Oficina da Mesa oferece um coworking de cozinhas para independentes
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Foto: Istock/Getty Images
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Oficina da Mesa oferece coworking de cozinhas para empreendedores

Kaluan Bernardo em 13 de janeiro de 2017

Um coworking para empreendedores gastronômicos. É assim que a Oficina da Mesa, no bairro da Pompeia, em São Paulo, se define. O espaço é uma cozinha industrial, com todas as instalações necessárias — do forno ao estoque — para quem quiser criar com alimentos.

O negócio parte da seguinte tese: em algum momento, pessoas que produzem comida em casa, precisam ir para uma cozinha profissional para poder crescer; o problema é que o custo é muito alto, fazendo com que muitos não consigam dar esse salto e alavancar seu negócio. A Oficina da Mesa aparece como opção intermediária.

A cozinha tem espaço para até oito pessoas. “Caberia mais, mas limitamos para garantir que não existam tumultos”, garante Edgard Aires, cofundador da empresa. Na Oficina da Mesa, o empreendedor encontra não só o equipamento e infraestrutura técnica para produzir seu alimento, mas também espaço estocar a comida, acompanhamento profissional, rede de contatos para comprar com descontos e acesso a mentorias e oficinas para profissionalizar seu negócio.

No fim do dia, mais do que um coworking de cozinheiros, a Oficina da Mesa se posiciona como um hub, ou uma aceleradora, de pequenos negócios gastronômicos.

Tudo é cobrado por hora e o cliente escolhe os serviços de acordo com sua necessidade. Para o uso básico da cozinha, ele precisa pagar entre R$ 50 e R$ 65 dependendo do dia da semana; já o estoque de alimentos sai entre R$ 20 e $50 por semana; enquanto a mentoria pode custar R$ 70 a hora. “Estamos trabalhando com toda a cadeia da produção para garantir que o empreendedor leve mais qualidade a seus produtos”, explica Edgard.

Foco na cozinha industrial

À primeira vista, o modelo pode parecer semelhante ao da House of Food — que já apresentamos aqui. Mas é substancialmente diferente. Enquanto na House of Food o foco é no evento, na Oficina da Mesa é no empreendedor gastronômico.

Na House of Food, a pessoa aluga a cozinha por um dia e vende sua comida lá, para quem estiver na região. Você é dono de um “restaurante por um dia”. Na Oficina da Mesa, a cozinha é alugada com regularidade por pessoas que vendem por delivery para consumidores finais ou direto para empresas que finalizarão o alimento.

Entre os clientes que frequentam a Oficina da Mesa há, por exemplo, a Alegui, que vende pães artesanais, e usa o espaço todas as segundas. Outra é a Massa Verde, que vende massa fresca congelada no atacado e no varejo e usa o espaço às quintas.

Como nasceu a Oficina da Mesa

Edgard fundou o negócio em setembro de 2016 ao lado de sua esposa, Jussara Ferreira. Ele trabalhava no setor automotivo otimizando processos; ela, no de marketing. Após sair de seu emprego, o cofundador fez um mochilão e resolveu apostar em panificação. Comprou o equipamento, mas não conseguiu se resolver com a burocracia para utilizar a infraestrutura e começar a produzir.

Após congelar o projeto, foi fazer curso de Gestão de Negócios e Inovação na Fatec-Sebrae. Lá, novamente decidiu apostar em gastronomia e tentou criar sorvetes orgânicos. Novamente, foi barrado por dificuldades de infraestrutura.

Lembrou de um coworking de cozinhas inaugurado nos Estados Unidos que conheceu em 2011 quando lia uma reportagem sobre. Pesquisou mais o modelo e encontrou algumas empresas semelhantes, como a La Cucina, em San Francisco, e o Food Lab, em Detroit. Resolveu criar no Brasil também.

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Foram nove meses procurando por um espaço até encontrar as instalações na Pompeia. Pertencia a um dono de food truck, que estava indo para Portugal. “Como estava em cima da hora, eles nos venderam com todas as instalações e um bom desconto”, lembra Edgard. O espaço estava pronto para ser usado.

De lá pra cá, o negócio vem crescendo consistentemente, segundo Edgard, já paga os custos operacionais. Os investimentos dos fundadores devem retornar ainda em 2017.

Por enquanto, o foco da empresa não é em expandir, mas fortalecer a rede de seus clientes para que eles possam se profissionalizar mais. Uma ideia que estão tentando colocar em prática, por exemplo, é a de criar gôndolas em estabelecimentos só com os produtos desenvolvidos na Oficina da Mesa. Além de procurar parcerias para conseguir descontos e promover os alimentos de seus clientes.

Ainda em janeiro devem lançar um processo de pré-aceleração. “Vamos fazer o uso da cozinha entre tarde e noite para pessoas trazerem suas ideias e desenvolverem seus negócios. Elas ficarão um mês se aprimorando. Queremos que venham com uma ideia e saiam com um produto sendo vendido”, explica Edgard.

O negócio também tem rendido aos sócios oportunidades por fora, mas relacionadas à alimentação. Recentemente, foram aprovados em um edital da Prefeitura de São Paulo para ajudarem na implantação e a criar o modelo de negócios da Unidade Produtiva de Alimentação Solidária, no Jardim Edite, um empreendimento que também é uma cozinha compartilhada, mas para trabalhadores da Cooperativa Mistura & Sabores — muitos em situação de vulnerabilidade social. O espaço é cedido pela Prefeitura e tem como objetivo ajudar na geração de renda.

A ideia, segundo Edgard, é que eles também consigam empreender utilizando o espaço, de mais de 1.000 m². Por ora, o local já funciona, mas estão estudando os melhores modelos de negócio para ele.

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