Restaurantes, bares e bibliotecas se tornam coworking
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Restaurantes, bares e bibliotecas se tornam coworking

Kaluan Bernardo em 29 de julho de 2016

Um dos princípios da Economia Compartilhada é que nós não usamos aquilo que temos o tempo todo. E que, por isso, quando não está sendo útil para nós, pode ser para outra pessoa. Então você aluga ou empresta seu carro ou sua casa. E se a ideia também fosse aplicada em lugares que podem se transformar em espaços de trabalho como coworkings?

Algumas startups têm abraçado essa ideia. Uma delas é a estadunidense Spacious, que transforma restaurantes em coworkings. Na maioria das vezes, esses lugares ficam cheios em apenas dois momentos: no período do almoço e no do jantar. No resto do tempo, até pode ser que os chefs estejam na cozinha preparando refeições, mas as várias mesas estão lá vazias.

restaurante usado como coworking com pessoas setadas na mesa com computadores

Um dos restaurantes usados pelo Spacious em Nova Iorque. Foto: Reprodução/Facebook

A ideia da Spacious é que as pessoas possam ocupar essas mesas vazias e trabalhar nelas. E nem precisa de muita estrutura para isso: apenas boa internet, café, água e forte estrutura de energia.

A empresa já está funcionando em três restaurantes em Nova York, cada um disponibilizando 180 lugares. Cada membro paga US$ 95 por mês, o equivalente a R$ 308 na cotação atual, para poder usar o espaço quando ele não estiver operando como restaurante.

E o dono do estabelecimento também ganha. “Nossos clientes se transformam nos clientes deles [os restaurantes], e os clientes deles se tornam os nossos”, diz Preston Pesek, fundador da Spacious, em entrevista ao site Eater.

Há muito espaço para expandir: há mais de 24 mil restaurantes na cidade. Mas a Spacious ainda pretende ir também para San Francisco, Los Angeles e Londres — fazendo parceria com um restaurante por vez.

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A ideia é parecida com a do The Pub Hubs, que funciona em Tel Aviv, capital de Israel. A diferença é que eles não trabalham com restaurantes, mas com bares — que só abrem depois das 17h. Por uma mensalidade equivalente a 500 Novo Shekel de Israel (NIS) ou ainda US$ 130 e aproximadamente R$ 425 na cotação atual, a pessoa tem espaço, internet, impressora e, é claro, descontos no bar. Afinal, o Happy Hour é muito mais convidativo quando você já está lá dentro.

Você também pode transformar seu escritório em coworking

Há ainda a possibilidade de compartilhar o espaço ocioso em seu escritório, transformando-o em uma espécie de coworking. Pelo menos essa é a proposta de uma startup chamada ShareDesk, que permite alugar uma mesa, uma estação de trabalho ou uma sala inteira.

sala com mesa branca e computador

Um dos espaços do Sharedesk em Berlim. Foto: Reprodução/Facebook

A ideia é que empreendedores consigam aproveitar melhor o espaço ao passo em que dividem os custos e tornam o aluguel mais viável. A empresa funciona em mais de 690 cidades em 40 países, incluindo o Brasil — com Belo Horizonte, Campinas, Curitiba, Florianópolis, Maringá, Muriaé, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.

Outra opção é a Deskify, que funciona de maneira semelhante em São Paulo. A ferramenta ainda tem  filtros que permitem que a pessoa escolha “aberto 24 horas”, “acesso ao wifi”, “animais são aceitos”, “sala de reunião”, “estacionamento” e outros.

Bibliotecas também podem se tornar espaços de coworking

Em 2013, uma biblioteca dos Estados Unidos, a Richard Library, no estado de Carolina do Sul, resolveu transformar um espaço que estava cheio de poeira em um coworking. Rapidamente a frequência no local aumentou e levantou discussões sobre qual o novo papel das bibliotecas.

Em São Paulo, por exemplo, muitas delas já funcionam como uma espécie de coworking gratuito. Locais como o Centro Cultural de São Paulo ou a Biblioteca Mário de Andrade recebem, diariamente, centenas de pessoas com computadores dispostas a trabalhar mais focadas em um local silencioso.

pessoas sentadas em mesas estudando na biblioteca do centro cultural são paulo

Biblioteca do Centro Cultural São Paulo. Foto: Reprodução/Facebook

A revista Fast Company publicou há algum tempo uma reportagem que discute o novo papel das bibliotecas e suas possibilidades como espaços de trabalho. Michael White, de um grupo chamado Cidadãos Defendendo Bibliotecas, argumenta que elas não podem perder sua identidade. “É válido bibliotecas terem seus espaços de trabalho. Mas não podemos pegar uma biblioteca e transformá-la em um Starbucks apenas repetindo algo que já temos de monte por aí”, comenta.

Já o presidente da Biblioteca Pública de Nova York defende que “bibliotecas devem oferecer acesso livre a informações e espaço físico para se envolver com a vida mental, seja para criar um novo negócio ou pensar em um novo livro”.

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