Garotas no Poder quer mais mulheres no mercado de trabalho
garotas no poder
Foto: Patricia Spier
Nova Economia > Criativos

Garotas no Poder quer mais mulheres no mercado de trabalho

Camila Luz em 20 de abril de 2017

Quando a pia da cozinha começou a vazar, a jornalista Camila Mazzini não sabia a quem recorrer. Para não ter que lidar com um homem estranho dentro de casa, pensou em uma encanadora. Resolveu perguntar aos seus contatos no Facebook se alguém conhecia. Foi então que teve uma ideia: criar um grupo para encontrar profissionais e aumentar a participação de mulheres no mercado de trabalho.

O Garotas no Poder nasceu em março de 2016 e já tem 25 mil membros. O grupo é exclusivo para mulheres que divulgam vagas de trabalho para garantir que mais profissionais do sexo feminino encontrem colocações no mercado de trabalho.

LEIA MAIS
Infopreta: serviços de informática para a inclusão digital de mulheres periféricas
LEIA MAIS
M’Ana: Mulher conserta para mulher -- o serviço de manutenção doméstica feminino

O grupo foi criado sem maiores pretensões. Camila pensou em convidar as amigas e conhecidas para trocar contatos de profissionais que realizam serviços geralmente feitos por homens. Afinal, quantas mecânicas, eletricistas ou até engenheiras aeronáuticas você conhece?

“A gente fica suscetível a receber sozinha um homem estranho em casa. Comecei a ir atrás disso, queria ver se existiam mulheres no mercado de trabalho fazendo esse tipo de serviço”, conta. “A ideia era fazer uma rede de amigas e conhecidas para trocar contatos. Foi crescendo meio sem eu me dar conta, então comecei a mudar um pouco o objetivo e a ampliar para qualquer tipo de serviço”, completa.

Garotas no Poder

A maioria das integrantes do “Garotas do Poder” é de São Paulo. Como Camila nasceu em Teutônia e morou em Porto Alegre, também há muitas participantes da capital gaúcha. Mas há mulheres do Brasil todo e inclusive de outros países, como de Nova York, nos Estados Unidos.

Toda vaga de trabalho é bem-vinda, desde que não ofereça um salário muito baixo ou explore a profissional de alguma forma. Para evitar que isso aconteça, a moderadora fica de olho nos posts e os deleta quando necessário. Segundo a jornalista, há alguns grupos só de mulheres que não aceitam certas vagas, como o serviço de faxineira. Já o Garotas no Poder aceita qualquer serviço justo.

garotas no poder

2° Encontro Garotas No Poder Foto: Reprodução/Facebook

“A vibe do Garotas é: a mulher precisa trabalhar, então vamos colocar as vagas. Só não aceitamos quando os salários são muito baixos ou algo muito exploratório. Mas qualquer tipo de vaga está valendo”, explica.

Com o crescimento rápido do grupo, Camila precisou fechá-lo e colocar regras para as publicações. O Garotas no Poder recebe cerca de 90 posts por dia. No geral, todo mundo segue as determinações. “A maioria é muito legal, entende, faz o post dentro do padrão. As regras existem para ficar mais fácil de achar a postagem depois”, diz.

No entanto, como em todo grupo na internet, às vezes sai briga. Uma integrante chegou a deixar o Garotas no Poder quando foi criticada por se interessar por uma vaga que oferecia salário baixo. Se isso acontece, a moderação interfere e lembra as participantes de que não é um grupo de discussão, e sim de divulgação.

Motivada por esse episódio, Camila criou outro grupo, o “Garotas no Poder – Debate“. No espaço, é possível divulgar matérias e levantar questões como remuneração e mulheres no mercado de trabalho.

Por mais mulheres no mercado de trabalho

Camila acredita que mulheres precisam se unir para alcançar um futuro onde exista igualdade de gênero dentro do mercado de trabalho:

Na publicidade, a gente ainda vê muita agência com 90% de funcionários homens. Mulheres estão basicamente no atendimento. No grupo, muita gente divulga cargos de chefia. Quando abre uma vaga em agência, mulheres divulgam lá primeiro. [O objetivo] não é deixar os homens sem vaga, e sim deixar tudo mais igual.

A jornalista conta que conhece participantes do Garotas no Poder que  encontraram emprego ali. “Tem muita gente que pega freela e tem muita coisa rolando. Eu mesma já tenho fornecedoras que são do grupo”, revela. A ideia é mesmo de criar uma rede profissional.

Às vezes, participantes do grupo adicionam homens. Mas Camila acredita que, na maioria das vezes, é sem querer. Quando isso acontece, ela bate um papo e explica que é exclusivo para mulheres. No Brasil, a jornalista nunca enfrentou críticas, mas fora do país sim.

“Criamos um grupo gringo, o Girls ‘n Power, só para os Estados Unidos. Uma amiga minha de Nova York ajuda a moderar. Certa fez, ela divulgou a página em um grupo de networking e um cara tentou entrar. Quando não permitimos, ele iniciou um bate-boca, dizendo que iria criar um só para homens. Mas foi  única vez que tive um retorno desse tipo”, conta.

Para unir as participantes e continuar o trabalho do Garotas no Poder fora do Facebook, Camila começou a criar encontros presenciais. Nesses eventos, há expositoras, venda de produtos, bate-papo e música. Já rolaram quatro edições em São Paulo e uma em Porto Alegre.

Além dos eventos do Garotas no Poder, a jornalista foi convidada para fazer uma festa quinzenal no Mandíbula, um bar na República, região central de São Paulo. Os eventos trazem exposições, trocas de trabalhos, discotecagem e até lançamento de livro.

garotas no poder

Festa Garotas no Poder Foto: Reprodução/Facebook

As festas e encontros também são uma forma de divulgar o objetivo do grupo e criar mais espaço para mulheres no mercado de trabalho. “Várias meninas em Porto Alegre já me disseram que querem vir expor em São Paulo. Tenho um carinho muito grande por saber que a gente está se ajudando”, conclui.

Hoje, os eventos e o grupo tomam bastante tempo de Camila. No entanto, administrá-los ainda não virou um trabalho em tempo integral. “É um trampo, mas por enquanto não paga as minhas contas. Estou procurando uma forma de rentabilizar o grupo. Os eventos do Mandíbula me demandam menos tempo. O retorno que tenho na festa acaba pagando o meu esforço”, explica.  A jornalista também faz assessoria de imprensa para o Grupo Vegas, em São Paulo.

Gostou deste post? Que tal compartilhar:
Últimos
Trend Tags
Array ( [0] => 237 [1] => 205 [2] => 76 [3] => 222 [4] => 12 [5] => 249 [6] => 94 [7] => 97 [8] => 267 [9] => 115 [10] => 17 [11] => 173 [12] => 175 [13] => 238 [14] => 62 [15] => 92 [16] => 157 [17] => 276 [18] => 153 [19] => 25 [20] => 236 [21] => 125 [22] => 16 [23] => 66 [24] => 67 )
Vídeos
Copyright © 2016 Free the Essence