Afinal de contas, o que é e como funciona a futurologia?
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Afinal de contas, o que é e como funciona a futurologia?

Kaluan Bernardo em 21 de outubro de 2016

O mundo está mudando. E é possível que passe a mudar cada vez mais rápido. Quem não se adapta, fica para trás. Foi o que aconteceu com empresas como Kodak e Nokia. E é o que poderá acontecer com profissionais que esperarem o futuro se tornar presente para começar a pensar nas mudanças. É nesse cenário que surge o futurologista.

Um futurista, ou futurólogo, é alguém que olha para o futuro, mas não necessariamente adivinha o que vai acontecer. Não há magia e misticismo, apenas ciência. A futurologia é uma forma de olhar o presente e antecipar possíveis cenários do futuro. “Até por isso prefiro usar a palavra futurologia, não futurismo, pois é preciso deixar claro que é uma ciência”, comenta Camila Ghattas, cofundadora da Diip, uma empresa de futurologia.

Haverá empregos para todos no futuro ou as máquinas farão nosso trabalho? Viveremos dentro de realidades virtuais ou interagiremos uns com os outros utilizando interfaces tecnológicas desenvolvidas para telepatia? Um mundo mais populoso passará mais fome ou criaremos ferramentas para vencer a desigualdade? Os carros autônomos congestionarão de vez a mobilidade urbana ou serão a solução para a locomoção? Não há respostas certas para essas perguntas, mas é possível pensar nos cenários mais prováveis e persegui-los.

“O futuro não vem em uma progressão linear”, diz Camila. Ela explica que a tecnologia evolui em velocidade exponencial e, mesmo que conceitos como a Lei de Moore se tornem ultrapassados, novidades como a computação quântica continuarão a garantir que existam as possibilidades de diferentes futuros a partir da tecnologia que criarmos.

E as mudanças aceleradas não vem apenas da tecnologia também. A futuróloga cita, por exemplo, o crescimento populacional. Se na década de 1950 tínhamos 2,5 bilhões de pessoas; hoje temos mais de 7,5 bilhões. O número de pessoas triplicou em seis décadas, mas o de problemas, soluções, paradigmas e seres pensando no futuro também. “Não é exatamente um crescimento exponencial, mas esse tipo de mudança também permite que possamos viver diferentes futuros”, comenta.

A empreendedora sintetiza a futurologia como “a história aplicada”. A ideia é que possamos olhar para os erros e acertos que nos trouxeram até aqui e, de fato, façamos algo para construir um futuro melhor. “Não adianta ficar na teoria e continuar a repetir os mesmos erros”, comenta.

Camila vê três esferas pelas quais as mudanças podem ser dirigidas: por pessoas, negócios e tecnologia. Cada uma retroalimenta a outra e pauta qual caminho trilharemos no futuro. “É essencial que decisões éticas sejam tomadas nessas dimensões para que possamos viver num futuro de abundância, não de escassez”, defende.

Como nasce uma empresa de futurologia

Não há cursos nem especializações sobre futurologia no Brasil. Nos Estados Unidos há a Singularity University, que fica no campus da Nasa e foi criada por Ray Kurzeii, executivo do Google e famoso futurólogo.

Camila diz que não lembra o momento exato em que conheceu o conceito de futurologia, mas que na hora percebeu que isso é o que queria. Ela trabalhava com planejamento estratégico em agências, mas sentia falta de fazer algo aprofundado, com grandes discussões sobre as tendências.

Pouco tempo depois, conheceu seu sócio, o mexicano Alex Espinoza, que trabalhava com inovação em multinacionais. Perceberam que o casamento entre inovação e futurologia fazia todo sentido e se juntaram. Um pouco mais tarde entrou Luis Bartolomei, fundador da B+G (hoje CBA B+G), uma agência de construção de marcas com 11 escritórios em diferentes países.

A Diip se tornou um braço da agência e, desde 2013, trabalha nas três dimensões de pessoas, negócios e tecnologia oferecendo pesquisas de consumo, analisando tendências comportamentais, dando consultoria a negócios ou mesmo ajudando no desenvolvimento de tecnologias que ajudam a construir tal futuro.

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