Entenda como a revitalização pode prejudicar a diversidade de um bairro
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Entenda como a revitalização pode prejudicar a diversidade de um bairro

Camila Luz em 4 de setembro de 2016

Revitalizar um bairro significa fazer melhorias em seu espaço público para elevar a qualidade de vida da população. Muitas vezes, esse processo aumenta o custo de vida na região, tornando-a “para as elites”. Moradores que têm menos condições precisam deixar suas casas.

O processo que transforma um bairro em um local para a elite é chamado de gentrificação. Benjamin Grant, designer urbano da ONG SPUR, que tem como objetivo construir uma cidade melhor, diz que esse termo é usado para descrever diferentes fenômenos. Benjamin explica ao site WYNC.

São processos relacionados pelos quais montes de pessoas ricas, normalmente brancas, mudam para um bairro que foi historicamente habitado pela classe operária ou por negros.

Quando o processo de revitalização vira gentrificação, os preços começam a subir e os antigos moradores não têm alternativa a não ser se mudar. Assim, a cidade fica segregada: há bairros com ruas seguras, opções culturais, áreas verdes e aparência convidativa. Quem habita esses espaços são pessoas com boas condições financeiras. Camadas de menor pode aquisitivo continuam vivendo nas regiões menos seguras e com menor qualidade de vida.

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Revitalização X Gentrificação

Revitalização e gentrificação são, portanto, conceitos diferentes. A primeira está relacionada ao “placemaking”, que surgiu de ideias inovadoras criadas por escritores como Jane Jacobs e William H. Whyte na década de 60. Eles acreditavam na criação de cidades que realmente atendessem as necessidades das pessoas.

Gentrificação, por outro lado, foi definida pela socióloga britânica Ruth Glass em 1964 para descrever o fluxo de pessoas da classe média que desloca moradores de classe baixa de bairros urbanos. Os serviços oferecidos, como escolas, supermercados e hospitais, vão ficando mais caros, o que obriga quem tem menor poder aquisitivo a se mudar.

Por um lado, a gentrificação é benéfica para a cidade. Crimes são reduzidos, há mais investimento em infraestrutura e novas atividades econômicas passam a se desenvolver. Infelizmente, apenas alguns moradores têm dinheiro suficiente para aproveitar esses benefícios. O resultado negativo é a marginalização, que constrói bairros pouco diversos racialmente e culturalmente falando.

Como evitar a gentrificação

A revitalização se torna perigosa quando os moradores não estão envolvidos nas decisões que transformam o lugar onde vivem. A gentrificação costuma ser guiada por interesses econômicos. Serviços elitizados se expandem para novos pontos quando bairros de classe média e alta estão saturados da habitantes.

rua ainda não asfaltada com casas ao lado

Foto: Istock/Getty Images

Quando o governo coloca interesses econômico na frente das necessidades da comunidade, ela sai prejudicada. Por isso, seu papel é importante nesse processo. De acordo com Benjamin Grant, novas ondas de investimento podem ser interessantes para áreas urbanas, desde que tragam melhorias na segurança pública, além de parques e escolas públicas que beneficiem a todos. “Há muitas camadas nas quais a política pode agir”, diz. “Os atores mais importante são, provavelmente, planejadores urbanos e departamentos de desenvolvimento econômico”, explica.

Além do governo municipal, Grant diz que agentes estaduais e federais podem evitar o deslocamento de comunidades mais pobres concedendo financiamento de crédito para habitação a preços acessíveis. Além disso, é importante gerir o dinheiro público para garantir grandes projetos de infraestrutura que beneficiem mais pessoas, e não só uma pequena parcela da população.

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