Empreender nem sempre é melhor do que trabalhar para outra pessoa
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Empreender nem sempre é melhor do que trabalhar para outra pessoa

Camila Luz em 5 de novembro de 2016

O empreendedor geralmente é pintado como alguém ambicioso, que não se contenta em subir degraus do mundo corporativo e prefere investir na carreira abrindo o próprio negócio. Para muitos, empreender significa, sobretudo, trabalhar com algo pelo qual é apaixonado. Esse seria o segredo para ter sucesso e até para ajudar a sociedade.

Abrir o próprio negócio também pode significar ter mais liberdade para fazer os próprios horários e escolhas. Mas como tudo na vida, o mundo do empreendedorismo não é feito apenas de conquistas. O proprietário é o mais interessado em fazer o negócio virar e, portanto, deve cobrar bastante de si mesmo e se dedicar muito para ter sucesso, principalmente quando a empresa está no início.

Em alguns casos, contribuir com a economia e com a sociedade é mais fácil quando se trabalha para outra pessoa. Esse foi o caso do funcionário do Kickstarter Jon Leland. Depois de se formar na faculdade, recusou um emprego confortável em marketing em Washington, nos Estados Unidos, para se tornar ajudante de garçom no Maine. Lá, encontrou um ex-colega de faculdade que estava abrindo uma ONG na África do Sul.

Jon concordou em ajudá-lo. A Thanda oferecia educação para órfãos e crianças vulneráveis, cujas vidas têm sido marginalizadas pela Aids. Por três anos, Jon se envolveu na construção de um laboratório de informática, na criação de cursos e na organização de sites independentes. Foi o trampolim para se envolver no empreendedorismo.

O caminho para o empreendedorismo

Quando voltou da África do Sul, Jon entrou em direito na Universidade de Stanford, mas logo percebeu que não gostaria de ser advogado. Decidiu, então, construir o MyProject.is, um site que permitia que pessoas usassem suas redes para ajudar no crowdsourcing de ideias, informações e recursos com o objetivo de realizar seus próprios projetos.

“Assim que vi a oportunidade de criar algo que pudesse ajudar pessoas a realizar seus projetos, isso se tornou muito mais interessante para mim do que ser um advogado”, relembra, em entrevista ao site Fast Company.

No entanto, o caminho foi muito mais complicado do que previa. “Iniciar uma empresa depois de me formar em vez de ser advogado não foi fácil, pra dizer o mínimo”, diz. “Me formei com uma dívida de US$ 150.000 e passei o primeiro ano de formado acumulando dívidas no cartão de crédito, constantemente preocupado com a minha capacidade de manter a empresa funcionando financeiramente”, completa.

Acabou aceitando emprego de advogado em uma grande companhia de Nova York. Na época, ainda mantinha sua própria empresa, o que significava viver em ponte aérea e trabalhar praticamente o tempo todo.

O caminho de volta

Jon percebeu que nenhum livro sobre empreendedorismo prepara para a realidade da coisa, que não é fácil. Abrir um negócio exigiu muito de sua conta bancária e de sua sanidade. Manter o MyProject.is rodando, por mais que fosse seu projeto do coração, era um luxo.

Felizmente, encontrou forma de fazer praticamente o mesmo, mas na empresa de outra pessoa: o Kickstarter. A plataforma, muito maior do que o finado MyProject.is, ajuda a financiar projetos de forma colaborativa. “O impacto que tenho agora é muito maior do que o impacto que tinha dirigindo a minha própria startup”, diz Jon.

A figura mitificada do empreendedor na realidade significa estar constantemente focado em apenas manter as coisas à tona, particularmente quando se tem funcionários para cuidar.

“Agora, tenho um grande papel a desempenhar no sentido de ajudar a abrir o caminho para as empresas de tecnologia mais impactantes do mundo”, completa.

Empreender não é para todos — ou para todos os momentos da vida

Jon não é o único a fazer o caminho inverso, deixando de empreender para se tornar funcionário. Em entrevista ao site “Entepreneur”, a coach de carreiras Catherine Morgan, que auxilia quem faz essa transição, explicou por que muitas pessoas preferem voltar para o mundo corporativo e fechar seus negócios.

Ela diz ser fácil comprar a ideia de que empreender será melhor do que trabalhar para alguém. Mas após realizarem o sonho, muitos de seus clientes revelam que mesmo trabalhando por muitas horas para outra pessoa, a execução do serviço parece muito mais fácil do que ter que criar sua própria estratégia, fazer o marketing, vendê-lo, trabalhar e, em seguida, entregar o trabalho. Além disso, o mundo corporativo pode oferecer mais estabilidade em certos casos.

Em outro artigo, também no site Entepreneur, Brandon Turner, vice-presidente da Bigger Pocketts, uma das maiores comunidades de investimento imobiliário do mundo, explica por que decidiu fechar seu negócio próprio.

Ele tinha 26 anos quando se viu desempregado, leu alguns livros sobre empreendedorismo e decidiu abrir uma empresa. Fundou um blog de investimento imobiliário e logo se deparou com a realidade. Sabia muito pouco sobre o que significa ter as responsabilidades de proprietário, que vão desde a prestação de contas até o relacionamento com funcionários e clientes. Para ele, a lição foi: para empreender, é preciso ter coragem, disposição e principalmente conhecer o barco no qual está entrando.

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