudar e ensinar o comportamento das estruturas arquitetônicas. Segundo Marcos, foram mais de dez anos de desenvolvimento do produto. O projeto bateu o recorde de financiamento coletivo no Brasil na época. Em 2016, Marcio lançou o Mola 2 e bateu, mais uma vez, o recorde, juntando mais de R$ 700 mil.

A banda Dead Fish também inovou e produziu o seu novo álbum com os R$ 258.500 mil que arrecadou no Catarse. Projetos de games também costumam fazer sucesso: o youtuber Marcos Castro conseguiu quase o mesmo que o álbum do Dead Fish: R$ 258,487 para o jogo A Lenda do Herói. A campanha tinha como objetivo juntar R$ 125 mil.

Há outros tipos de crowdfunding?

Sim! O matchfunding é um modelo que mistura o poder da multidão e de empresas interessadas no projeto. Várias startups e projetos passaram a existir graças ao matchfunding. Nesse modelo, para cada real doado por alguém, um patrocinador doa mais um. Por exemplo, se o projeto arrecadar R$ 25 mil, o patrocinador coloca mais R$ 25 mil, totalizando R$ 100 mil.

Além do matchfunding há o equityfunding, um crowdfunding baseado em investimento. Nesse modelo, empreendedores podem oferecer participação societária em troca dos investimentos de outras pessoas. É o modelo ideal para startups.

O que esperar do futuro do crowdfunding?

Como mostra a Inc, o cenário do crowdfunding está mudando nos últimos anos. Uma das principais mudanças é o crescimento de plataformas específicas para cada nicho. “Nichos como videogame, educação, música, organizações, pesquisa e projetos locais estão formando suas próprias plataformas para servir melhor os investidores”, diz.

A Inc também aponta que o crowdfunding deve, cada vez mais, mostrar-se como uma alternativa para startups arrecadarem dinheiro com o matchfunding ou equityfunding. Hoje, uma startup depende de rodadas de investimento para conseguir fazer a diferença no mercado e isso nem sempre dá certo.

A tecnologia também deve ser aliada do financiamento coletivo: “é vital para que os projetos apareçam para a pessoa correta”, diz. Ou seja, plataformas estão construindo bancos de dados para que os donos do projetos possam atingir melhor o público-alvo.

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