Há uma relação entre desemprego e videogames?
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Há uma relação entre desemprego e videogames?

Kaluan Bernardo em 22 de abril de 2017

Já se foi o tempo em que videogames eram apenas uma simples diversão. Com histórias mais elaboradas, gráficos mais realistas e competições mais acirradas na internet, cada vez mais gente gasta mais tempo com games. E isso pode ter relação direta com o crescente desemprego entre jovens.

É o que sugere uma pesquisa de 2016, conduzida pelos pesquisadores Mark Aguiar, Mark Bils, Kerwin Charles e Erik Hurst. Eles mostram que, nos Estados Unidos, entre 2000 e 2015, o índice de emprego entre homens de 20 a 29 anos caiu de 82% para 72%. Antes de 2000 o índice chegava a 90%. Entre os desempregados, ao menos 22% afirmaram não ter trabalhado nos últimos 12 meses.

Esses jovens também não estão saindo de casa. Em 2015, metade deles morava com pais ou parentes próximos. E tampouco se casavam.

O que fazem então? Jogam. O consumo de games cresceu nesse grupo. A cada hora menos gasta com trabalho, ganha-se uma hora com lazer – e, 75% desse tempo foi dedicado aos videogames. Não é possível associar o hábito a crises econômicas, já que no mesmo período o desemprego caiu nos EUA e foram criados 2,7 milhões de empregos, mas há outras relações em jogo.

Como videogames e desemprego se relacionam

Os autores indicam que os videogames estão se tornando “lazeres luxuosos”. O luxo não necessariamente é algo que custa caro. Algumas pessoas preferem trabalhar menos, gastar menos e terem mais tempo para se dedicar ao lazer. O que também pode ser considerado luxo, afinal, não é todo mundo que pode se dar ao luxo de fazer esse tipo de opção na vida.

Esse é o caso dos videogames: quanto mais complexos e ricos, mais as pessoas se dispõem a trocar seu tempo por esse luxo, mesmo que signifique ganhar menos dinheiro com trabalho.

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“É claro que os videogames interferem em qualquer tentativa de procurar ou fazer um trabalho sério”, confessa um jovem de 29 anos identificado apenas como ‘Arturo’, à revista Economist. Ele tem mais de 600 horas dedicadas a games de simulação de vôo, mas está desempregado.

A mudança preocupa economistas, assim  como os autores do estudo. Embora videogames sejam divertidos e relativamente baratos, outros bens, como casas, cuidados médicos, comida e móveis custam mais. Se a população jovem escolher apenas o lazer de curto prazo sobre o trabalho, ela poderá não alcançar a independência econômica e arcar com outros custos que a vida há de trazer.

Mais do que isso, a ideia de ter um lazer relativamente barato assusta no longo prazo: teremos uma sociedade com cada vez menos motivações financeiras para trabalhar?

Há mais um fator a se considerar: o escapismo. A Economist cita exemplos de jovens descontentes com suas carreiras e que encontram nos games possibilidades mais empolgantes e motivadoras do que seus empregos tão repetitivos.

O escapismo dos games soa atraente em um mercado cada vez mais difícil para jovens. Se em 1994 o desemprego de recém-formados no Ensino Médio e no Ensino Superior era de 8% em 1994, em 2004 subiu para 9% e em 2014 para 11%.

O cenário é pior quando olhamos para os “subempregados”. Em 2010, mais de 45% dos recém-graduados na universidade trabalhavam em empregos que não exigiam diploma. Dez anos antes a taxa era de 30%.

Um bom game é desenhado para não ser fácil nem difícil demais. Ele é feito para funcionar em um nível no qual o jogador sinta satisfação em progredir. Cada conquista leva a uma recompensa, que soa merecida. Em um mercado com tanto desemprego e subemprego, os jovens não sentem a mesma proporção entre recompensa e esforço – o que torna os videogames mais atraentes.

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