Aplicativo guiaderodas funciona como mapa da acessibilidade
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Aplicativo guiaderodas funciona como mapa da acessibilidade

Kaluan Bernardo em 29 de julho de 2016

“Não há nada pior do que você ir a um compromisso e ter que voltar para casa porque o local, seja um restaurante, um cinema, ou qualquer outro, não está apto a te receber”, comenta Bruno Mahfuz, cofundador do guiaderodas, um aplicativo para avaliar o nível de acessibilidade de diferentes estabelecimentos.

O serviço, que é gratuito, está disponível para Android e iOS. Ele funciona como uma espécie de Foursquare para acessibilidade. Basta fazer o login, escolher um estabelecimento próximo de onde você estiver e contar para os outros usuários se a acessibilidade lá é boa, ruim ou mediana.

screenshot da tela do aplicativo

Foto: Divulgação

screenshot da tela do aplicativo com opções de nota para estabelecimento

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Bruno conta que 70% dos usuários do aplicativo não são deficientes físicos. A ideia, segundo ele, é que qualquer um possa e queira colaborar para avisar aos outros o quão acessível é aquele lugar. Ele diz:

Queremos desconstruir essa ideia de que acessibilidade é só questão de alguns. É de todos. Ela não diz respeito só a quem usa cadeira de rodas. Qualquer pessoa, em algum momento da vida, pode se beneficiar de instalações acessíveis — poderá ser quando ela ficar idosa, grávida, com uma criança de colo ou mesmo quando quebrar o pé.

A participação de usuários que não são portadores de necessidades especiais se deve à simplicidade da interface. O questionário para avaliar a acessibilidade do lugar é simples e intuitivo. Os responsáveis pelo aplicativo afirmam que responder as perguntas não dura mais do que 30 segundos. “Não perguntamos coisas muito específicas, como a inclinação da rampa ou a dimensão da porta. Apenas gerais. Além disso, não tratamos a questão da acessibilidade com dó, mas sim como qualquer outro desafio da vida”, diz Bruno.

A necessidade de criar um serviço de acessibilidade

bruno com camisa azul e calça cinza sentado em cadeira de rodas

Bruno, fundador do Guia de Rodas. Foto: Divulgação

Bruno é administrador, com pós-graduação em branding, e também cadeirante. Há 15 anos, quando tinha 17, sofreu um acidente de carro e, desde então, não consegue mover suas pernas. Os desafios que enfrentava todos os dias que saia de casa alimentavam nele a vontade de fazer algo para melhorar as coisas. Foi em 2015 que resolveu se juntar a mais dois sócios e lançar o guiaderodas.

“Sempre quis trabalhar com alguma coisa vinculada a acessibilidade porque padeço muito pela falta dela”, conta. “Apesar de ver os vários avanços que aconteceram nesses 15 anos, ainda falta muito. E, tão grande quanto a falta de acesso é a falta de informação. As pessoas saem de casa e não sabem o que vão encontrar pela frente”, diz.

Ele lembra que, na época do vestibular, por exemplo, deixou de fazer várias provas porque chegava na faculdade e ela não tinha estrutura para ele entrar.

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Bruno conta que muitas vezes o lugar até tem estrutura como rampas e elevadores para receber o cadeirante, mas peca em detalhes essenciais, como os corredores entre as mesas de um restaurante. “As vezes até tem um banheiro especial, mas não há como chegar até lá”, diz.

A acessibilidade como negócio

O guiaderodas foi lançado em fevereiro. Segundo Bruno, já tem mais de 7 mil downloads e 6 mil estabelecimentos avaliados. Como eles trabalham com a base de dados do Foursquare, funcionam em qualquer lugar. Pensando na internacionalização, o serviço já está disponível em inglês e espanhol.

O serviço é gratuito. A monetização vem com o “Selo guiaderodas”, um serviço oferecido pela empresa e feito por arquitetos especializados para melhorar a especialidade de um determinado ambiente. Eles avaliam o local, sugerem melhores e divulgam e premiam as edificações mais acessíveis. No momento, estão focando em grandes estabelecimentos, como teatros, hotéis e condomínios.

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