Millennials, vocês não são assim tão únicos -- conheçam os perennials
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Millennial, você não é assim tão único — conheça os perennials

Camila Luz em 7 de novembro de 2016

Curiosos, confiantes, criativos, antenados… insatisfeitos e mimados. Todas essas características descrevem os millennials, nascidos entre 1982 e 2004. Dessa geração, espera-se grandes feitos: ela detém conhecimentos tecnológicos, tem opinião formada sobre todos os assuntos e não se contenta com pouco.

Campanhas publicitárias são criadas com foco nos seus integrantes, donos de grande parte do poder de compra que movimenta a economia atual. Mas pare e pense em celebridades e parcerias de sucesso comercial que influenciam opiniões e são “a cara dessa geração”: Lady Gaga e Tony Bennett, Lena Dunham e Jenni Konnver, Pharrell Williams, Jimmy Fallon, Ellen DeGeneres, Elon Musk, Diane Von Fustenberg, Emma Watson, Michelle Obama, Malala Yousafzai, Mick Jagger e Millie Bobby Brown. Muitas delas têm bem mais de trinta e poucos anos — ou menos, no caso da Eleven (Millie Bobby Brown).

A era de definir gerações por data de nascimento pode ter chegado ao fim. Gina Pell, chefe de conteúdo da The What, uma “lista inteligente para pessoas curiosas”, defende essa ideia em artigo no site da FastCompany. Para ela, fronteiras geracionais não são guias confiáveis para definir traços ou comportamentos. Por isso, propõe um apelido alternativo: perennialls.

O que são os perennialls?

Os perenialls são pessoas de todas as idades que vivem no presente, sabem o que está acontecendo no mundo, estão atualizados com a tecnologia e têm amigos de qualquer faixa etária. Eles se envolvem com diferentes questões, continuam curiosos, são apaixonados, confiantes, colaborativos e assumidores de riscos que impulsionam a margem de crescimento da sociedade.

Gina defende que os perennialls estão incluídos em um tipo de mentalidade, e não em “demografias excludentes”. Ela conta que passou anos tentando criar um apelido adequado para descrever pessoas com base em dados que não fossem demográficos.

Primeiro, cunhou o termo “relevants” (relevantes). Mudou de ideia quando percebeu que o título poderia ter o efeito inverso e significar que aquelas pessoas, na verdade, são irrelevantes, já que precisam dessa afirmação. Quem deu a ideia do apelido “perennialls” foi seu marido. “Rapidamente, pesquisei todas as definições de ‘perenniall’: duradouro, eterno, recorrente, sempre florescendo. Assim, perennialls nasceu”, conta.

Para a autora, chegou a hora de escolher nossa própria categoria com base em valores e paixões compartilhadas por pessoas que vivem o agora. Seria algo similar ao trabalho feito por serviços como Netflix, Amazon e Spotify, que se baseiam em dados comportamentais para criar produtos personalizados, e não em estereótipos geracionais que, na opinião de Gina, estão ultrapassados.

“Ser um millennial não significa viver no porão da casa dos seus pais, cultivar uma barba e beber cerveja artesanal. Estar na meia-idade não significa ter uma crise. E você não precisa ser um número. Você é relevante. Você está sempre florescendo. Você é perene”, defende.

Millennials e baby boomers: como a divisão por gerações foi criada

O termo geração foi criado para se referir a pais e seus filhos a cada 25 anos. A geração dos avós era uma, a dos pais era outra, a dos filhos outra e assim por diante. Ele só passou a definir recortes sociais por data de nascimento a partir do século 19.

Segundo o site The Atlantic, os baby boomers, nascidos entre 1946 e 1964, são a primeira e única geração reconhecida pelo laboratório de dados Census Bureau por causa de suas características bem definidas. Ou seja, as gerações que vieram a seguir, como os millennials, não são oficiais.

Em entrevista ao The Atlantic, Tom Dipreti, professor de sociologia da Universidade de Columbia (EUA), concorda e explica: “Acho que os limites acabando sendo traçados, de alguma forma, pelos meios de comunicação. A medida em que as pessoas os aceitam ou não varia de geração para geração”.

O professor afirma que há bons motivos para considerar os baby boomers como uma geração discreta. Seu nascimento ocorreu dentro de um prazo determinado pela ascenção do padrão de vida e dos núcleos familiares no pós-guerra. Depois disso, disrupções nos padrões sociais interromperam esses padrões. Foi o fim das gerações definidas por acadêmicos.

As gerações seguintes, X, Y e Millennials, foram definidas mais pela mídia, que busca por padrões que sirvam como target para vender produtos e conteúdo. “A mídia em particular quer definições, identidades”, diz o professor. “Eu não sei se as definições de hoje são assim tão fortes ou compartilhadas… e no final das contas fica confuso”, completa.

Dipreti acrescenta que oficializar os millennials com rigor seria difícil. Afinal, a geração é definida pela evolução da tecnologia e pelo surgimento das redes sociais, por exemplo. No entanto, esses avanços afetam a vida das pessoas de formas diferentes, o que deu origem a uma sociedade muito mais plural e difícil de rotular. Além disso, segundo o artigo de Gina Pell, a tecnologia e as redes sociais fazem parte da vida de indivíduos de todas as idades.

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