Pelada profissional: empresas organizam eventos esportivos amadores
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Pelada profissional: empresas organizam eventos esportivos amadores

Camila Luz em 29 de abril de 2017

Jogar uma pelada no final de semana é divertido, mas participar de um campeonato sério e organizado pode ser ainda melhor. Gerenciá-lo, no entanto, não é tarefa simples e, para muitas pessoas, nem um pouco interessante. É preciso criar tabelas, somar pontos, cadastrar jogadores, reservar a quadra e assim por diante. Para facilitar o processo, atletas contratam empresas que organizam eventos de esportes amadores.

A empresa paulistana Playball está no mercado há mais de 30 anos. Além de locar quadras próprias, realiza mais de 100 eventos esportivos por ano. Focada em futebol society, promove campeonatos abertos próprios e atende companhias e marcas que desejam realizar competições.

“A Playball organiza mais de 100 campeonatos esportivos ao ano só em São Paulo. Mas agora estamos com o projeto de expandir para chegar a 1.000 franquias no país”, conta Marcos Borborema, coordenador de eventos da empresa.

“Importamos máquinas de fazer grama sintética e trouxemos profissionais técnicos da Europa para colocar tudo em funcionamento e permitir a larga escala. Vamos fornecer o material e, em contrapartida, vamos ter retorno em forma de aluguel dos campos. As marcas que nos procuram querem estar em todos os campos do país. Vai ser um negócio maior e envolver competições ainda maiores”, completa.

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A Playball tem 35 campos de futebol society em São Paulo, onde acontecem partidas avulsas e campeonatos esportivos. A Copa Playball, por exemplo, já foi patrocinada por marcas como Netshoes e Adidas “A Copa Playball é um campeonato organizado pela Playball com mais de 118 equipes inscritas. Qualquer equipe pode se inscrever. Basta pagar a taxa de inscrição e seguir as regras”, explica Marcos.

Já a empresa catarinense Ritmo do Esporte dá suporte para mais de 300 eventos esportivos em todo o Brasil. A empresa desenvolveu um software que auxilia o organizador do campeonato em todas as etapas, como geração de tabelas, definição de times classificados e divulgação de resultados.

Para utilizar o serviço, o organizador deve entrar na plataforma, cadastrar a competição e os jogadores. A Ritmo do Esporte trabalha com pacotes de assinaturas que custam entre R$ 60 e R$ 100. Também há opções gratuitas e planos mais caros, cujos preços são fornecidos sob consulta.

Os pacotes variam de acordo com o número de competições permitidas, possibilidade de criar espaço de notícias/galeria de fotos, pagamento de inscrições online, criação de email próprio e assim por diante.

Dificuldades em organizar eventos esportivos

Luciano Marin de Oliveira, fundador da Ritmo do Esporte, teve a ideia quando acompanhava seu filho em competições infantis. “Como pai de atleta, sentia dificuldade de encontrar os resultados, saber quando ele ia jogar e tudo mais. Precisava planejar meu final de semana e não conseguia, pois não tinha informações”, relembra.

O organizador do campeonato precisa lidar com tantas tarefas que nem sempre consegue manter os jogadores atualizados sobre o andamento do torneio. Organizar eventos esportivos dá trabalho: é preciso inscrever os jogadores, cobrar a taxa de inscrição, administrar o dinheiro, montar tabelas, divulgar resultados e contratar os profissionais necessários, como árbitros.

O software desenvolvido pela empresa dá auxílio ao organizador e mantém os jogadores atualizados sobre datas, jogos e resultados. Luciano explica:

Através da nossa ferramenta, é possível organizar o campeonato e enviar emails para equipes e pessoas que acompanham a competição. Acabamos facilitando a vida do organizador e resolvendo o problema de divulgação.

Para Marcos, a parte mais difícil de organizar um evento esportivo ocorre quando ele já está em andamento. Em competições mais disputadas, ou que envolvem prêmios em dinheiro, podem ocorrer problemas. Por isso, a Playball monta uma estrutura profissional.

“Há um regulamento completo e bem formulado, feito pelo nosso jurídico. Também temos ajuda da federação filiada e do nosso corpo de funcionários. Juntos, eles formam a comissão organizadora”, explica.

A Playball oferece a estrutura física e funcionários que acompanham os jogos e estão por dentro das regras. Eles ficam responsáveis pelo quadro de árbitros, recolher documentação e por tarefas similares. Os atletas que participam dos campeonatos organizados pela empresa devem seguir o que foi definido pelo regulamento, sem exceções. Marcos conta que já aconteceu de certo time colocar no banco de reservas um jogador que não estava inscrito, utilizando o documento do que faltou. Quando a organização percebeu o que havia ocorrido, o time foi excluído da competição.

Além de apresentar a documentação necessária e pagar a taxa de inscrição, os atletas que participam dos campeonatos abertos devem assinar termos de aptidão física e autorização de imagem, já que os jogos são acompanhados por fotógrafos e jornalistas.

