A visão da Microsoft e do LinkedIn para o futuro do trabalho
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Foto: Istock/Getty Images
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A visão da Microsoft e LinkedIn para o futuro do trabalho

Kaluan Bernardo em 23 de junho de 2016

Em junho, a Microsoft comprou o LinkedIn por US$ 26,6 bilhões. Foi a terceira maior aquisição no mercado de tecnologia e a maior na história da Microsoft. Para efeito de comparação: o Google comprou o YouTube por US$ 1,65 bilhão (em 2006); o Facebook comprou o WhatsApp por US$ 19 bilhões (em 2014); Facebook comprou o Instagram por US$ 1 bilhão (em 2013).  Antes, a Microsoft já havia feito duas grandes compras: o Skype por US$ 8,5 bilhões (em 2011) e a Nokia por US$ 7,6 bilhões (em 2015).

Especialistas apontam alguns dos motivos que fizeram a Microsoft se interessar pela empresa: interesse em se posicionar melhor no mercado de redes sociais; possibilidades de integrar seus serviços, como o pacote Office ao universo profissional no qual a companhia atua; maiores chances de conhecer as demandas e vender serviços para os mais de 430 milhões de usuários do LinkedIn.

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Essas razões foram corroboradas pelo próprio presidente da companhia, Jeff Weiner, em discurso aos funcionários. O discurso foi transcrito e apresentado pelo Departamento de Segurança dos Estados Unidos. Em tom emocionado, Weiner fala das motivações que levaram à venda e sua visão de futuro sobre o mundo dos negócios, do trabalho e companhia.

O Free the Essence separou alguns trechos, veja:

Jeff Weiner explica o futuro do Linkedin

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Jeff Weiner, CEO do LinkedIn. Foto: Reprodução/Twitter @jeffweiner

“Entrei na empresa em dezembro de 2008, e entrei por uma série de razões diferentes (…) E eu não poderia imaginar o que aconteceria na empresa nos próximos sete anos e meio. De 338 empregados fomos para 10 mil; de receita de US$ 78 milhões em 2008 fomos para esse ano, quando deveremos alcançar US$ 3,7 bilhões. De algum lugar entre 32 e 33 milhões de membros, hoje temos mais de 430 milhões. E eu posso ir e ir.”

Nesse momento, ele começa a falar do motivo pelo qual a empresa chegou tão longe e o que os motiva. Na sequência as coisas começam a ficar interessantes ao passo em que ele disserta sobre como o LinkedIn se enquadra no futuro do trabalho:

“Por mais forte que minha convicção tenha sido, ela nunca foi tão forte quanto é hoje. E há uma boa razão para isso — o mundo precisa de nós mais do que nunca. E se você não acredita em mim, olhe as chamadas dos jornais diários. Vejas as últimas três semanas. Vamos começar com a Foxconn, uma fabricante na Ásia, que anunciou que irá substituir 60 mil empregados por robôs. Sessenta mil pessoas vão perder seus empregos por conta dos robôs. Em 24 horas o ex-CEO do McDonald’s disse que se o salário mínimo continuar a crescer eles vão ter que substituir seus trabalhadores por robôs. Não sei se ele estava só provocando ou não, mas aquilo chamou minha atenção. Na outra semana o Walmart disse que começará a fazer testes com tecnologia de drones em seus depósito para substituir todos que pegam, embalam e entregam lá. Então, em mais uma semana depois, o Elon Musk apareceu na Coda e disse que toda a tecnologia de carros sem motorista estará pronta em apenas dois anos.

O futuro distópico no qual robôs substituem pessoas, que foi previsto na ficção científica por décadas, está acontecendo. Já começou. E esse monte de chamadas em um período de três semanas em algum momento ser tornará uma enxurrada de notícias diárias. Seja pela dispensa de pessoas em virtude de novas tecnologias, seja pelo crescente déficit de habilidades, seja pelo crescente problema de desemprego entre os jovens, seja pelos níveis recordes de estratificação social, a criação de oportunidades econômicas será a questão definidora de nosso tempo. E é por isso que estamos aqui, é por isso que fazemos o que fazemos. E sei que vocês todos acreditam profundamente nisso. Então entendemos que nossa visão e missão são componentes disso. Isso é o que somos. Eu também entendo que há algo de único no LinkedIn, e o fato é que nos importamos com isso tanto quanto pelo que fazemos e como. Nossas culturas e valores, a forma como fazemos negócios, e como conduzimos nós mesmos.”

Após passar mais um tempo falando sobre como o LinkedIn seria uma empresa incrível, e como eles são importantes, coloca tudo isso frente à compra da Microsoft e o alinhamento de valores que possuem:

“Parte do público deve estar se perguntando ‘espera aí, você me falou sobre controlar nosso destino e agora está falando que fomos comprados pela Microsoft. Como você concilia essas duas coisas? E para mim isso é um subproduto do mundo em que vivemos hoje e esse mundo está evoluindo e da estrutura em como esse acordo será executado. (…) Imagine um mundo onde em vez de olhar para gigantes como Apple, Google, Microsoft, Amazon e Facebook, e sonhar e imaginar como é operar naquela escala (…) você não precisa mais imaginar porque agora somos um deles.”

“(…) Descobri que nosso senso de propósito é muito mais parecido do que eu poderia ter imaginado. (…) Todos nós conhecemos nossa missão: conectar os profissionais do mundo para fazê-los mais produtivos e bem sucedidos. Quantos de vocês conhecem a missão da Microsoft? (…) Satya [Nadella, CEO da Microsoft] me disse que era empoderar indivíduos e organizações de todo o planeta para conseguirem fazer mais. (…) Nós vamos fazer as pessoas mais produtivas e bem sucedidas ao construir uma das maiores e mais valiosas redes profissionais.”

“Satya caracteriza a Microsoft como um recorte corporativo. Soa familiar? Quando casa o recorte corporativo com nosso recorte profissional, você pega um recorte econômico e cresce a passos largos em termos de realidade e de valores que pode criar. Pense nisso e pense em qualquer outro casamento de empresas que possa ter chegado perto disso. A resposta que eu conheço é que não há nenhum.”

Por fim, ele passa a falar sobre como o interesse dos dois pela educação também é muito comum, indicando que as empresas deverão apostar mais nesse mercado ao integrarem serviços:

“Os dias de aprender uma habilidade ou ganhar um certificado e ter um emprego para o resto de sua vida estão chegando ao fim, se já não chegaram. Então o que acontece quando você pega nossos cursos do Lynda, nosso pacote de educação, e começa a integrar profundamente com algumas das aplicações de produtividade mais populares do planeta? Que tal o Excel, PowerPoint, Word, e que tal adicionar uma nova aba dentro do escritório para educação? Imagine o que é possível.”

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