A pobreza extrema está em queda, mas combatê-la ainda é prioridade
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A pobreza extrema está em queda, mas combatê-la ainda é prioridade

Camila Luz em 23 de novembro de 2016

Nos últimos 20 anos, o número de pessoas vivendo em situação de pobreza extrema, com menos de US$ 1,90 por dia, caiu mais do que pela metade. No entanto, 87% dos entrevistados pelo projeto Glocalities acredita que o inverso é verdadeiro: o número de miseráveis teria aumentado ou continua igual.

O relatório, chamado “Rumo a 2030 sem pobreza”, foi divulgado em setembro. Mais de 50 mil pessoas de 24 países foram consultadas. Para os pesquisadores, a diferença entre a realidade e a percepção dos participantes indica grandes desafios de comunicação, tão necessária para garantir maior engajamento do público em geral nas questões sociais e econômicas.

Na pesquisa, foram identificados dois grupos mais bem informados: visionários e otimistas engajados. Somando os dois conjuntos, eles dizem respeito a uma em cada cinco pessoas entrevistadas. Muitos deles são millennials que não apenas adotam uma posição otimista, mas também estão dispostos a entrar no combate à pobreza para atingir o desenvolvimento sustentável, através de seus próprios empreendimentos, negócios sociais e relacionamento com ONGs.

A queda na taxa de pobreza extrema

Segundo dados do Banco Mundial, divulgados este ano no relatório “Pobreza e Prosperidade Compartilhada 2016”, a pobreza extrema diminuiu em todas as regiões do mundo – inclusive na África Subsaariana e em regiões antes miseráveis da América Latina e do Sul da Ásia.

Cerca de um bilhão de pessoas escaparam da pobreza extrema desde 1990 e 60 países presenciaram a melhoria do poder aquisitivo de 40% de sua população. Além disso, em 49 das 83 nações avaliadas, a renda dos mais pobres cresceu mais do que a média.

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Hans Rosling, professor de saúde global do Karolinska Institute, na Suécia, usa dados para desmistificar situações de pobreza extrema nos países subdesenvolvidos. Em palestra no TED, se apoia em infográficos para revelar que aquilo que a maioria das pessoas pensa sobre as condições de vida no Terceiro Mundo está bem distante da realidade.

Durante uma de suas aulas na faculdade, Hans perguntou aos alunos o que eles imaginavam sobre o Terceiro Mundo. Eles disseram: grandes famílias com baixa expectativa de vida. Isso foi realmente verdade em 1962, mas desde então a maioria dos países seguiu a tendência de reduzir o tamanho das famílias e aumentar a expectativa de vida. Há algumas exceções, como a epidemia de HIV na África nos anos 90, responsável por aumentar taxas de mortalidade em regiões do continente na época.

Hans também impressiona ao mostrar que não há um grande gap entre ricos e pobres como todos pensam. A parcela dos 20% mais ricos do mundo fica com 74% da renda total, enquanto os 20% mais pobres recebem apenas 2%. Entre esses dois grupos, há 60% da população mundial, que tem apenas 26% do dinheiro.

Na década de 70, o gap realmente existia e era grande: havia mais pessoas nos extremos do que no meio —  principalmente vivendo em pobreza extrema na Ásia. Nas últimas décadas, essa realidade foi mudando até que a grande maioria da população ficasse localizada no meio, e não nos extremos. Para Hans, essa tendência deverá se manter no futuro.

Hoje, os mais ricos são países europeus e da América do Norte, enquanto os mais pobres ficam no continente africano. Veja o raciocínio de Hans em sua palestra no TED, com legendas em português.

Como acabar com a pobreza extrema até 2030

Apesar da redução do número de pessoas em situação de pobreza extrema, ela ainda existe e é um problema grave. Este ano, a ONU estabeleceu a erradicação da miséria como meta principal do desenvolvimento sustentável.

Para atingir esse objetivo, ainda há muito a ser feito, principalmente na África Subsaariana. Há 389 milhões de pessoas vivendo em condição de pobreza extrema na região, o que equivale a mais da metade do número de miseráveis em outros lugares do mundo.

O relatório do Banco Mundial indica que 50% dos extremamente pobres são crianças, 80% vive em áreas rurais, 39% não passou pela educação formal e 65% trabalha na agricultura.

Para acabar com a miséria até 2030, é preciso reduzir a desigualdade de renda em locais onde a situação é alarmante. O relatório defende o investimento na educação de crianças, saúde, infraestrutura e o repasse de renda a quem mais necessita.

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