Economia colaborativa: o que é, principais conceitos, termos e exemplos
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Economia colaborativa: o que é, principais conceitos, termos e exemplos

Pedro Katchborian em 24 de maio de 2017

Economia colaborativa, economia compartilhada, economia criativa, do afeto… Já escrevemos sobre esses termos no Free The Essence e todos nos ajudam a entender os possíveis caminhos para o nosso futuro como consumidores nessa Nova Economia. Mas entrando em detalhes, como funciona a economia colaborativa?

O que é a economia colaborativa?

Também chamada de economia compartilhada ou de consumo colaborativo, a economia colaborativa sempre existiu. Esse tipo de modelo de negócio se baseia, como diz o nome, em uma colaboração de diferentes pessoas. De maneira resumida, a economia colaborativa possibilita o compartilhamento de bens e serviços, que podem ou não envolver uma troca monetária. Se um rol de empresas veio a sua cabeça, não se assuste, algumas de fato são exemplos desse modelo de negócio, como Airbnb e Kickstarter.

Essa é a definição mais comum, mas há quem discorde que a economia colaborativa engloba outros termos como economia compartilhada e que eles não querem dizer a mesma coisa. Camila Haddad, pesquisadora sobre o tema e fundadora do Cinese, tem como definição de economia colaborativa uma “economia construída sobre redes de pessoas e comunidades, em oposição a instituições centralizadas”. Para ela, existe uma confusão em relação a tantos termos. “No meu entendimento, só é colaborativo aquilo que é distribuído, construído e gerido por uma comunidade de pessoas“, completa. Ou seja, nesse caso, o Uber não é parte desse movimento — afinal, o único compartilhamento que existe no Uber é o Uberpool, quando pessoas dividem um mesmo carro.

Quando surgiu a economia colaborativa e quais seus benefícios?

A origem do conceito é desconhecida de maneira oficial, mas registros mostram que o professor Lawrence Lessig foi possivelmente o primeiro a usar o termo em 2008. Em 2011, a revista TIME colocou o consumo colaborativo entre uma das 10 ideias que iriam mudar o mundo.

Embora o conceito como modelo de negócio exista há menos de uma década, a ideia por trás do consumo colaborativo não é nova. Afinal, caronas, vaquinhas e aluguéis de apartamentos em temporadas existem há décadas, mas a economia compartilhada trouxe um novo propósito para cada um desses atos, tudo baseado em tecnologias que permitem essa colaboração de maneira mais organizada.

Os benefícios são muitos. Segundo uma pesquisa da PwC sobre o assunto, cerca de 86% dos norte-americanos entendem que a economia colaborativa torna mais barato viver. Cerca de 76% acreditam que é melhor para o meio ambiente e 63% dizem que é mais divertido do que se engajar com empresas tradicionais.

Quais são os problemas da economia colaborativa?

A mesma pesquisa da PwC mostrou que há algumas preocupações sobre o assunto. Cerca de 72% acreditam que a experiência da economia colaborativa não é consistente. Já 69% dizem que não confiam em empresas que utilizam esse modelo — a não ser que alguém de confiança recomende.

Com tantos benefícios, há quem queira se aproveitar da onda. É o caso do sharewashing — quando empresas tradicionais vendem a ideia de que fazem parte da economia colaborativa, quando na verdade não é bem assim. Nesse sentido, grandes empresas como Uber podem ajudar a desvalorizar e a esvaziar o conceito de economia colaborativa, pois passam essa ideia, mas na verdade são intermediários como qualquer outra empresa, porém mais tecnológica. No caso específico do app, há diversos protestos de motoristas que, em muitos casos, sentem-se explorados pois não se veem como colaboradores da plataforma, mas quase funcionários.

Quais são os principais conceitos da economia colaborativa?

Economia de reputação

No Uber, você entra no carro de um estranho. Alguém que nunca viu na vida — e você só confia porque o aplicativo mostra quanta estrelas aquele motorista tem. O mesmo acontece com o Airbnb: você cederia a sua casa para uma pessoa que nunca viu na vida? Muita gente tem feito isso, baseado apenas nos critérios da plataforma. Essa é a tal economia da reputação.

Outro indicativo desse movimento são pesquisas que mostram o hábito de consumidores: 90% das pessoas que compram online são influenciadas pelas avaliações de outros sobre os produtos, segundo uma pesquisa da Dimensional Research. Isso também vale para outros mercados, como o de negócios: não é novidade recrutadores darem uma boa olhada no seu perfil do Facebook antes de te contratarem. Tudo é parte da economia da reputação.

Além dessa reputação pessoal que interfere nos serviços, há a reputação de empresas. A economia da reputação tem implicações para pessoas e organizações. Esqueça aquela história do “estagiário que cuida das redes sociais”. Para Daniel Burrus, futurista e colunista do Huffington Post, o futuro indica um caminho em que a reputação é tão importante quanto o capital de uma empresa.

E isso já acontece — e muito — aqui no Brasil. Em abril de 2016, por exemplo, um homem contou uma história no Facebook: de como ele havia tentado consertar o seu iPhone e, depois de passar por uma loja que disse que a troca de peças sairia por R$ 180, acabou indo em outra que foi honesta e disse que o celular só precisava de uma limpeza — e ainda não cobrou nada pelo serviço. A postagem no Facebook recebeu 323 mil likes e 72 mil compartilhamentos. O resultado? Aumento de 900% no número do clientes para a empresa que foi verdadeira com o seu cliente.

Para Burrus, com a economia da reputação vem uma nova oportunidade. “Você só precisa ser inovador o suficiente para ver e inteligente o suficiente para tirar vantagem dessa oportunidade”, comenta.

Sistemas de redistribuição

Sistemas de redistribuição se baseiam em produtos usados ou semi-novos. Serviços como o Enjoei, em que pessoas podem montar suas próprias lojas com roupas ou outros itens que não usam mais entram nessa categoria. Outro exemplo de mercado de redistribuição é o Comprei e Não Vou, em que usuários tentam revender ingressos de eventos que não poderão mais comparecer.

Diferente de serviços como o Mercado Livre, essas plataformas dão um tom mais pessoal à venda, o que pode ajudar na hora de vender e comprar.

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Crowdfunding

Também chamado de financiamento coletivo, o crowdfunding é um modelo de arrecadação de dinheiro em que um grande número de pessoas contribui para um objetivo em comum. É bastante utilizado para financiar novos produtos e projetos nas mais variadas áreas.

As plataformas mais renomadas são o IndieGoGo (lançado em 2008) e o Kickstarter (lançado em 2009). Também há outros como o GoFundMe. No Brasil, os mais famosos são o Catarse, Kickante, Benfeitoria e o Vakinha. Esse último é mais voltado a ajudas com despesas médicas, casamentos, festas, viagens e outras arrecadações mais pessoais.

Em sites como o Kickstarter, IndieGoGo e Catarse, o projeto ou produto financiado oferece recompensas para quem investir dinheiro na ideia. O dono do projeto seleciona os valores e a recompensa designada para cada valor e cada um contribui com o valor que deseja ou a partir do que vai receber em troca.

Crowdsourcing

Crowdsourcing é, em sua essência, a união de pessoas com um objetivo em comum. Ou seja, plataformas colaborativas que visam um bem maior e utilizam a inteligência e a contribuição de cada indivíduo para alcançar a meta. Entre as empresas que utilizam o crowdsourcing como modelo estão a Wikipedia, o iStock e o Waze. Todos utilizam a força da colaboração de milhares de pessoas para melhorar a plataforma.

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