Rede Asta, o artesanato sustentável por mulheres
Artesanal
Foto: Reprodução
Nova Economia > Consumo Colaborativo

Rede Asta promove o artesanato sustentável pelo empoderamento de mulheres

Camila Luz em 3 de maio de 2016

As empreendedoras Alice Freitas e Rachel Schettino encontraram uma maneira de unir artesanato sustentável e empoderamento feminino. Nas lojas físicas e online da Rede Asta, é possível adquirir produtos de decoração feitos por artesãs de regiões de baixa renda de todo o Brasil.

“Bom, bonito e do bem”. É assim que a Rede Asta se define em seu site oficial. “Bom” porque os produtos são feitos de materiais reaproveitados de qualidade. “Bonito” porque as peças são produzidas à mão, com cuidado estético. “Do bem” pela própria missão social: transformar artesãs em empreendedoras.

O negócio foi fundado em 2005 por Alice Freitas e Rachel Schettino. Empodera mulheres e seus pequenos negócios por meio de treinamentos, formação de redes de produção e criação de canais de venda. As artesãs recebem orientação de designers antenadas nas principais tendências do mercado.

socias em frente a loja em laranjeiras

As três sócias da Rede Asta – Rosane Rosa Alice Freitas e Rachel Schettino. Foto: Divulgação

Os materiais usados são conseguidos, em sua maioria, pela doação de indústrias parceiras. Em geral, são jornais, tecidos, banners, garrafas PET e outros produtos que dão origem a almofadas, bolsas, acessórios e produtos de decoração para vários ambientes.

Artesanato sustentável para empresas

Segundo Alice Freitas, a sustentabilidade é um dos pilares principais da rede.  As lojas online e físicas (em Ipanema e Laranjeiras, no Rio de Janeiro) vendem produtos sustentáveis, feitos ou não de resíduos.

Outra técnica usada pela rede é o upcycling, que consiste no reaproveitamento de resíduos para criar um produto novo, sem destruir a matéria-prima. “Mais de 90% dos itens vendidos no atacado e no varejo da Rede Asta são feitos por upcycling”, conta  Alice. Ela e a sócia Rachel viram no uso de materiais descartados por empresas uma oportunidade de impulsionar o negócio.

A Rede Asta usa os resíduos produzidos por companhias para fabricar brindes. 30 de lona dos postos Ipiranga foram transformados em presentes para os clientes. Uniformes da Oi, que seriam incinerados, foram convertidos em bolsas para os funcionários.

Essa foi uma maneira de valorizar a produção brasileira. Nesse ramo, o mercado é dominado pelos chineses, que produzem brindes corporativos a preços muito baixos.

Ao começar a vender para empresas, a Rede Asta ampliou seu mercado e cresceu. Com a nova estratégia, conseguiu fazer até 30 mil peças para uma única demanda, movimentando 19 grupos em diferentes cidades ao mesmo tempo.

Trajetória de Alice

Alice Freitas se formou em direito e relações internacionais. Aos 23 anos, seguia carreira em uma multinacional. Mas não era esse o caminho que fazia seus olhos brilharem. “Sou muito inquieta, não estava satisfeita com o jeito como as coisas estavam acontecendo”, conta.

“Ia acabar como jovens de classe média acabam, como diretora ou CEO. Eu era muito nova, queria experimentar coisas novas”, revela. Foi então que, a convite da amiga Renata, pediu demissão e foi viajar pelo mundo.

Junto da amiga, criou o projeto Realice, cujo objetivo era catalogar iniciativas na área de educação, saúde e geração de renda para compartilhá-las em um banco de dados de livre acesso. Em quatro meses, passou por Bangladesh, Índia, Vietnã e Tailândia. Conheceu 12 projetos sociais diferentes.

“Essa viagem mudou a minha vida. Antes dela, tinha intenção de ser diplomata. Mas achava que podia fazer mais”, conta. Para Alice, o sentido de obter sucesso na vida mudou. “Não era mais fazer carreira em uma grande corporação. Passou a ser fazer o que sabia para mudar a vida de outras pessoas e impactar a sociedade de forma positiva. Uni ferramentas e saberes de empresas e ONGs para trabalhar com a geração de renda”, explica.

Quando voltou para o Brasil, se separou de Renata, que voltou para o mercado de trabalho. Alice começou a trabalhar no Grupo Cultural AfroReggae, uma experiência que a estimulou ainda mais a trabalhar com geração de renda.

Em 2005, se juntou a Rachel Schettino para novas experiências nesse sentido. Primeiro, capacitaram um grupo de 30 mulheres em uma cooperativa de catadoras que faziam artesanato com jornal. O processo ocorria pela venda direta: Rachel saia com uma bolsa cheia de produtos vendendo para lojas de decoração.

Por quatro anos, a Rede Asta trabalhou com esse sistema. Depois, as sócias descobriram incompatibilidades entre o modelo de venda direta seu sistema de produção. “Em 2013, abrimos outros canais, para impulsionar nossas vendas e atender mais grupos de artesãs”, explica.

Em 2015, a renda gerada para os grupos de artesãs foi de R$ 917 mil. O modelo de trabalho da Rede Asta foi reconhecido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Ele mereceu destaque por ser viável financeiramente ao integrar negócios que respeitam o meio ambiente e promovem a inclusão social.

Hoje, são três sócias tocando o negócio: Alice (diretora executiva), Rachel (diretora de mercado corporativo) e Rosane (diretora de varejo e desenvolvimento de produtos).

Quer mudar o mundo por meio de negócios sociais? Alice dá as dicas

Alice dá alguns conselhos para quem deseja se aventurar pelo mundo dos negócios sociais. “Se prepare financeiramente. Diminuí drasticamente meus custos de vida, tive o apoio da minha família e não tive medo de trabalhar. Fiz vários bicos”, conta. “Demorou dois anos e meio para que nós começássemos a ganhar salário. Investimos do próprio bolso”, explica, se referindo também à sócia Rachel.

Para Alice, algumas pessoas não se encaixam no perfil de trabalhar com negócios sociais. “Se você deseja ter muito dinheiro e bens materiais, esse não é seu caminho. Mas se você acha que pode ser feliz ganhando o suficiente e ajudando os outros, o negócio social é para você”, opina.

Na opinião da empreendedora, o mundo ainda não está preparado para esse tipo de negócio. Por isso, experimentar é preciso. “O que importa é o caminho, não a chegada. Precisamos ajudar a preparar o mundo e precisamos estar preparados para a demora do retorno. Sobretudo, devemos ser resilientes. E não desistir”, conclui.

Você gostaria de trabalhar com artesanato sustentável, ou com negócios sociais? Conte para a gente.

 

Gostou deste post? Que tal compartilhar:
Últimos
Trend Tags
Array ( [0] => 76 [1] => 222 [2] => 237 [3] => 115 [4] => 17 [5] => 238 [6] => 92 [7] => 125 [8] => 173 [9] => 16 [10] => 276 [11] => 25 [12] => 157 [13] => 66 [14] => 67 [15] => 62 [16] => 153 [17] => 127 [18] => 12 [19] => 19 [20] => 187 [21] => 69 [22] => 154 [23] => 175 )
Vídeos
Copyright © 2016 Free the Essence