NoDestro: loja criada por catarinense vende apenas para canhotos
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Foto: Istock/Getty Images
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NoDestro: loja criada por catarinense vende apenas para canhotos

Kaluan Bernardo em 11 de novembro de 2016

Aproximadamente 10% da população é canhota. Muitos produtos ignoram essa parcela da sociedade e constroem coisas apenas difíceis de manusear com a mão esquerda. O catarinense Ricardo Michels Silva percebeu isso quando viu sua ex-namorada sofrendo para descascar uma simples laranja. “Nunca tinha pensado que era um problema”, comenta.

Ficou com a questão na cabeça e, dias depois, se lembrou da série “Os Simpsons”, na qual um personagem, Ned Flanders, tem uma loja dedicada para canhotos. Procurou no Brasil e não encontrou nada. Viu apenas algumas lojas nos Estados Unidos e Inglaterra. Foi o suficiente para ativar o gatilho e resolver criar a sua: NoDestro.

Foto: Divulgação

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A ideia veio em outubro de 2014 e, já em fevereiro de 2015, resolveu tirá-la do papel. Juntou-se a dois amigos, que ajudaram a montar o site, deram nome e criaram um logo para o negócio. “Entrei só com a ideia”, comenta. No entanto, quando foi necessário investir, ele assumiu a empresa sozinho.

Hoje, ainda não ganha suficiente para poder dedicar-se integralmente à empresa. Funcionário público em Balneário Camboriú, Santa Catarina, o matemático de 28 anos ainda concilia a loja com um emprego na prefeitura. “Abri bem quando estávamos na crise, então ainda não deu para viver só com isso. Quando der, vou investir mais e me dedicar só à empresa”, garante.

O que você encontra em uma loja para canhotos

Assim que inaugurou a loja online Ricardo entrou na internet e começou a procurar fabricantes de produtos para canhotos. Viu que alguns eram bastante caros e resolveu criar suas próprias linhas. Caderno, por exemplo, viu que tinha um preço muito alto e pediu para seu tio, que tem uma gráfica, desenvolver uma tiragem.

Os primeiros itens que a loja disponibilizou eram todos de papelaria: réguas, canetas, cadernos, apontadores e tesouras. Sim, canhotos sofrem para apontar um lápis ou mesmo usar uma simples régua. Hoje, esses itens ainda são os que mais vendem na loja.

Com o passar do tempo, passou a disponibilizar itens de outras categorias: culinária e música. Vende guitarras, contrabaixos, abridores de lata e colheres dobráveis para crianças.

Os preços costumam ser mais caros justamente pela dificuldade em achar alguém que produza aqueles itens. Os valores vão de R$ 16 para uma caneta, passam por R$ 30 em um caderno e chegam a R$ 13, 2 mil para um contrabaixo .

Ricardo ainda pretende vender itens de informática, como teclados e mouse invertidos para canhotos, mas ainda está estudando a melhor forma de importar os produtos. Diz que até o início do próximo ano deverá disponibilizá-los.

“Algumas pessoas vêm agradecer. Há uma senhora de 60 e poucos anos que deixou uma mensagem dizendo que nunca havia conseguido abrir uma lata sozinha e agora podia”, comenta.

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