Instituto Chão e Economia Solidária: revender pelo preço de custo
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Foto: Instituto Chão/Divulgação
Nova Economia > Consumo Colaborativo

Na Vila Madalena, Instituto Chão revende produtos pelo preço do produtor

Camila Luz em 26 de abril de 2016

Repassar alimentos ao consumidor peço preço de compra. É nisso que o Instituto Chão, de São Paulo, aposta. Quem visita o espaço encontra uma feira, uma mercearia e um café que vendem produtos orgânicos, artesanais, plantas e cerâmicas artísticas. A organização se baseia nos princípios da Economia Solidária.

Juliana Braz, uma das sócias do Instituto, explica que essa é uma maneira de valorizar o produtor. Em outros sistemas, ele é obrigado a vender seu produto por preços mais baixos para que a empresa intermediária lucre ao revendê-lo. Já no Instituto Chão, isso não é necessário. O fabricante define quanto vale sua mercadoria e recebe o valor integral.

Isso significa que o pé de alface que custou R$2,50 ao instituto será revendido pelo mesmo valor ao consumidor.

A associação fica localizada na rua Harmonia, na Vila Madalena. E é de harmonia que pretendem viver os sócios. A Economia Solidária, segundo o site oficial do Instituto, é uma forma de organização que coloca o ser humano como sujeito e finalidade na atividade econômica. O processo deve ser justo para todos: produtores, consumidores e para o próprio instituto.

O consumo consciente também é incentivado, já que apostam na venda de produtos orgânicos e artesanais, com respeito ao meio ambiente e aos trabalhadores.

Mas como o Instituto Chão se mantém?

Por meio de doações feitas pelos consumidores. Para ajudar a manter o espaço aberto, o cliente pode ajudar financeiramente com a quantia que couber no seu bolso. “Há uma contribuição voluntária para pagar luz, tarifas de cartão de crédito, saquinhos, serviço, o frete que entrega os produtos”, explica Juliana.

O Instituto trabalha com transparência. Todos os gastos são discriminados em uma lousa que fica exposta para os clientes. Sócios fazem uma previsão de gastos e vendas e, a partir disso, calculam quanto precisam receber em contribuições.

“Geralmente, pedimos que os clientes deixem entre 29% e 30% do valor do que foi consumido. Mas ele pode deixar mais, ou menos, de acordo com suas possibilidades”, diz Juliana.

Com esse sistema, pretendem repensar as relações de trabalho, para que sejam mais horizontais e democráticas. Juliana conta que todos que trabalham na associação recebem o mesmo salário e cuidam de todas as tarefas. “O Instituto abre de terça à sábado, das 8h30 às 14h. Mas estamos aqui desde às 6h30. Ficamos até o fim do dia”, conta.

O movimento de fregueses no Instituto Chão é intenso. Juliana conta que o objetivo é esgotar todos os produtos diariamente, para que o sistema se mantenha financeiramente e não haja desperdício.

Além de administrar o dinheiro, os participantes são responsáveis pela organização dos  alimentos e da feira.

O que o Instituto Chão oferece

Todos os dias rola uma feira com frutas, vegetais e legumes orgânicos. Há, também, um armazém, que vende arroz, feijão, fubá, mel, geleia, laticínios e outros produtos artesanais.

Lousa com descrição dos produtos vendidos no Instituto

Lousa com produtos vendidos no Instituto.

Juliana conta que trabalhar com orgânicos faz parte da proposta da empresa de fomentar relações de trabalho mais igualitárias. “Também temos uma preocupação com a sustentabilidade. Todos os restos de alimentos são encaminhados para produtores que realizam a compostagem e os transformam em adubo”, explica. “Os outros materiais, como plástico, são encaminhados para destinos ambientalmente corretos, como reciclagem”, conclui.

Leia mais: Quintais orgânicos da Embrapa incentivam pomares comerciais e consumo saudável

Mas trabalhar com orgânicos, no caso do Instituto, tem mais a ver com impulsionar pequenos produtores. Grandes corporações possuem relações menos horizontais e abusam da mecanização e do uso de agrotóxicos. Juliana explica:

Queremos mudar  as relações de trabalho, o processo produtivo, fazer as coisas de forma mais justa. Mas pensamos em uma transformação maior, na qual também estão incluídos o meio ambiente e a natureza. Tudo se relaciona.

O caminho para a Economia Solidária

Sete associados fundaram a associação sem fins lucrativos em 2015. Os amigos de infância Thiago Guardia e Fabio Mendes trabalharam juntos em uma clínica de saúde mental. Tinham planos de transformá-la em uma instituição sem fins lucrativos. Tentaram mudar o foco do negócio de doença para promoção da saúde. Quando a diretoria da empresa não concordou com a mudança, decidiram seguir seu próprio caminho.

Convidaram outros cinco amigos para fundar o Instituto Chão, em maio. Depois, outros profissionais passaram a ser interessar pelo negócio e entraram para a associação. Foi o caso de Juliana.

“Já trabalho com projetos de autogestão na USP (Universidade de São Paulo) há anos, mas gostaria de ter um empreendimento de serviços e produtos”, explica. Ela também possui um sítio em Parelheiros, onde fica uma das cooperativas de produtores que entregam os alimentos.

O Instituto Chão ainda atua com cooperativas do sul do Brasil e da cidade de Tietê (SP), por exemplo. Mas pretende expandir, aumentando o número de produtores parceiros.

A organização está bolando novos projetos para auxiliar os fabricantes que têm dificuldade com a logística de entrega. O objetivo é viabilizar os negócios desses produtores, para que a margem de lucro aumente e todo o sistema funcione de forma justa.

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