Uber em xeque: por que a empresa está sendo questionada
Using Uber app in a car
Foto: iStock/GettyImages
Nova Economia > Consumo Colaborativo

Uber em xeque: entenda as polêmicas com a empresa

Kaluan Bernardo em 19 de março de 2017

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Poucas startups do Vale do Silício no século 21 tiveram um crescimento tão impressionante como a Uber. Com dezenas de investimentos milionários, a empresa conquistou mercados no mundo todo, enfrentou o status quo e as regulações dos mais diferentes países e inspirou diversos outros empreendedores.

Sua trajetória, porém, não é unânime. Cheia de controvérsias, a empresa parece ter atingido o auge de suas polêmicas em 2017, quando, semana após semana, a companhia aparece no noticiário pelos piores motivos. Acusações de machismo, de negligência com denúncias de estupro, espionagem para operar na ilegalidade, precarização de trabalho e práticas de mercado agressivas fizeram com que o Uber fosse colocado em xeque e as pessoas questionassem até que ponto, de fato, a inovação do Uber se justifica

Para que você possa acompanhar as discussões e entender qual o contexto em que o Uber surgiu e qual ele se encontra hoje, preparamos um pequeno guia com o que é necessário saber sobre as controvérsias da empresa.

Como o Uber surgiu e o que ele oferece

O Uber foi criado em 2009 por Garrett Camp e Travis Kalanick. Originalmente, a empresa se chamava UberCab e pretendia ser apenas um serviço de táxi de luxo. Em inglês, “uber” é uma palavra usada para serviços e produtos topo de linha.

O Uber é um aplicativo que conecta motoristas a passageiros. Hoje, indo muito além das opções de luxo, ele oferece diversas modalidades de serviço, mas todas com a mesma lógica: o usuário chama um motorista pelo seu smartphone; o motorista busca o cliente e leva ao seu destino. A empresa fica com uma porcentagem do valor pago e o motorista arca com todos os custos.

Os motoristas não possuem vínculo empregatício. Eles podem usar o serviço quando quiserem. Também não há preço físico, ele é calculado por uma tarifa dinâmica, que calcula a demanda e oferta de carros onde a pessoa estiver pedindo.

Em seu aplicativo, o Uber oferece algumas modalidades, como o UberX, com carros populares; e o Uber Black, com carros pretos e de luxo. Há UberPool, no qual passageiros em regiões próximas podem compartilhar a mesma viagem e, com isso, diminuir o valor da corrida. Criado em 2014, o UberEats é voltado para entrega de comida. Nesse caso, o serviço normalmente é oferecido por motoqueiros, mas motoristas também podem prestar.

Em outros países o Uber ainda tem outros serviços, como o Garage, no qual faz diversos experimentos com transporte público; e o Uber Rush, para entregas postais.

Embora tenha sido criada em 2009, foi só em 2011 que a empresa passou a se expandir para além da Califórnia e em 2012 que começou a ir para fora dos Estados Unidos. No Brasil, a empresa chegou apenas em 2014.

Quanto vale o Uber e como ele se tornou uma das principais startups do momento

Em junho de 2016, o Uber recebeu US$ 3,5 bilhões de aporte do Fundo Público de Investimento da Arábia Saudita. Com o montante, a empresa foi avaliada em torno de US$ 62,5 bilhões.

Para efeito de comparação, o Facebook comprou o Instagram em 2012 por US$ 1 bilhão. Em 2014, o Facebook comprou o WhatsApp por US$ 19 bilhões.

Mas a ascensão da empresa está hoje em xeque. Em dezembro, o site Bloomberg noticiou que nos primeiros nove meses de 2016 a empresa teve US$ 2,2 bilhões em prejuízos. Parte dos prejuízos, segundo a Bloomberg, se devem a decisão da empresa desistir de entrar no mercado chinês, que é controlado pela Didi Chuxing, sua rival. Mas, para além das operações chinesas, o Uber também enfrenta polêmicas nos mais diferentes países – o que também mina seu crescimento.

As polêmicas que envolvem o Uber

Sexismo

Desde o início, o Uber é conhecido como uma das empresas com cultura mais agressiva do Vale do Silício.

