Youpix Con 2017 reúne profissionais do conteúdo em São Paulo
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Qual é o futuro do conteúdo, segundo o YouPix Con 2017

Redação em 29 de setembro de 2017

Por Aretha Yarak e Rafael Nardini

A terceira edição do YouPix Con – The Creators Conference aconteceu recentemente em São Paulo. O maior evento de negócios da indústria de conteúdo e entretenimento digital do Brasil reuniu diversas marcas, agências, profissionais, produtores de conteúdo e plataformas para um dia de debates. Um dos focos principais: o conteúdo.

Foram mais de 50 aulas — por streaming ou presenciais — com provocações sobre o futuro, mas também sobre práticas e possibilidades de negócios para a produção de conteúdo. Neste ano, a curadora, cofundadora e diretora criativa do YouPix, Bia Granja, dividiu o encontro em quatro grandes temas: Conteúdo, Negócios, Distribuição e Tendências.

Passaram por lá nomes como Lázaro Ramos, Kondizila, Felipe Neto, Fernanda Cerávolo (diretora do Youtube Brasil), Pitter Rodriguez (diretor de Parcerias de Esportes do Twitter para a América Latina) e Edney Souza.

Seis debates do YouPix Con

1. Sem experimentar, não há progresso

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Já na primeira palestra do evento — conduzida pela própria Bia Granja — foram mostrados os resultados do Youpix Study Tour, uma viagem de imersão feita em Los Angeles, que buscou entender o futuro da produção de conteúdo ao visitar 11 empresas inovadoras em apenas três dias. Os insights foram valiosos. As lições que ficaram foram: Investir nas versões beta e testar tudo constantemente.

Resumindo: Sem fazer experimentação, não há progresso. “Faça o canal, publique alguma coisa. Deu errado? Volta e faz de novo, mas guarde o aprendizado”, disse Bia.

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2. Cada pessoa com seu dado adequado

A própria Bia Granja destacou a necessidade de entender o que os algoritmos e os dados gerados dizem, já que ele são valiosíssimos para guiar a produção e gerir o negócio sustentado pela produção de conteúdo. “É a tecnologia com criatividade humana”, comentou Bia.

Cada time, no entanto, olha para um mesmo dado de maneira diferente. Por isso, é preciso distribuir essas informações corretamente para os times adequados — produção, criadores, vendas, operação e vendas.

3. Como produzir vídeos de forma mais efetiva

Fernanda Cerávolo, diretora do Youtube Brasil, e Pitter Rodriguez, diretor de Parcerias de Esportes do Twitter para a América Latina, discutiram o papel do vídeo nas estratégias de comunicação. Cinco insights que foram colocadas na mesa:

I – Quanto mais as plataformas investem em novas ferramentas, melhor será para a experiência do usuário. “Vamos continuar lançando novas ferramentas porque competimos pelo tempo das pessoas”, comentou Fernanda.

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II – Cada plataforma tem seu papel e, por isso, não complementares (e não concorrentes). A opção por cada, acredita Rodriguez, diz menos sobre os recursos que ela apresenta e mais sobre o timing e contexto daquela rede. Um dado que pode ajudar a entender melhor esse conceito: 41% das pessoas dizem descobrir vídeos via Twitter. “Isso é tão importante que o YouTube é o único link que aparece renderizado no Twitter. Acreditamos no crossmedia”, comentou Rodriguez.

III – Uma dica importante dada por Fernanda: se as plataformas estão lançando novos recursos, teste. Esses lançamentos são feitos com base em dados, nada é à toa. Por isso, vale experimentar.

IV – Quer fazer um ao vivo no YouTube? O potencial sucesso não tem a ver com o produto em si, mas com o tipo de conteúdo que vai ser divulgado. “É a experiência que conta, é uma comunicação um a um, como se houvesse uma conversa com quem assiste”, comenta Fernanda. Ou seja: é preciso interagir com o público.

V – Tela na vertical ou na horizontal? O que for melhor para a captação da imagem. “Transmissão de esporte não pode ser na vertical, por exemplo”, comenta Rodriguez. Cada proposta tem seu formato, não fique restrito.

