O design aberto como modelo negócio na nova economia
Valoví
Cadeira Valoví Foto: Reprodução
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O design aberto como modelo de negócio na nova economia

Emily Canto Nunes em 13 de maio de 2016

A primeira vista o termo design aberto pode parecer contraditório. Como assim um objeto de design pode ser aberto? Como assim a cadeira criada por um um arquiteto em São Paulo ganhou braços que não possuía no projeto original graças a um mexicano? Como? Podendo, é a resposta do design aberto, expressão que remete a projetos e ações em que a livre participação nas mais diversas fases de criação não é apenas permitida, como incentivada.

Um dos nomes do design aberto no Brasil é Denis Fuzii, autor da Valoví (a cadeira do exemplo acima) e fundador do Studio dLux. Segundo contou Denis, que também é representante da Opendesk no Brasil e um dos consultores na criação da Mono Design, o conceito de opensource, ou código aberto, é algo bastante antigo, mas aplicado ao design é mais atual. Foi por meio da descoberta de um equipamento específico, a CNC, que Denis percebeu que poderia aplicar facilmente esse conceito em seus projetos.

Cadeira "Valoví" Foto: Reprodução

Projeto original da Cadeira Valoví Foto: Reprodução

A CNC não é uma invenção recente, mas seu uso para fabricação digital sim. Basicamente, a CNC é uma fresadora que corta chapas de qualquer tipo de material a partir de um arquivo digital. Antigamente, ela era usada em indústrias de móveis e sinalização apenas para fazer cortes retos. Ao programá-la para cortar também objetos curvos, seu uso se ampliou e a CNC se tornou parte fundamental da difusão do design aberto pelo mundo.

homens trabalhando em chapas de madeira

Produção Foto: Reprodução/Mono Design

“O design aberto é uma inversão no mundo em que a gente vive. No momento em que liberamos para outras pessoas usarem o nosso potencial criativo estamos fazendo a nossa parte na reinvenção do mobiliário. Se aquele design pode ser aplicado em outros lugares porque não disponibilizar o arquivo aberto? De qualquer forma ele poderia consultar uma Wikipédia, uma espécie de Wikistuff e adaptar o design de acordo com as suas necessidades. Além disso, tem a questão do feedback, de usuários que descobrem algo que pode beneficiar o design como um todo”, explica Denis.

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Desde que não seja para uso comercial, ou seja, para produzir e vender em escala, a cadeira Valoví de Denis pode ser feita em qualquer lugar do mundo: basta fazer o download do arquivo, comprar uma chapa do material desejado e encontrar alguém com uma máquina CNC.

Além disso, ele explica que o design aberto torna o processo de fabricação de um móvel como uma cadeira, por exemplo, muito mais sustentável ecologicamente e também do ponto de vista econômico. “Retiramos todos os custos e malefícios do frete e incentivamos a produção, o comércio e o consumo local de matéria-prima”, resume. De certa forma, o design aberto impulsiona a democratização da produção ao mesmo em que incentiva um novo modelo de negócio que tem tudo a ver com a nova economia dos dias atuais.

Design aberto no Studio dLux, Mono Design e Opendesk

Como sócio do Studio dLux, Denis também coloca em prática os valores do design aberto uma vez que seu escritório de arquitetura lida com fabricação digital. Além disso, como seu nome aparece muito ligado a esse conceito, vários clientes do escritório já pedem que os arquivos criados para seus projetos sejam liberados, às vezes para todo mundo, às vezes para si, para produzir por conta própria novas peças.

Já a Opendesk, que Denis ajudou a trazer para o Brasil, é a maior plataforma de projetos de design aberto, porém mais voltada para empresas que desejam montar seus escritórios. No site, os empresários podem encontrar móveis que gostam, baixar o projeto, comprar materiais e encontrar alguém que corte ou, ainda, deixar que a Opendesk encontre um produtor local cadastrado e entregue o objeto pronto que, apesar de tudo, ainda será mais barato que um móvel tradicional comprado em uma loja especializada segundo explicou Denis.

Poltrona "Balancê" Foto: Divulgação

Poltrona Balancê Foto: Divulgação

A brasileira Mono Design, que Denis também ajudou a criar como consultor, tem um foco maior em pessoas físicas e em projetos de móveis residenciais, mas funciona da mesma forma. Ou seja, você pode ir lá e fazer tudo por conta ou contratá-los para achar um produtor local, cuidar do acabamento e entregar o objeto escolhido. É lá, por exemplo, que também está a cadeira Valoví, que é vendida montada ou desmontada. Uma das cadeiras mais baixadas no mundo todo, graças ao design aberto, a Valoví foi desenhada pela equipe do Studio dLux e, por meio do site britânico Opendesk, já foi baixada em mais de 100 países. Por isso, não se espante se você sentar em uma lá do outro lado do mundo.

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