Talentosos e subaproveitados: millennials podem não ser tão privilegiados
millennials
Foto: Istock/Getty Images
Nova Economia > Criativos

Privilegiados, millennials enfrentam choque de gerações e reclamam

Camila Luz em 8 de dezembro de 2016

Se você tem pouco mais de 15 anos, completou 30 recentemente ou está no meio do caminho, faz parte de uma das gerações mais privilegiadas da história. Os jovens de hoje são viajados, têm acesso à educação superior, à tecnologia e têm cabeça aberta. No entanto, os millennials, assim como quem nasceu por volta dos anos 2000, enfrentam dificuldades que podem comprometer seu futuro – e há quem diga que até o futuro da humanidade.

Artigo publicado este ano pelo site da Economist faz um paralelo entre a série de ficção “Jogos Vorazes” e o choque atual de gerações entre pessoas mais novas e mais velhas. Na obra, jovens sorteados de 12 distritos são levados até uma ilha onde devem matar uns aos outros até que reste apenas um.

Essa ordem é determinada por políticos mais velhos. A ficção traz uma distopia, mas a relação entre realidade e fantasia pode ser mais estreita do que você imagina. Para a Economist, os mais velhos podem não estar assassinando os mais novos, mas estão dificultando seu caminho até a vida adulta e deixando de ouvir sua opinião sobre assuntos relevantes para o futuro do planeta.

Geração privilegiada

Aproximadamente um quarto das pessoas do mundo – cerca de 1,8 bilhão – completou 15 anos, mas ainda não alcançou os 30. Eles têm melhores condições econômicas do que as gerações de jovens que os antecederam, vivem em um mundo sem doenças pandêmicas, como a varíola, e são ultra educados: os haitianos de hoje passam mais tempo na escola do que os italianos em 1960.

Foto: Istock/Getty Images

Foto: Istock/Getty Images

Graças a todo esse aprendizado e a uma melhor saúde, são bastante preparados e intelectualizados. Aqueles que são mulheres ou homossexuais gozam de mais liberdade do que seus antepassados jamais teriam imaginado – ainda que falte muito para vivermos em um mundo justo e livre de preconceitos.

Além disso, podem olhar para o futuro e se imaginar em um mundo onde avanços na tecnologia e na área da saúde permitirão que vivam até 100 anos de idade com qualidade de vida. Então, do que estão reclamando?

Do que reclamam os millennials

Acima de tudo, da dificuldade em encontrar trabalho e moradia. Pela primeira vez na história, os jovens de todo o mundo formam uma cultura comum, criada pela globalização. Então, também compartilham as mesmas queixas, e a maior dela é que o caminho para a idade adulta está mais longo e mais complicado.

Aos 30 anos, pais dos jovens de hoje já estavam estabilizados na carreira, comprando casa, carro, cachorro e criando seus primeiros filhos. Hoje, bons empregos exigem muita experiência e após as crises econômicas na última década, estão em falta.

LEIA MAIS
Millennial, você não é assim tão único -- conheça os perennials
LEIA MAIS
Conheça os yuccies, os novos hipsters

Jovens altamente qualificados acabando recorrendo a empregos que exigem menos qualificação, ou permanecem na universidade por mais tempo para ter alguma fonte de renda. Segundo outro artigo da Economist, millennials têm duas vezes mais chances de estarem desempregados do que os mais velhos. O mercado de trabalho hoje é mais competitivo do que nunca. As leis trabalhistas favorecem quem já está empregado e dificulta a contratação de novos funcionários. E o início da carreira é o pior momento para se estar ocioso.

Com renda tão baixa, fica difícil encontrar um local para viver. Jovens se direcionam para cidades grandes, com mais oferta de emprego, onde o custo de vida também é mais alto. Adquirir novos imóveis, então, parece estar fora de questão. Em Kuala Lampur, na Malásia, são conhecidos como a “geração sem teto”. Em outros países, como no Estados Unidos, jovens são mais propensos a viverem com os pais e outros parentes do que em qualquer outra época desde a Segunda Guerra Mundial.

Além disso, a educação ficou tão cara que muitos jovens já deixam a faculdade endividados. Após a formatura, é necessário trabalhar por anos para quitar mensalidades. Para subir na carreira, é preciso investir em especializações e cursos de línguas: mais um custo extra.

Por fim, millennials têm a tendência de não criar raízes. Com o mundo inteiro para explorar e nada para amarrá-los, se movem com mais frequência do que os mais velhos. Isso os torna mais produtivos, principalmente quando mudam de um país pobre para um rico.

A Economist estima que o PIB global dobraria se as pessoas pudessem se movimentar livremente entre os países. Infelizmente, isso é politicamente impossível, já que as nações desenvolvidas estão estabelecendo regras mais rígidas para barrar a imigração. As barreiras contra a livre circulação prejudicam principalmente os jovens, pois são eles que mais querem – e necessitam – se mover.

O que os millennials — e os mais velhos — podem fazer

Os millennials irão dominar a força de trabalho no futuro. Se suas habilidades não forem bem desenvolvidas, serão menos produtivos do que poderiam, causando impactos negativos na economia e até mesmo nas políticas públicas que garantem aposentadorias e outros benefícios para idosos.

Jovens precisam começar a participar das decisões de forma mais efetiva. Em primeiro lugar, precisam votar. Nos Estados Unidos, apenas um quinto dos cidadãos entre 18 e 34 anos comparece às urnas, contra três quintos dos acima de 65. Na Indonésia e no Japão, o quadro é parecido. Assinar petições online e se manifestar no Facebook é necessário, mas não suficiente.

Outras medidas devem partir do próprio governo, como reduzir as restrições à migração, eliminar burocracias trabalhistas e fazer da educação uma prioridade. Além disso, é preciso criar condições para que jovens tenham voz em assuntos que dizem respeito ao seu futuro, como as mudanças climáticas.

Em carta aberta publicada recentemente no jornal The Guardian, uma série de pensadores, empreendedores, economistas, ativistas, advogados e executivos pediram a criação de um “país dos millennials”, para dar voz a jovens preocupados com o futuro do planeta. Afinal, são eles os mais interessados em fazer da Terra um local habitável no futuro. Leia mais sobre o assunto.

Gostou deste post? Que tal compartilhar:
ESCOLHA DO EDITOR
Últimos
Trend Tags
Array ( [0] => 205 [1] => 76 [2] => 12 [3] => 237 [4] => 97 [5] => 249 [6] => 222 [7] => 62 [8] => 157 [9] => 276 [10] => 259 [11] => 86 [12] => 267 [13] => 94 [14] => 68 [15] => 16 [16] => 167 [17] => 115 [18] => 186 [19] => 17 [20] => 102 [21] => 173 [22] => 238 [23] => 175 [24] => 92 )
Vídeos
Copyright © 2016 Free the Essence