Os jogos de tabuleiro estão de volta e a Galápagos surfa essa onda
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Foto: Istock/Getty Images
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Os jogos de tabuleiro estão de volta; e a Galápagos surfa no retorno

Kaluan Bernardo em 27 de janeiro de 2017

Houve uma época em que numa viagem de férias, famílias e amigos não ficavam sentados em uma mesa olhando para o smartphone. Jogavam jogos multiplayer, mas sem telas. Todos reunidos em volta de um tabuleiro. Essa época está de volta — e a Galápagos Jogos é um ótimo exemplo desse momento.

Se quando falamos em jogos de tabuleiro você consegue lembrar apenas de “War”, “Jogo da Vida”, “Banco Imobiliário” e afins, está um pouco desatualizado. Os jogos de tabuleiro evoluíram muito nos últimos anos. De “Game of Thrones” a “Dixit”, de “Zombicide” a “Xcom”, hoje os jogos de tabuleiro podem envolver regras, bonecos e cenários muito mais complexos. Mas também podem ser um tanto simples, porém inovadores.

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Foto: Istock/Getty Images

A Galápagos jogos nasceu em 2009, justamente quando seus fundadores (os então engenheiros Sasdelli, Thiago Brito e Yuri Fang) perceberam que havia um gargalo de décadas entre jogos estrangeiros e os que jogávamos aqui. “Hoje há novas mecânicas e opções mais divertidas. Se antes o protagonista era o tabuleiro, hoje é o jogador. Você não joga mais o dado e vê o que acontece”, comenta Yuri Fang, CEO da Galápagos.

Mas por que jogos de tabuleiro, independente de sua inovação, continuam atraindo pessoas em tempos de games em realidade virtual, online e com gráficos avançados? “Nos jogos de tabuleiro sua conexão é com pessoas, não só com telas”, diz Yuri. Segundo ele, as famílias e amigos se surpreendem positivamente ao retomar o contato físico, o olho no olho, e perceber que o prazer de ver a reação de alguém perante uma jogada, na sua frente, não pode ser substituída por nenhum game eletrônico.

Yuri Fang

Yuri Fang Foto: Arquivo Pessoal

Apesar disso, Yuri não dispensa a tecnologia nos jogos virtuais. Acredita que experimentos com jogos que começam no tabuleiro e continuam na internet, que usem o smartphone como complemento ou até que trabalhem com realidade aumentada se tornarão cada vez mais comuns. “Não podemos ignorar o quanto o mundo está ficando mais digital”, diz.

Os jogos atingem públicos de seis a 100 anos. No entanto, a maioria, segundo Yuri, é o jovem adulto, entre 20 e 35 anos. É também um mercado predominante masculino, com homens comprando entre 60% e 65% dos jogos. A discrepância, no entanto, já foi maior com as garotas representando apenas 15% do público. “Acredito que essa diferença era maior quando jogos eram vistos como coisas geeks e que geeks eram vistos só como homens. Isso acontece em um país de histórico sexista”, diz Yuri.

“No entanto, acredito que a diferença tende a diminuir cada vez mais. Estamos inserindo jogos que não têm preferência de gênero. Não é só carro para menino e princesa para meninas. Há muito mais que isso”, declara.

Além disso, ele defende que é um mero preconceito a ideia de que jogo de tabuleiro é coisa de nerd ou geek. “Vem de um pensamento que é tudo como RPG, que exige muita dedicação. Ou então que é como xadrez ou dama e então é ‘coisa de velho’. É um mundo cheio de preconceitos. Mas trabalhamos para desmistificar e mostrar que os jogos são para todos, em diversos momentos”, defende.

O mercado de jogos de tabuleiro em expansão

A Galápagos foi criada quando seus sócios. fãs de jogos de tabuleiro, perceberam que, enquanto Estados Unidos e Europa evoluíam nas suas opções, o Brasil parou no tempo.

“Aconteceu um desinteresse das editoras que publicavam jogos no Brasil em relação à inovação. Os que estavam ali faziam sucesso, enquanto os novos não davam resultado porque precisavam ser trabalhados de forma diferente”, explica Yuri. Em sua visão, o que faltava era olhar para eles como produtos de nicho, não de massa.

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“Somos uma empresa pequena. Por isso, um resultado bom para nós não é o mesmo do que para uma grande empresa. Isso nos permitiu existir”, diz. Apesar de se considerar pequena, a Galápagos tem números grandes. O faturamento em 2016 chegou perto de R$ 19 milhões, 25% a mais do que no ano anterior, segundo Yuri.

Um dos principais aprendizados da empresa foi que há muito interesse em grandes jogos internacionais, mas ainda há pouco nos nacionais. Já tentaram, em diversos momentos, lançar jogos brasileiros, mas os números foram muito inferiores aos estrangeiros. “Existem muitos criadores competentes no Brasil, mas o mercado ainda não está no momento certo”, lamenta.

Hoje, as grandes editoras que antes não apostavam em jogos novos, começaram a correr atrás deles. Ao mesmo tempo, empresas menores também entraram no jogo. Mas segundo Yuri, ainda há muito espaço no mercado e, quanto mais competição, melhor.

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