Bruna Castro largou a publicidade para aprender com a estrada
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Bruna Castro largou a publicidade para aprender com a estrada

Kaluan Bernardo em 30 de julho de 2017

Deixar emprego para trás, juntar dinheiro e viajar o planeta sem saber o que virá. Não é uma missão fácil nem romântica. Mas foi assim que Bruna Castro, 29 anos, decidiu viver: se perder no mundo para se encontrar na vida.

O trabalho como publicitária é passado. Do último ano para cá, ela está por aí, sempre viajando. Espanha, Turquia, Alemanha França, EUA, mas também por diversos lugares do Brasil. A pausa, segundo ela, foi essencial para entender quem era e o que queria na vida.

Deixando a profissão para trás…

O desejo de viajar nasceu com anos trabalhando sobrecarregada. Além de emprego em agência de propaganda, Bruna morava e mantinha um espaço cultural colaborativo em Curitiba, no qual outras pessoas trabalhavam e dormiam. Não fosse suficiente, ainda tinha diversos projetos paralelos na internet. “Era insano. Fazia dupla, tripla jornada”, comenta.

Foi aí que percebeu que algo estava errado e que precisava mudar. Foram três anos até tomar coragem. “Não foi repentino, foi planejado”, declara. Os maiores sinais vinham do seu corpo, sempre doente – seja com gripe, dor nas costas e nas pernas, problemas de circulação. “Demorou muito tempo para entender que meu corpo estava falando para diminuir o ritmo”, lembra.

Bruna fazia o que fazia porque sentia que precisava provar pra si mesma que era capaz. “Me sentia vaidosa em relação com as conquistas”.

Bruna, então, encarou o medo de ficar sem dinheiro diminuindo seus gastos ao máximo. As contas eram fechadas com os pagamentos dos tradicionais “freelas”.

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No dia 6 de setembro de 2016, ela fez mala e partiu para uma fazenda em Minas Gerais. Lá fez uma permuta: ajudou a criar a comunicação de suas instalações culturais e, em troca, ganhou hospedagem. “Foram 20 dias bem isolada, com muito tempo pra pensar na vida”, conta. Foi nesse tempo que fez as contas, vendeu tudo o que tinha e se jogou no mundo.

… e começando a aprender na estrada

Com a mochila nas costas, Bruna comprava as passagens de avião que estivessem em promoção e ia para cidades onde alguém pudesse hospedá-la.

Ela diz que tem valido a pena, principalmente pelo aprendizado. “Tenho me entendido como pessoa antes de me enxergar como profissional”, conta. “Foi muito importante me esvaziar”.

“Nessas viagens em que eu estava sozinha com minha mochila, sem amigos, família, referência ou casa, comecei a prestar atenção em qual era a história que eu contava de mim e para as pessoas que cruzavam meu caminho”, relata. Percebeu que suas roupas bonitas, quem ela conhecia e seu passado profissional não importavam mais. O que ela tinha a apresentar era apenas sua essência, recém descoberta. “Como é se despir dessas narrativas que contamos ou visualmente ou por nossos projetos? O que sobra? Na verdade, não é o que sobra, é o que você é”, provoca.

Bruna Castro

Foto: Reprodução

O caminho, no entanto, não é fácil. “Parece muito romântica essa ideia de ‘largou tudo e foi viajar’. Não é assim. Chorei muitos dias. Senti falta de ter uma casa, um quarto, um lugar para fechar a porta. Nesse período de viagens, não sei em quantas casas eu fiquei”, diz.

Ela conta ainda que, em alguns momentos, se sentiu vazia demais. Mas sente-se muito mais calma e não se arrepende em momento algum de pegar a estrada. É uma questão de escolher qual luta você quer enfrentar. “Tudo tem problemas, mas qual tipo de problemas você quer ter? Escolhi que falta de tempo não seria um, mas encaro a falta de dinheiro. Temos que escolher as delícias e amarguras da vida”, defende.

Bruna não contou com apoio financeiro de ninguém. “Dinheiro é sempre um tabu nessas histórias de transformação”, diz. Para quem sente que é hora de desplugar-se da vida, a dica de Bruna é essa: planeje-se. Segundo a viajante, é no planejamento que conhecemos nossos sonhos e colocamos as coisas em perspectiva.

Bruna escreve cartas para si para voltar a lê-las no futuro. Constantemente percebe que está vivendo justamente o que ela já procurava. “É importante anotar as palavras e reler o que a gente fez. Porque aí você valoriza o que conquistou. Caramba… isso era um sonho! Quase que me esqueci. É muito bom escrever a carta para o futuro, porque você relativiza o problema e o tempo. Vê como era grande o problema há um ano e hoje não é mais. Somos muito imediatistas”, completa. É que para alguns, a estrada é a melhor escola para a vida.

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