Estudo mostra discriminação racial de motoristas do Uber
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Foto: Istock/Getty Images
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Estudo mostra discriminação racial de motoristas do Uber

Pedro Katchborian em 29 de novembro de 2016

Uma pesquisa feita pelo MIT em parceria com a Stanford University e a University of Washington mostrou que há discriminação racial dos motoristas do Uber nos Estados Unidos. Em Boston, motoristas cancelaram viagens com pessoas com nomes relacionados às pessoas negras duas vezes a mais do que outras pessoas. Pessoas negras em Seattle usando o Uber e Lyft encararam mais tempo de espera se comparados com consumidores brancos.

Foto: Istock/Getty Images

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“Muito disso é um processo de aprendizado, e você não pode esperar que essas empresas tenham soluções imediatas”, diz Christopher Knittel, professor do MIT e um dos autores do estudo.

No entanto, em uma nova economia, as empresas de tecnologias precisam tomar medidas para tentar reverter o problema. O Airbnb recentemente lançou um estudo analisando a desigualdade dentro da empresa e dos anfitriões. A empresa se comprometeu a oferecer mais treinamento para os anfitriões e a ter mais diversidade na hora de contratar funcionários. Ainda assim, a empresa resolveu não remover as fotos de anfitriões e hóspedes da plataforma.

No caso dos aplicativos de carona como o Uber e o Lyft, os motoristas não veem as fotos dos usuários. No Lyft, o usuário pode colocar a foto, mas não é obrigatório. Em entrevista à Bloomberg, Adrian Durbin, um porta-voz do Lyft, afirmou que a empresa “faz muito pelas comunidades de cor“. “Por causa do Lyft, pessoas em áreas mais pobres tem acesso a convenientes e acessíveis caronas”, disse Durbin.

O estudo foi feito em Seattle e Boston e incluiu 1.500 corridas. Quatro pessoas brancas e quatro negras — dividido igualmente entre homens e mulheres — pediram caros nos dois apps por seis semanas. O estudo descobriu que os motoristas do Uber cancelam corridas de pessoas com “nomes de pessoas negras”, mesmo com a empresa penalizando quem cancela frequentemente.

“Aplicativos de carona estão mudando o status do transporte, que esteve desigual por gerações, tornando mais fácil e acessível para as pessoas se locomoverem”, diz Rachel Holt, da Uber, à Bloomberg. “Discriminação não tem lugar na sociedade e no Uber. Nós acreditamos que o Uber está ajudando a diminuir a desigualdade de transporte, mas estudos como esse mostram que podemos fazer ainda mais“, completa.

Os pesquisadores propuseram algumas mudanças para reduzir a discriminação, incluindo não identificar o nome dos passageiros, além de punições mais severas para os motoristas que cancelam uma corrida depois de terem aceito. Mesmo assim, Knittel sabe das vantagens de compartilhar alguns dados com o motorista, incluindo criar uma experiência mais amigável e eficiente.

O estudo também teve descobertas interessantes em relação às mulheres: as usuárias reportaram por várias vezes motoristas que gostavam de falar e faziam caminhos mais longos.

A discriminação na economia compartilhada além do Uber

O caso dos motoristas do Uber é mais um motivo para a economia compartilhada buscar mais inclusão. Além da discriminação racial dos motoristas no estudo, há uma segregação entre os usuários do aplicativo. Uma pesquisa da consultoria Pew Research mostrou que, nos EUA, pessoas que ganham mais de US$ 100 mil por ano têm três vezes mais chances de usar serviços de compartilhamento do que pessoas que ganham menos do que US$ 30 mil.

Entre os que estavam na faixa mais baixa de rendimento, metade nunca havia ouvido falar no Uber e apenas 4% já havia usado o Airbnb. Para os pesquisadores, “os modelos de economia compartilhada têm potencial incrível para permitir muito mais acesso a bens cruciais e serviços a pessoas e comunidades que normalmente são excluídos ou impossibilitados de atenderem suas necessidades pelos modelos mais tradicionais”.

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