Artikin: o app que vai fazer você amar a arte contemporânea
artikin eduardo biz
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Eduardo Biz e seu Artikin vão te ensinar a amar a arte contemporânea

Diana Assennato em 4 de julho de 2016
Foto: reprodução / Facebook

Eduardo Biz. Foto: reprodução / Facebook

“Ir a exposições, museus e galerias sempre foi o meu rolê, o meu programa preferido aos sábados”, contou o pesquisador e empreendedor criativo Eduardo Biz ao Free the Essence. Por conta desse hobby,  Edu sempre manteve uma planilha com uma espécie de agenda das exposições que queria visitar por ordem de encerramento, ou seja, as que estavam mais próximas de acabar apareciam antes. “Cansei de ir em exposição e dar com a cara na porta, achando que ainda estava em cartaz”, ele conta.

A lista era tão completa e organizada que seus colegas de trabalho e amigos começaram a pedir acesso ao documento, e assim sua curadoria começou a se espalhar entre desconhecidos. Foi então que Edu percebeu a simplicidade e a relevância de um serviço do tipo.

Do Google Docs para a App Store

A famosa planilha virou um aplicativo, o Artikin (de “art ticking”, numa referência a passagem de tempo), que segue a mesma lógica do sistema pessoal de Edu: o feed é alimentado pelas exposições mais legais de São Paulo por ordem de término. A diferença é que a plataforma também permite a busca por geolocalização, seja através de um mapa ou de uma lista.

Mas Edu logo entendeu que era necessário criar um ecossistema, construir um universo ao redor de uma funcionalidade (o aplicativo) para envolver o seu usuário em um mundo de descobertas (o da arte contemporânea). “É difícil alguém dizer que não gosta de arte, mas poucas pessoas vão pegar um livro de história da arte para ler”, diz.

screenshot do app

Foto: Divulgação

Foi assim que desenvolveu um universo de bom conteúdo para formar um público de amantes das artes: newsletter, Pinterest, Instagram, Snapchat, Facebook, Youtube. Todas as redes são plataformas de conversa no seu processo de criação de público.

“A arte salvou a minha vida”

Quando perguntamos qual era sua conexão com esse universo, a resposta foi clara:

Eu sou do tipo que chora em museus. Eu vejo a arte como uma porta mágica para outros universos de conhecimento. A arte me levou para a filosofia, para a psicologia, para a história…

Edu sempre trabalhou com pesquisa em grandes agências e, hoje, está a frente do projeto Ponto Eletrônico da agência Box1824, mas já fazia um tempo que queria aplicar os seus conhecimentos de pesquisa nas artes: “Eu estava cansado de fazer pesquisa para cerveja, refrigerante, pasta de dente”, confessa.

Durante uma fase mais complicada de sua vida, Edu embarcou em uma viagem transformadora pelo norte da Europa. Lá passou 25 dias entrando e saindo de galerias e museus. “A arte salvou a minha vida. Queria que esse autoconhecimento que a arte propõe chegasse a mais pessoas.”

Mas afinal, isso é arte contemporânea?

“Ainda existe uma barreira muito grande entre a arte contemporânea e o seu público. As pessoas têm medo de opinar e é compreensível. A linguagem é complicada, densa, chata… podia ser muito diferente.” Para Edu, é necessário descomplicar para ajudar a sentir: “Algumas obras tocam em aspectos muito densos da existência”, ele comenta. É por essa razão que parte fundamental da plataforma são as videoaulas.

 

Em seu canal do Youtube, Edu explica grandes movimentos artísticos a partir da metade do século XX, mas o seu objetivo é que ele possa falar com a mesma profundidade de exposições atuais. “Sinto que estou fazendo um mestrado informal em história da arte. Chego em casa e consulto 10 livros sobre um mesmo assunto, depois resumo isso em uma linguagem mais simples e clara. É a parte mais legal do meu dia”, confessa.

Começando pelo fim

Apesar de chegar com força (2 mil usuários em menos de dois meses), este não é o debut de Artkin. Em 2014, Edu e outros dois sócios abraçaram a ideia de transformar a planilha em um aplicativo. Com um investimento baixo, chamaram um programador parceiro e criaram uma primeira versão com os recursos que tinham. “Não estava do jeito que eu queria, mas mantive aquela versão no ar por três meses, abastecendo com conteúdo. Só que o sistema era muito arcaico, demorava muito para cadastrar uma exposição. Acabamos desistindo”, diz.

A verdade é que o projeto nunca chegou a morrer na cabeça de Edu, que desta vez empreende com uma estrutura mais preparada para crescer. Conta com mais de 14 colaboradores, que considera essenciais para o sucesso do projeto. Quando perguntamos sobre o seu modelo de negócio, Edu foi claro. Por ora o seu foco é chamar a atenção de amantes das artes, formar público e engajar pessoas nas redes sociais.

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Enquanto isso Edu vai abrindo portas para novos negócios através de pesquisas rápidas dentro do próprio app. Tours guiados, por exemplo, são uma possibilidade de monetização, além da seção “Vitrine”, um canal onde novos artistas poderão expor suas obras para encontrar entusiastas que nunca pensaram em comprar uma obra antes.

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