Quem participa dos eventos esportivos amadores

Atualmente, a Ritmo do Esporte organiza eventos esportivos nas modalidades futsal, handebol, vôlei, basquete, futebol de campo, futebol society, futebol de mesa (botão) e futebol de areia. Os atletas amadores que participam são adultos, adolescentes e crianças que fazem parte de clubes, escolas e associações, como a Associação Catarinense de Tecnologia.

Luciano acredita que os atletas são motivados apenas pela vontade pessoal de praticar esportes. Muitos montam times de bairro ou entram nas equipes formadas por clubes, escolas e associações. Os eventos são uma fonte de motivação para continuar praticando.

Segundo Marcos, tem muita gente interessada em participar de competições – e existem muitas. Só em Santa Catarina, há mais de 200 competições acontecendo. Ele também observa que atletas amadores que participam de campeonatos se sentem mais motivados. Por isso, muitas empresas contratam a Playball para organizar os eventos.

O principal objetivo das empresas é a motivação e a socialização. Pessoas de diferentes setores e cargos jogam juntos e acabam se conhecendo. O endomarketing da empresa é bem trabalhado.Os campeonatos são considerados os principais eventos do ano pelos funcionários.

Quem não participa como jogador, encontra lugar na torcida. “Durante o andamento da competição, ela se torna o assunto mais comentado. O custo para a empresa é um pouco elevado, mas vale a pena”, afirma.

Além das empresas, há marcas que contratam a Playball para dialogar com seu público-alvo. A Bozzano, por exemplo, procurou a empresa para montar um campeonato com barbearia móvel, distribuição de brindes e divulgação de produtos. As equipes escolhidas para participar tinham perfil definido, dentro do estipulado pela marca de cosméticos masculinos.

O que falta para o esporte amador no Brasil

O circuito de eventos esportivos amadores no Brasil é extenso, mas poderia ser maior. O país é criticado pela má formação de base. Luciano, que está fazendo pós-graduação em gestão do esporte, diz que há recursos para investir, mas eles estão concentrados nos atletas de ponta.

Os atletas amadores de base têm potencial para se tornarem grandes esportistas profissionais no futuro. Mas sem investimento, público ou privado, dependem de patrocínio particular para evoluir, o que pouco acontece.

A situação é ainda mais grave em modalidades que não são o futebol. Luciano vai ainda mais longe: o dinheiro está concentrando nos 40 grandes times de futebol do país.

Eu acrescento que o dinheiro não está concentrado só no futebol, mas sim nos 40 times que disputam as séries A e B dos campeonatos. Um levantamento de salário dos jogadores revela que oitenta por cento ganha bem menos de R$3 mil.

Existem recursos disponíveis para atletas amadores, mas pouca gente sabe captá-los. A paixão pelo esporte também é movida por competições, mas organizá-las custa caro. É preciso alugar o campo, contratar os profissionais envolvidos e dispor de tempo para cuidar de toda a logística. Além disso, para buscar recursos junto ao governo, deve-se criar associações e CNPJs específicos.

A Ritmo do Esporte planeja auxiliar organizadores de eventos esportivos também no quesito financeiro. “Estamos buscando estratégias para que a gente pare de cobrar deles. Queremos que eles virem nossos apoiadores, e não nossos clientes. Vamos ajudá-los a captar recursos para organizar as competições de forma sustentável”, conta Luciano.

O perfil de quem pratica esportes no Brasil

Em 2013, o Ministério do Esporte fez uma pesquisa sobre o perfil do atleta amador brasileiro. O número de pessoas sedentárias no Brasil é impressionante: quase 46% dos entrevistados. Além disso, mulheres praticam menos esportes do que homens: 50% das entrevistadas estão sedentárias, contra 41,2% dos homens.

A maior parte dos brasileiros deixa de praticar esportes entre 16 e 24 anos. Quando praticam, a modalidade preferida é o futebol, eleito por 42,7% dos entrevistados. As modalidades que mais parecem em seguida são caminhada, vôlei, academia, natação, corrida, futsal, musculação e ciclismo.

O futebol também é o primeiro esporte praticado na vida pela maioria dos entrevistados (58,9%). As outras modalidades, como vôlei e natação, são exercidas por menos de 10% dos brasileiros.

A pesquisa mostra onde atletas amadores praticam esportes: a maioria frequenta instalações esportivas academias, ginásios, que podem ser pagos ou grátis (a maioria faz em pago). Espaços públicos e privados como campos de futebol improvisados, quadra pública e aberta, instalações do condomínio aparecem em seguida. Apenas 5,7% dos entrevistados faz esportes em casa.

Por fim, os dados revelam qual a motivação por trás da vontade de praticar esportes. Mais de 40% das pessoas afirmaram que o fazem pela melhora na qualidade de vida e bem-estar. Aprimorar o desempenho físico foi uma preocupação citada por 37,8% dos participantes. Outras motivações, citadas menos vezes incluem relaxar no tempo livre, alcançar harmonia entre corpo e mente, fazer novas amizades e competir.

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