Há diversas acusações de a empresa promover uma cultura sexista com seus funcionários. A denúncia mais recente é de uma ex-engenheira da empresa, Susan Fowler, que afirma que o Uber foi negligente com casos de assédio e que promovia um ambiente tóxico para mulheres. Ela diz que, na equipe de engenheiras, o número de garotas caiu de 25% para 3% em um ano.

A publicação logo fez com que o CEO da empresa, Travis Kalanick, publicasse um comunicado afirmando que iria investigar as acusações e que a conduta dos funcionários não era aceitável. A empresa acumula diversas acusações relacionadas a machismo.

Em 2016, o BuzzFeed publicou documento afirmando que haviam mais de 5.827 denúncias de estupro. A empresa respondeu que muitas vezes se tratava de erros de digitação. Em inglês, as pessoas confundiriam ‘rape’ (estupro), com ‘rate’ (avaliação). Há motoristas na plataforma que já foram acusados de terem praticado 32 estupros em um ano.

Sarah Lacy, jornalista do Pando, um site que cobre o Vale do Silício, publicou uma série de reportagens denunciando condutas machistas do Uber. Em 2014, ela publicou um relato afirmando que a empresa ameaçou ela e sua família na tentativa de silencia-la.

Protestos

Utilizando o discurso da economia compartilhada, o Uber propõe um modelo disruptivo em relação a modelos pré-estabelecidos, como o dos táxis. Além de ameaçar todo um mercado pré-existente, o Uber questiona as leis dos mais diferentes países e cidades, que não o consideravam um serviço do tipo. Em São Paulo, por exemplo, a empresa travou uma longa briga com taxistas até que a prefeitura, após uma consulta pública, propusesse um modelo de regulação.

Longe de ser uma exclusividade no Brasil, a empresa enfrentou protestos de taxistas em cidades como Toronto (Canadá), Londres (Inglaterra), Roma (Itália), Bruxelas (Bélgica), entre outros. O jornal Telegraph traz uma compilação de fotos de protestos contra o Uber ao redor do mundo.

Os debates fizeram com que diversas propostas de regulação em relação ao Uber e aplicativos similares fossem testadas ao redor do mundo. Entre as soluções, há a de cobrar impostos sobre as viagens; exigir que os dados de deslocamento sejam compartilhados com o poder público; dar vantagens a taxistas; oferecer vínculo empregatício aos motoristas; entre outros. O jornal Nexo compilou algumas das propostas ao redor do mundo também.

Entre as discussões, estão as acusações de motoristas, que afirmam serem desprezados pela empresa, que não oferece nenhum tipo de proteção formal. No vídeo abaixo, um condutor do serviço discute com o CEO da empresa, afirmando que ele foi à falência graças ao Uber. Dias depois, o executivo pediu desculpas pelo episódio e disse que ele precisava crescer.

Privacidade

O Uber também tem sido acusado de espionar seus usuários para driblar autoridades e continuar operando em lugares onde é ilegal.

Segundo reportagem do The New York Times, a empresa usa um software chamado Greyball para coletar dados dos clientes e identificar quando a pessoa que chamou o carro é um policial. A prática teria sido usada em cidades como Boston, Paris, Las Vegas, além de países como Austrália, China e Coreia do Sul.

Além de desrespeitar as leis locais, a empresa foi acusada de violar a privacidade de seus clientes. Em resposta ao jornal, o Uber disse que apenas evitava usuários que estavam desrespeitando a política de uso do serviço.

Preço dinâmico

O algoritmo do Uber que calcula um preço de acordo com a oferta e demanda da região também causou uma série de controvérsias, principalmente em momentos tensos. A empresa, por exemplo, permitia que o preço dinâmico valesse em casos de desastres naturais. Há dois anos o Uber teve que finalizar essa política.

Apesar disso, a empresa permitiu que o preço subisse em outras situações de emergência, como em um atentado em Nova York no ano de 2016. Após diversas críticas, o Uber mudou o app. Embora a prática continue funcionando, a empresa não mostra mais quão mais cara está uma viagem em relação ao padrão. Algo que deve causar mais polêmicas muito em breve.

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