Funcionários contam os prós e contras de se trabalhar em uma startup
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Os prós e contras de se trabalhar em uma startup, segundo ex-funcionários

Kaluan Bernardo em 9 de outubro de 2016

Trabalhar em uma startup não é ficar o dia todo brincando, com tênis de mesa, videogame e comida à vontade. Também não necessariamente é ter ideias mirabolantes e ficar em um cenário competitivo o tempo todo. Esqueça o estereótipo propagado por empresas como Google e Facebook.

Recentemente o jornal britânico The Guardian publicou o texto de um anônimo dizendo como é trabalhar em uma startup. Segundo o autor, é como “ser um bombeiro trabalhando para um incendiário”.

O autor, que trabalhou em duas startups, reclama da gestão, das contratações e do ambiente. Ele argumenta que o defeito das startups é valorizar demais o poder dos fundadores e dos primeiros funcionários, que acabam se tornando gerentes não por mérito, mas apenas por serem veteranos.

Nem muito ao céu, nem muito ao inferno. Conversamos com três funcionários de startups brasileiras para perguntar a eles as dores e as alegrias de colaborar com esse tipo de empresa. Veja algumas de suas considerações:

Startup exige mais autonomia

Amanda Silva*, que trabalhou em startups de educação e em um marketplace, mas também em grandes corporações editoriais, diz que a principal diferença está na autonomia. “Nunca trabalhei como autônoma, mas aqui na startup me sinto mais dona da minha carreira e do meu dia a dia”, comenta.

Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. “Você tem que saber gerenciar bem seu tempo, saber priorizar, cuidar da sua entrega. É diferente de uma corporação, onde o trabalho é muito dividido”, diz Henrique Gonzales*, que trabalhou em um marketplace e em uma startup financeira.

Fernando Montenegro*, que trabalhou como sócio e como funcionário em diversas startups, diz que as principais diferenças estão no risco. “Você tem mais desafios interessantes e menos burocracias, mais agilidade. Mas isso é um perfil para quem gosta de algo arriscado e de inovação. Se você curte ter uma boa estrutura, organização e um grande nome por trás, corporações são melhores”, resume.

Em startup você aprende mais rápido

Algo em que os três concordaram é que em uma startup você consegue aprender muito rápido. “É como você fosse uma esponja em um balde muito cheio”, diz Henrique sobre como se sentia em relação ao aprendizado nas startups.

“Você lida com questões e pessoas de outras áreas no dia a dia. Em empresa comum cada um faz seu trabalho e pronto”, diz Fernando.

Amanda conta que essa troca a faz se sentir mais parte da empresa. “Eu não faço o caixa da empresa, mas eu entendo como o negócio se sustenta. Tem um contato com o empreendedorismo que é importante”, diz.

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Startup é só uma condição

“Uma startup também é uma empresa, só que em um momento diferente”, diz Fernando. O objetivo, como ele lembra, é que a startup também se torne um grande ou média empresa.

Foto: Istock/Getty Images

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Então não adianta se iludir com ambientes descontraídos. “Muitas vezes você tem tudo isso e nem usa. Na prática, a grande diferença está no tipo de trabalho que você fará”.

Henrique concorda e lembra: “uma hora ou outra a startup vai ter que começar a colocar mais políticas e processos para continuar a crescer organicamente”.

Amanda diz que não é a condição de pequeno que, necessariamente, dita como é a cultura da empresa. “Já trabalhei em startups cujos gestores vinham de culturas mais tradicionais e era tudo mais engessado. Não dá pra colocar as coisas em caixinhas de startups e de corporação”, comenta.

Hierarquia é mais “leve”, mas não é bagunça

Por fim, eles falam da hierarquia. Para Henrique, essa é uma das principais diferenças. Ele se incomodava quando, em grandes corporações, ele não podia falar com alguém que estava em um cargo muito mais alto. “Eu dou bom dia da faxineira ao presidente. No fim do dia todos são iguais”, comenta.

pessoas em mesa de reunião

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“Nas startups ninguém estava nem aí de onde eu vi, queriam saber o que eu sei fazer. As pessoas não olham para onde você estudou, mas querem sabe do que você é capaz”, comenta, dizendo que se sentia bem melhor sentando ao lado do CEO da empresa e tendo liberdade para falar diretamente com ele.

Amanda diz que, no fundo, há sim hierarquia. Ela só é menos engessada. “Ela não é tão desenhada de cima para baixo, mas acontece organicamente. Você vai descobrindo com quem precisa lidar para cada assunto. E é bom que seja assim, porque ela ainda é necessária”, diz.

A diferença, segundo ela, está no respeito à especialidade. As pessoas estão muito menos presas ao nível do seu cargo e mais ao quanto de autoridade você tem para falar sobre o assunto.

Fernando concorda, mas diz que muitas startups sofrem para criar uma cultura realmente inovadora. “Muitas vezes, na casa de ferreiro o espeto é de pau. Os empreendedores vão em evento e falam sobre a importância de criar cultura etc. Mas na prática ninguém tem muita ideia do que fazer. E quando a empresa cresce, passa a fazer os mesmos erros do que outras empresas grandes faziam”, diz.

* Os nomes são todos fictícios para protegerem a identidade dos entrevistados.

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