Daniel Mattos e o marketing do sorriso no rosto da Smile Flame
Daniel Mattos Smile Flame
Daniel Mattos é sócio e fundador da Smile Flame, empresa de marketing social. Foto: Divulgação
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Daniel Mattos e o marketing do sorriso no rosto da Smile Flame

Emily Canto Nunes em 3 de maio de 2016

Como vários jovens que entram na faculdade em busca de uma profissão, Daniel Mattos, 29 anos, também sonhava em se realizar por meio dela. Formado em publicidade e propaganda desde 2010, Daniel queria ser o melhor diretor de arte possível: primeiro do Rio Grande do Sul, depois do Brasil, e aí ser tão bom a ponto de morar fora e trabalhar em uma grande agência estrangeira. Mas, ainda em Porto Alegre, Daniel percebeu que não era nada disso e trilhou uma caminho diferente até finalmente criar a Smile Flame, empresa com foco em marketing social.

“Era sempre assim: eu não estou extremamente feliz porque não estou numa agência maior. Daí eu ia para uma maior. Na seguinte eu pensava que não estava extremamente feliz porque precisava ir para uma agência maior com clientes maiores. Até que cheguei na maior agência do Rio Grande do Sul e percebi que sentia uma desconexão muito forte entre a empresa [que atendia] e a comunicação que essa empresa fazia com o consumidor para quem ela vendia seu produto ou serviço. E aquilo era muito estranho porque o cliente é quem dá sustentabilidade financeira ao negócio, então ele é nosso amigo, e se ele é nosso amigo, temos que tratá-lo bem, de forma transparente, horizontal. E não era assim”, conta.

Na época em uma das maiores agências do Sul e trabalhando com clientes nacionais, Daniel começou a pensar em projetos com outro viés para seus clientes, que dessem benefícios claros aos consumidores, mais ligadas ao marketing social. E muito embora suas ideias fossem bem recebidas pelos colegas, elas nunca iam para frente por diferentes motivos: às vezes o cliente, às vezes a verba, e às vezes a incapacidade da agência de produzir ideias tão diferentes.

“Até que chegou um ponto que eu percebi que os caras da agência estavam felizes, que eles estavam ganhando uma grana legal e fazendo o que eles gostavam, logo quem estava errado era eu de não estar feliz e continuar lá dentro”, conta o jovem. Foi assim que, em 2010, Daniel pediu demissão e, por uma coincidência, caiu no projeto que o empurraria para o empreendedorismo social.

Antes do marketing social, o Saco Mágico

O Saco Mágico era um projeto “maluco” em que as pessoas se inscreviam pelo Twitter. Para participar era preciso completar a frase do dia, que segundo Daniel era sempre algo engraçado. Essa frase por inteiro era publicada no perfil do Twitter dos participantes, que automaticamente concorriam. O prêmio poderia ser qualquer coisa, desde viagens para a América Latina até uma gaveta vazia. Em sua segunda edição, o projeto já contou com o patrocínio do HSBC, que fez um Saco Mágico de Natal.

Com o Saco Mágico no portfólio, Daniel Mattos enfrentou um dos muitos desafios do empreendedorismo: ter sócios. Depois de participar de várias rodadas de investimento e ver palestras sobre o tema, o grupo ganhou até aporte de uma aceleradora.

A equipe do Saco Mágico chegou a trabalhar com a agência Cubo.cc, de São Paulo, para tirar um dos projetos do papel, mas a parceria não foi para frente. “A participação dos idealizadores acabou ficando presa à opinião de pessoas externas e não ia para frente porque eles naturalmente barravam o processo. Começamos a perder a liberdade de trabalhar dentro do nosso próprio projeto. Não tínhamos a palavra final”, afirma Daniel.

Sentindo-se preso, o empreendedor social resolveu revirar as gavetas e lembrou dos projetos de marketing social que sonhava em fazer, mas que tivessem uma “vibe mais descontraída”.

