Continente africano é o berço da economia compartilhada
economia compartilhada
Foto: Istock/Getty Images
Nova Economia > Consumo Colaborativo

Continente africano é o berço da economia compartilhada

Camila Luz em 25 de setembro de 2016

No mundo todo, a economia compartilhada é considerada o divisor de águas que vai revolucionar a forma como viajamos, consumimos e lidamos com vários aspectos de nossas vidas. O conceito pode parecer inovador, mas em países da África ele vem sendo aplicado no cotidiano dos habitantes há séculos.

Também chamada de consumo colaborativo, a economia compartilhada é uma forma de reduzir custos e desperdícios e de integrar comunidades. Airbnb, Uber Pool e espaços de coworking são alguns dos serviços que fazem parte dessa tendência e se popularizaram nos últimos anos.

Raymond Besiga, criador da plataforma africana de crowdfunding Akaboo, afirma que a economia compartilhada já é “tendência” na África há muito tempo. Em palestra no TEDxKampala 2015, ele apontou que a colaboração faz parte da história do continente africano.

Nós sempre tivemos uma cultura colaborativa. Isso acontece em pequena escala todos os dias e com a tecnologia certa, pode crescer.

Economia compartilhada na África é uma necessidade

Exemplo disso é o conceito sul africano das “stokvels”, que existem desde a década de 1930. São grupos informais que investem em esquemas de poupança baseados na confiança mútua. Em reuniões regulares, membros fazem contribuições financeiras que irão retornar no futuro. Esse dinheiro também pode ser destinado ao financiamento de algum projeto que seja de interesse comum.

As “stokvels” são processos semelhantes ao crowdfunding, popularizado no mundo por plataformas como o Kickstarter. No Brasil, o Catarse é o site mais conhecido.

Raymong cita outros exemplos em escala micro. Ele conheceu um fazendeiro que não tinha dinheiro para comprar um trator. Sua solução foi simples: se unir a um grupo de agricultores que também não tinham renda para isso, comprar uma máquina em conjunto e dividir o tempo de uso entre todos.

Na África, situações de pobreza ou renda insuficiente motivam seus habitantes a dividir, compartilhar e a fazer melhor uso do que está disponível. É questão de sobrevivência e uma necessidade.

Leia mais:
Seis mulheres negras que lideram a revolução digital na África
Por que a Etiópia é uma das economias mais promissoras da África
Powerhive, a startup que está levando energia solar à África rural

O impulso da tecnologia

Nos últimos anos, a tecnologia entrou na equação e deu nova vida ao conceito de economia compartilhada na África. Hoje, milhões de africanos possuem smartphones e têm acesso à internet. São capazes de realizar transações online com segurança e de atingir mais pessoas quando precisam escalar um serviço.

Empresários africanos desenvolvem plataformas e serviços que são adequados para ao continente. Um deles é o SleepOut, focado em conectar viajantes que precisam de uma cama para dormir com proprietários que desejam faturar grana alugando cômodos de suas casas. Diferente do Airbnb, o “aluguel” pode ser pago em dinheiro diretamente para o proprietário, facilitando o processo.

Outro serviço é o nigeriano GoMyWay, focado em compartilhamento de caronas. Ele conecta passageiros com motoristas que vão seguir a mesma rota e desejam dividir os custos. Vale tanto para viagens de longa distância quanto para trajetos dento da uma cidade.

A palestra do Raymond Besiga no TEDx está disponível no Youtube com a possibilidade de colocar legendas em inglês:

Gostou deste post? Que tal compartilhar:
Últimos
Trend Tags
Array ( [0] => 76 [1] => 222 [2] => 237 [3] => 115 [4] => 17 [5] => 238 [6] => 92 [7] => 125 [8] => 173 [9] => 16 [10] => 276 [11] => 25 [12] => 157 [13] => 66 [14] => 67 [15] => 62 [16] => 153 [17] => 127 [18] => 12 [19] => 19 [20] => 187 [21] => 69 [22] => 154 [23] => 175 )
Vídeos
Copyright © 2016 Free the Essence