O empreendedor social e a visão de futuro para prever problemas
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Foto: Istock/Getty Images
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O empreendedor social e a visão de futuro para prever problemas

Camila Luz em 16 de setembro de 2016

Negócios sociais costumam lidar com problemas que já existem ao invés de preveni-los. Para o designer Matt Manos, a lógica deveria ser inversa: o empreendedor social deve ter visão de futuro para criar ações que evitem que desastres naturais desalojem moradores ou crises de refugiados terminem com milhares afogados no oceano, por exemplo.

capa do livro Toward a preemptive social enterprise

Toward a preemptive social enterprise Foto: Divulgação

Em seu novo livro, “Toward a preemptive social enterprise” (“Em direção a um empreendimento social de prevenção”, na tradução livre) Manos diz que o empreendedorismo social está quase sempre atrasado. Depois que desastres naturais acontecem, empreendedores começam a construir abrigos. Depois que pessoas fogem de guerras, startups criam novos sistemas para conseguir mantimentos. Depois que o sistema público de ensino falha, o empreendedor social começa a desenvolver novas ferramentas educacionais.

Supõe-se que o empreendedor social deve agir após a crise — o que também é preciso. Mas para Manos, isso é limitante. Ele argumenta que deve-se  passar mais tempo pensando sobre problemas do futuro e menos tempo preso no que ele chama de “inovação pós-traumática”.

Empreendedor social deve ser futurista

Na visão do designer, o empreendedor social também deve ser futurista. Para explicar sua opinião, compara empresas sociais com o negócio tradicional.

Manos criou um modelo pro bono para sua empresa de design, a Verynice. Isso significa que presta serviço de forma gratuita para clientes que não podem pagar. Na outra metade do tempo sua companhia trabalha com clientes pagantes. Essa separação fez com que começasse a perceber diferenças entre empresas tradicionais e sociais.

“O setor privado nunca foi mencionado no setor social e vice-versa. Quando você pensa sobre clientes de startups, muitos dos temas presentes neste livro são incrivelmente óbvios para eles, como a importância de investir em tendências futuras e de ter visão estratégica”, disse, ao site Fast Company.

Mas quando você olha para o empreendedorismo social, tudo é feito em resposta a algo que aconteceu no passado

Grandes empresas como Google e Facebook investem dinheiro em pesquisa, enquanto Elon Musk revelou este ano um plano para a Tesla para a próxima década. Empresas sociais raramente fazem o mesmo. No geral, o setor é mais focado em reagir e isso significa que perdem oportunidades de prever problemas. Se isso fosse feito, estaria mais bem preparado para lidar com desastres antes que acontecessem.

Isso também significa começar a se preparar para problemas que a humanidade nunca encarou. Manos dá como exemplo a inteligência artificial, que pode assumir empregos que antes pertenciam aos homens e, sobretudo, causar mudanças em suas vidas. “Quando os trabalhos forem automatizados, pessoas terão mais tempo em suas mãos. Terão mais problemas como abuso de drogas e baixa auto-estima, o que pode levar a doenças mentais ou suicídio. E essa é apenas uma das questões emergentes”, diz.

O livro é uma pequena coleção de ensaios e ferramentas que têm o objetivo de ajudar o empreendedor social a pensar como futurista. A empresa de design de Manos agora tem um setor para ajudar os clientes a fazer o mesmo. “Para mim, o futuro é uma grande causa para investir”, afirma.

A opinião de quem também entende

Anielle Guedes segurado parte de seu trabalho na mão

Anielle Guedes. Foto: Reprodução/Facebook

Anielle Guedes, fundadora da startup Urban 3D, concorda com a visão de Manos e acredita que é essencial para o empreendedor social fazer o exercício de projeção de cenário. A partir daí, ele deve decidir qual quer fomentar e trabalhar em direção a isso.

Anielle fez imersão na Singularity University, que fica no campo da Nasa, na Califórnia (EUA). A ideia de fundar a Urban 3D surgiu após essa experiência. O objetivo da startup é automatizar o processo de construção utilizando robôs e materiais recicláveis para construir, de forma rápida, casas baratas, acessíveis e de qualidade.

A ideia é construir uma espécie de linha de produção automatizada que garanta toda a residência, desde revestimento até louças. Depois, basta montar a moradia, como se fosse de Lego.

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Segundo Anielle, nos próximos 35 anos, será preciso construir mais infraestrutura do que nos últimos 3.500. “Isso significa que vamos ter que dobrar as infraestruturas que existem no mundo nos próximos 35 anos”, conta. “De certa forma, isso antecipa uma série de problemas e questões que vão surgir. Se a gente não criar forma de construir mais e melhor, com processos mais eficientes e baratos, evitando métodos destrutivos para o meio ambiente, em que tipo de mundo vamos morar? Provavelmente em um mundo que irá parecer uma grande favela, com baixa infraestrutura”, completa.

Anielle aplica a visão futurista em seu empreendimento social e pensa que esse é um dos caminhos que negócios sociais deveriam seguir. “Acredito que empreendedores sociais, principalmente por estarem trabalhando com questões de médio e longo prazo, têm que se preocupar com macro tendências. No meu caso, é a urbanização”, explica. “É assim que a gente trabalha na Urban 3D e em outros projetos. Acho essencial para o empreendedor, seja social ou não, mas principalmente para o social”, finaliza.

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