Para fazer o bem não precisa ser assistencialismo, triste, pesado; pode ser divertido, pode ser legal e jovem. Quebrar esse paradigma. Eu sempre brinco: às vezes pensamos em projetos sociais e nos vem à cabeça o Domingo Legal indo na casa de uma criança favelada, entregando pão, eles chorando. Não precisa ser assim.

Foi quando, em março de 2013, nasceu o Skate no Asilo, ainda como um projeto paralelo de Daniel Mattos. “Convidei 20 pessoas para o evento pelo Facebook. Chamei os amigos para rir comigo e com os velhinhos que iam julgar os skatistas profissionais. No primeiro dia tinha 100 confirmados. Em duas semanas já eram mil confirmados. E foi muito legal porque eu vi que aquilo que eu acreditava fazia sentido para outras pessoas. Gerar impacto positivo na sociedade sem perder a alegria, essa veia criativa, essa veia descontraída”, conta. Para esse primeiro evento Daniel e Diego, seu irmão, tiraram do bolso cerca de R$ 500 cada para pagar pipoca e outras pequenas despesas. O restante todo foi feito na base da parceria.

Apaixonados pela ideia, Daniel criou um segundo projeto, o Cancer Infantil Haircut Day, em que crianças em tratamento de câncer ganhavam cortes profissionais em suas perucas coloridas. Desta vez, todo o dinheiro necessário para colocar a ideia de pé foi arrecado no Catarse, site de financiamento coletivo. Foi a partir daí que a primeira empresa bateu na porta e os irmãos Mattos viraram sócios na Smile Flame.

Só em 2013 foram quatro eventos do tipo, entre eles o Bota do Mundo, no qual jovens com problemas de locomoção jogam uma partida de futebol amarrados em atletas profissionais. Nos últimos anos os três principais projetos da casa, Skate no Asilo, Corrida Maluca de Cadeirantes (em que cadeirantes disputam uma corrida com suas cadeiras customizadas) e a Bota do Mundo foram replicados, sendo que em 2015 aconteceu o primeiro projeto fora do Rio Grande do Sul: uma edição do Bota do Mundo com a presença de Neymar Jr. e outros jogadores em Santos, São Paulo.

Daniel Mattos TED Smile Flame

Foto: Divulgação

Marketing social em expansão

Para os próximos anos, Daniel Mattos e sua equipe, que não chega a dez pessoas, trabalha para levar seus projetos para fora de Porto Alegre e também para o exterior. “Achamos que sonhar grande e sonhar pequeno dá o mesmo trabalho e por isso sonhamos grande. Se há dois anos eu tivesse a ousadia de imaginar que o Neymar iria participar de um evento nosso todo mundo ia dizer que eu estava completamente maluco”.

Daniel, que já ajudou a criar dois quadros para o Caldeirão do Huck, programa de Luciano Huck, foi apontado como um dos 50 profissionais de comunicação e marketing mais inovadores do Brasil pela revista Próxxima em 2014. Além disso, é membro da rede Global Shape, uma iniciativa do Fórum Econômico Mundial que conecta jovens de destaque. Sobre todo esse reconhecimento, Daniel diz que não se sente vaidoso, mas orgulhoso em ver que o movimento do marketing social é encarado de uma forma séria. “Não é uma tendência, é uma realidade, e quem não investiu está comendo poeira. Não é fique de olho, é está acontecendo”.

Empreendedor social, Daniel Mattos acredita no marketing com impacto social e com uma veia criativa e jovem. “Não basta eu trazer um benefício claro para a pessoa que está pagando meu serviço, tenho que trazer um benefício claro para toda a sociedade. Se o ecossistema inteiro não estiver dentro do esquema ganha-ganha-ganha, o que estou fazendo perde o sentido. Não pode ser um clubinho, ele pagou para mim, eu faço o bem para ele. Se nem todo mundo ri da piada ela não é boa. Todo mundo tem que estar ganhando”, explica o jovem empreendedor do marketing social.

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