Cineastas mulheres que estão mudando a cara da pornografia
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Erika Lust. Foto: Reprodução/Facebook
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Cineastas mulheres que estão mudando a cara da pornografia

Emily Canto Nunes em 12 de agosto de 2016

O que não falta na pornografia são mulheres. Curvilíneas, peitos duros de silicone e bunda empinada, cabelos sedosos e olhos sedentos por sexo, mulheres sempre prontas para dar prazer ao parceiro e dispostas a realizar todo tipo de fantasia sexual. O que falta na pornografia são mulheres reais, que gostam de sexo explícito sim, mas que também gostam de sexo dentro de um contexto feminino em que o prazer da mulher também é protagonista, não apenas seu corpo enquanto objeto.

É nessa onda boa de empoderamento feminino que vem surgindo um sem número de cineastas, grande parte feministas, que fazem pornografia não apenas para mulheres, mas também para elas (e eles), distanciando-se da pornografia tradicional em que só o prazer do homem parece contemplado. Afinal, mulher gosta de sexo, sim.

Cineastas que estão mudando a cara da pornografia

Erika Lust

Referência quando o assunto são filmes pornográficos que colocam o prazer da mulher no centro da questão, Erika Lust é uma cineasta sueca que acumula prêmios na área. “The Good Girl”, seu curta de estreia, feito de maneira experimental, foi lançado em 2004 e distribuído gratuitamente pela internet. Em poucos meses, alcançou a marca de dois milhões de downloads, levando o prêmio de melhor curta metragem no Festival Internacional de Filme Erótico de Barcelona. Em 2008, ganhou menção honrosa no Cinekink do Festival de Nova York, e também o troféu de filme do ano no Feminist Porn Awards de Toronto, importante prêmio da área.

erika lust sentada em bar com camiseta escrito "power pussy"

Erika Lust. Foto: Reprodução/Facebook

Em uma entrevista recente à revista Marie Claire, Erika contou o que sentiu ao ver filme pornô: “Quando vi um pela primeira vez, me senti excluída. A mulher era apenas um objeto. Fiquei incomodada, frustrada”. Ao jornal Globo, a cineasta foi além, e criticou os filmes que são supostamente feitos para o sexo feminino, mas por pessoas do sexo masculino: “Há um erro clássico dos filmes para mulheres, mas feitos por homens: eles acham que gostamos de soft porn, sem cenas explícitas, mas com história romântica, dançarinos de tango, pessoas bebendo champanhe, espiões, sexo em frente à lareira… Baboseira! Tudo é delicado, como se mulheres fossem princesas da Disney. Meus filmes são sobre sexo de verdade”, disse.

De fato, verdade é uma das grandes premissas do atual trabalho de Erika. Desde 2013, a diretora está à frente do projeto XConfessions, uma série de curtas online baseados em relatos de pessoas comuns que contam suas histórias mais picantes para Erika por meio do site. As melhores são transformadas em vídeos que podem ser adquiridos em sua plataforma. (No site de cineasta você pode se inscrever para receber a newsletter e ainda ganhar um filme de graça. Na página do XConfessions também. Fica a dica.)

Jacky St. James

Foi só depois de 2011, após vencer um concurso da famosa produtora de filmes pornográficos New Sensations com roteiro de “Dear Abby” que Jacky St. James entrou para o mercado do sexo. Em menos de cinco anos, no entanto, Jacky já foi indicada para 22 prêmios, tendo ganhado sete, como indica reportagem de 2015 do site Salon.

Aos 40 anos, Jacky ficou conhecida por ser feminista assumida e por criar papéis femininos fortes que celebram a complexidade e a independência da mulher. É o caso de “The Submission of Emma Marx”(A Submissão de Emma Marx, na tradução livre), obra inspirada em “50 Tons de Cinza”, só que ao contrário, e que já ganhou uma continuação, “The Submission of Emma Marx II: Boundaries” (A Submissão de Emma Marx II: Fronteiras, na tradução livre).

Sobre a referência, Jacky diz que não conseguiu se identificar com a personagem original, “que parecia uma homenagem às mulheres de 1800 que são fracas, patéticas, são atacadas por um homem e se apaixonam por ele”.

Lucie Blush

A francesa radicada em Berlim Lucie Blush é uma jovem de nem 30 anos que não apenas dirige filmes pornográficos, como escreve e atua enquanto performer. Toda a sua produção pode ser encontrada em Lucie Make Porn. No site, ela escreve o que parece ser um manifesto de outras tantas cineastas.

Lucie Blush com braço levantdo na frente de estante verde

Lucie Blush. Foto: Reprodução/Twitter

“Por que reduzir as relações sexuais a um ato mecânico? Prazer verdadeiro, mulheres empoderadas, corpos naturais, homens que não são máquinas… Isto é o que eu quero ver no pornô”. Lucie também fala em pornô feminista. Para ela, a pornografia mainstream é particularmente prejudicial para as mulheres e sua sexualidade. “Somos as únicas passivas. As vagabundas que querem desesperadamente chupar os paus dos caras horríveis”, critica. Para Lucie, uma pornografia feminista é uma espécie de pornô que respeita os atores, os personagens e o público. Isso inclui oferecer um bom ambiente de trabalho e uma constante busca por prazer, para todos, bem como de uma boa remuneração.

