Centro-Oeste dos Estados Unidos pode ser novo o Vale do Silício
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Centro-Oeste dos EUA poderá ser o novo Vale do Silício

Camila Luz em 21 de setembro de 2016

No Vale do Silício, nos Estados Unidos, estão as maiores empresas de tecnologia do mundo, como Google, Facebook e Microsoft. A região concentra mão de obra qualificada, investidores e possibilidades de fechar negócio. Nas últimas décadas, foi o local ideal para o empreendedor crescer e ter sucesso.

Em 2016, o Vale do Silício pode não ser o melhor local para fundar sua startup. Chris Olsen, co-fundador e sócio da empresa de investimento Drive Capital, afirma que o mercado está se movendo para o Midwest, região Centro-Oeste do país.

A Drive Capital é especializada em investir em companhias que querem se desenvolver na região. “Hoje, mais empreendedores estão construindo companhias bilionárias no Centro-Oeste do que nos últimos 50 anos juntos”, diz o site oficial da empresa. Em artigo para o site Venture Beat, Olsen afirmou que no ano passado mais de 3.500 empresas se instalaram na região que concentra estados como Iowa, Minnesota, Nebraska, Ohio e Michigan.

Mas por que o Midwest? Será mesmo possível que outra região compita em pé de igualdade com o Vale do Silício?

Mercado quente, estudantes de ciências e aluguéis mais baratos

O próprio Chris Olsen acreditava que o Vale do Silício teria as melhores ofertas para startups em relação a investimento e a mão de obra. Há quatro anos, era sócio da firma Sequoia Capital, localizada na Califórnia. Na época, começou a perceber que empresas de tecnologia estavam crescendo rapidamente bem longe do Vale.

Nos últimos 15 anos, as firmas de tecnologia mais valiosas do mundo foram construídas no Vale do Silício. No entanto, nos próximos 15 anos o retorno financeiro virá de companhias de outras regiões.

No artigo, ele conta que se convenceu sobre o potencial do Midwest quando foi visitar seu parceiro na Sequoia, Mark Kvamme, que estava em período sabático em Columbus, capital de Ohio. Kvamme estava ajudando o empresário Sean Lane a tocar sua startup de tecnologia focada em saúde. A ideia era boa e Chris imediatamente sugeriu: “Nós temos que levar essa startup para o Vale do Silício!”. Afinal, seria o único local com talentos disponíveis, investimento, chances para escalar uma grande organização e pessoas que entendessem e comprassem a ideia.

“Você está errado”, respondeu Kvamme. “Quantos hospitais existem no Vale do Silício? Quantos contribuintes de serviços de saúde estão no Vale do Silício?  Quantos engenheiros posso contratar com os US$ 500 mil que tenho disponível? Qual espaço de escritório posso alugar pelo mesmo preço que pago aqui?”, defendeu.

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A startup de Sean está focada em desenvolver tecnologias para aumentar a média de vida do homem em dez anos. Faz sentido, portanto, que ela esteja no Centro-Oeste. Chris começou a pesquisar sobre o potencial de sucesso de empresas de outros ramos e a resposta foi surpreendente: novas startups ambiciosas podem se beneficiar mais das “matérias-primas” oferecidas no Centro-Oeste do que no Vale do Silício.

O Midwest recebe 25% dos dólares de pesquisa nos Estados Unidos e forma mais jovens em ciência da computação do que qualquer outra região. Além disso, o local recebe apenas 4% dos dólares anuais de capital de risco do país.

A desvantagem do Vale do Silício: menos consumidores

Chris também explica que hoje é mais fácil construir empresas longe de grandes pólos de tecnologia. “Tem tudo a ver com timing. Nas primeiras décadas da internet, você precisava estar fisicamente perto de sua tecnologia. Essa tecnologia, o talento que a construiu e o ecossistema que a manteve estavam no Vale”, afirma.

Atualmente, isso não é mais necessário. Uma companhia pode acessar, construir e implantar alta tecnologia de qualquer lugar. “E se você não precisa estar perto da sua tecnologia, onde você se localiza? Sean Lane tinha a resposta. Você fica o mais perto possível dos seus consumidores”, afirma, e no Midwest há uma grande parcela de potenciais clientes.

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