Com desenhos, projeto brasileiro dá voz a pequenos refugiados
Drawfugees
Foto: Reprodução/Drawfugees
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Drawfugees: projeto brasileiro dá voz a crianças refugiadas

Kaluan Bernardo em 13 de julho de 2016

Há mais de 65 milhões de refugiados no mundo — é o maior número desde a Segunda Guerra Mundial. Segundo a ONU, isso significa que uma a cada 113 pessoas no mundo não têm mais um país para chamar de casa. No entanto, eles têm muito a dizer. E é para dar voz a essas pessoas que o brasileiro André Naddeo criou dois projetos: o I’m Immigrant e o Drawfugees.

O I’m Immigrant é um site que conta histórias de refugiados, enquanto o Drawfugees é uma página onde crianças refugiadas podem expressar seus medos, sonhos e desejos por meio de desenhos. As duas páginas mostram as pessoas a partir de uma perspectiva humana e positiva. “Não queria contar mais uma vez a história do quão difícil foi cruzar o mar ou algo do tipo. Quis fazer um retrato social das pessoas”, diz André.

Carioca e jornalista, André passou 45 dias no acampamento do porto de Piraeus, na Grécia, morando com os refugiados. Lá ele dormia, dividia comida, ajudava na faxina, na distribuição de roupa e na segurança do armazém. “Eu decidi ficar lá do lado deles. Não só para observar, mas também ajudar”, diz.

Morando com os refugiados

“É claro que na minha situação era mais fácil: a qualquer momento eu podia pegar as malas e voltar para casa. Mas ainda assim pude ver um pouco mais de perto”, reflete. “Normalmente os jornalistas vão lá, fazem suas entrevistas por algumas horas e voltam para seus escritórios. E isso incomoda muitos dos refugiados”, conta ele.

No tempo em que ficou lá, começou a perceber que a situação das pessoas era mais complicada do que pensava. “É claro que você vai esperando por algo difícil, mas a miséria e as condições de vida eram muito piores”, lembra.

O impressionante, segundo André, é o quão rápido as pessoas envelheciam. Segundo ele, isso acontece com homens, mulheres ou até crianças. “Às vezes você estava conversando com alguém, achando que era um adolescente, e era uma criança de sete anos que perdeu sua infância e estava lá”, conta.

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Enquanto as crianças eram marcadas pela sua infância roubada, os adultos surpreendiam pelo seu passado roubado. Pessoas com escolaridade, casa, carro, família estão morando em barracas.

Você tem tudo e, de repente, aos 50 anos, se vê sem nada.

Para os refugiados, esperança é questão de sobrevivência

Ele conta que algo que o chocou bastante naquele campo foi o contraste social. O porto de Piraeus é um dos principais pontos turísticos da Grécia. Ao lado das barracas, passam navios luxuosos com pessoas cheias de dinheiro para visitar o país. “A diferença era muito forte. Moro no Rio de Janeiro e nunca havia presenciado um contraste tão intenso”, diz.

Por outro lado, nada disso afastava a generosidade das pessoas — muito pelo contrário. “Realmente quem tem menos dá mais”, afirma André, comentando sobre o quanto ofereciam de comida e de ajuda uns aos outros.

Além da generosidade, resiliência e esperança estão por todos os lados — até porque não há outra opção, “Eles mantém a chama porque não podem desistir”, comenta André.

Registrando a esperança com desenhos e entrevistas

Para mostrar a esperança dessas pessoas e seu lado positivo, André usou papel e canetinhas. Ele conta que se inspirou no método de educação Valdorf para permitir que as crianças se expressassem nos desenhos.

“Muitas das crianças chegavam lá sem nada, sozinhas. E aí rola esse amadurecimento precoce de crianças que não estão estudando, não estão comendo direito, não estão tendo lazer. Por isso também quis, de certa forma, levar o projeto como forma de lazer para elas retomarem parte dessa infância”, diz André.

A mesma lógica guia o I’m Immigrant. Apesar de não ter desenhos, os vídeos e entrevistas também servem para mostrar quem são as pessoas indo além das suas condições de refugiadas. Um exemplo desse recorte é a entrevista com Dani Dark, um metaleiro, cabeludo e tatuado que vivia na Síria. “Quis saber como era ser metaleiro em um país islâmico, não como é quase morrer afogado. É esse tipo de retrato social que tentei fazer”, diz. Veja a entrevista abaixo:

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