“Muitas feministas condenam a pornografia, mas eu acho que é saudável. É apenas sexo! Todo mundo gosta dele, não é? E de observa-lo. É só que precisamos oferecer mais e tipos diferente de pornografia. Não podemos criticar a pornografia se não tentarmos melhorá-la antes. Além disso, sendo a favor da pornografia você está mostrando que as mulheres têm necessidades sexuais também. Como os homens, temos uma sexualidade profunda e intensa que precisamos explorar e desfrutar. Eu não estou condenando o pornô mainstream, só estou dizendo que é apenas uma perspectiva, e é hora das mulheres darem a delas também. Isso não significa que há um pornô para as mulheres e outra para homens. Eu discordo completamente disso. Mas há muitas maneiras diferentes de retratar o sexo e de fazer o público ter uma boa experiência”.

Petra Joy

A alemã Petra Joy ganhou sua primeira câmera fotográfica quando tinha seis anos. Desde então, nunca mais saiu desse universo. Como cineasta, trabalhou por mais de duas décadas na TV. Como acadêmica, é mestre em história e estudos em Cinema. Desde 2004, vem produzindo filmes eróticos em uma perspectiva feminina, histórias baseadas em suas próprias fantasias ou de colaboradoras.

Petra Joy segurando claquete ao lado de câmera

Petra Joy. Foto: Reprodução/Facebook

Em seu site, ela deixa clara suas missões enquanto cineasta: “1) Sou uma artista do sexo-positivo; 2) Minha pornografia gira em torno de prazer feminino; 3) Faço pornografia agradável e ética; 4) Acredito que pornografia focada no sexo feminino pode fazer a diferença; 5) Não faço pornô que vá além dos limites”. De forma bem direta, Petra diz opta por não retratar quaisquer ações sexuais que muitas mulheres experimentem como degradante, como o sexo oral forçado (o tradicional movimento do homem segurando a cabeça da mulher), sexo anal extremo e ejaculação na cara da mulher.

O corpo é uma questão importante para Petra, que faz filmes dentro de uma “zona livre de silicone” para mostrar a variedade de corpos em vez de apenas uma mulher ideal. Os homens que aparecem nos seus filmes não são escolhidos pelo tamanho do seu pênis, mas pela sua capacidade de dar aos seus parceiros o prazer sexual, seja homens ou mulheres. Tanto que Petra defende que exista um cultura de pin-up do sexo masculino dirigida às mulheres, e por isso gosta de mostrar os corpos dos homens. Ela também abraça tabus como a bissexualidade masculina e a próstata como uma zona erógena para os homens heterossexuais. Petra também respeita o gozo verdadeiro, ou seja, do outro lado da câmera espera seus atores sentirem prazer ao invés de pedir que eles finjam. “Quero capturar a genuína química sexual”, diz em seu site.

“Embora alguns tenham descrito os meus filmes como ‘pornô para as mulheres’, eu prefiro o termo ‘pornografia a partir de uma perspectiva feminina’, afinal de contas, eu quero que todos gostem do meu trabalho e vejam que a pornografia alternativa e ética não é apenas para as mulheres”, afirmou.

Ms. Naughty

Louise Lush era bibliotecária e jornalista até começar a trabalhar para um site de contos eróticos chamado For the Girls. Depois de 10 anos, criou o próprio blog, Ms. Naughty, e começou a dirigir e editar seus próprios filmes. Ao contrário da maioria das diretoras, Ms Naughty não gosta de aparecer e fica o tempo todo atrás das câmeras. Seu site, o Bright Desire, é um dos mais visitados por mulheres na internet.

Tristan Taormino

Tristan Taormino é americana e combina pornografia com educação sexual em seus trabalhos. Além de filmes, ela dá aulas e palestras, e publica artigos e livros sobre o tema. Em suas obras, o sexo seguro e o empoderamento feminino estão sempre presentes. Ela também é fundadora da Pucker Up, uma revista online sobre sexo, onde as produções que faz sob o selo Smart Ass Productions estão disponíveis.

E o Brasil na pornografia atual?

O Brasil também tem suas representantes nessa nova pornografia. Jully DeLarge começou atuando em filmes pornôs e hoje produz seus próprios curtas com o marido Nick para o canal Safada.tv. A produtora Vida Libertina define-se no site de vídeos online: “que a vida seja deslumbrante. O prazer, nosso maior aliado, não deve ser negado, deve ser explorado. Não há moral que iniba nossos instintos. Somos bichos soltos, seres livres sedentos pela satisfação de estarmos vivos. Expandimos nossos desejos,que não mais cabiam nas barreiras de concreto. Prazer pervertido, prazer não mais contido. Este é o nosso universo. Porque nossa vida é libertina!”. Jully DeLarge também faz parte do Xplastic AltPorn, um site de entretenimento para adultos.

Também brasileira, May Medeiros é sócia e produtora da LuzVermelha.TV. No portfolio da empresa estão programas como Pornolândia, da atriz conhecida por suas pornochanchadas, Nicole Puzzi, e produções de ficção para o site Xplastic AltPorn. May também faz parte do PopPorn, um festival de cinema pornô, desde a sua idealização.

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