4. A Globo entra de cabeça nas multiplataformas

Colocar no ar um programa de TV criado com a colaboração de internautas de todo o país. Foi esse o desafio do ator Lázaro Ramos ao criar o Lazinho com Você, que estreia dia 10 dezembro. “Tudo é compartilhado na nossa plataforma online. As pessoas depositam ali suas ideias e criações, vale tudo: uma música, uma letra, um poema, um roteiro”, comentou o ator.

Para por de pé o formato inovador do case “Globo Lab Lazinho com Você” foi preciso reestruturar uma metodologia já enraizada na casa, estudar formatos jurídicos, criar uma tecnologia específica e trabalhar sem parâmetros existentes.

Se antes a Globo detinha os direitos autorais por anos, agora isso acontece por apenas três meses. Depois, ele retorna à pessoa que teve aquela ideia. Toda colaboração é remunerada: um minuto de produção vale, por hora, R$ 2.000, a ser dividido por todas as pessoas que participaram do processo criativo daquele um minuto.

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“Queremos abrir novos caminhos na comunicação”, comentou Lázaro Ramos. Como ainda não pode divulgar os quadros que irão ao ar (para não correr o risco de cópia de outras emissoras), a equipe coloca uma provocação com um tema e data de encerramento. As pessoas respondem fazendo o upload de suas criações, que podem ou não serem selecionadas. Tudo o que é colocado ali, no entanto, pode ser baixado por qualquer outro usuário.

No segundo momento, os donos das ideias selecionadas são reunidos em fóruns para trabalhar em conjunto e desenvolver o produto final. Por exemplo: podem ir para a mesma sala alguém que fez a letra de uma música, uma melodia e um produtor musical. As redações são feitas em ciclos produtivos. “Por isso, o material que foi enviado não vai ser exatamente aquele veiculado na TV”, comentou Elisio Lopes, redator do programa.

A primeira temporada de “Lazinho com Você” terá cinco programas e termina dia 5 de janeiro. O site já está no ar.

5. Streaming é a nova TV a cabo?

Netflix, Hulu, Amazon, HBO Go, mas também GloboPlay, Telecine Play. Ana Gabriela (responsável pelas séries produzidas nos estúdios Globo), Jotagá Crema (roteirista e diretor da série 3% da Netflix) e Daniela Busoli (fundadora e CEO da Formata Produções). Como já dizia a mesa, a ideia era tentar entender se a TV a cabo — que enfrenta problemas sérios para reter seus assinantes — vai sobreviver dentro de alguns anos. Para todos, a resposta é: vai, mas precisará se reinventar.

“Sendo o streaming uma bolha ou ou não, vamos aproveitar para aprender e amadurecer. O mercado brasileiro cresce na mesma força que o americano, que registra uma alta de 100% de crescimentos nos últimos anos”, disse Ana Gabriela. A própria Globo, onde ela trabalha, tem feito a transição digital muito aos poucos. Mas ela não acredita que a maior emissora do país esteja tentando ficar fora do streaming. “Não tem canibalização [da internet com a televisão]. A gente quer entregar para o maior número de pessoas o nosso conteúdo”.

Na mesma linha, segue o roteirista e diretor Jotagá Crema. “Para mim, não importa a tela. Importa fazer criação, conteúdo”, resume, o que aponta ser uma qualidade necessária para os profissionais de comunicação. Mas ainda valem os métodos mais antigos, segundo ele: “O 3% foi a terceira produção internacional da história da Netflix, e foi fruto do marketing de guerrilha”, conta o roteirista. Conteúdo bem feito, é conteúdo sem fronteiras: “3% é a série não falada em inglês mais assistida por americanos, 50% da nossa audiência é estrangeira”.

Por fim, um dado muito importante e pouco levantado pelos profetas do fim da televisão: o custo. Daniela Busoli comparou os modelos de assinatura, lembrando que, se a TV a cabo não é barata, os streamings também ficaram salgado. Mas não é só isso: a própria entrega dos conteúdos de streaming tendem a se parecer com a TV a cabo. “Se alguém assinar Hulu por ‘Handmaid’s Tale’, Amazon por outra série e Netflix pelos especiais todos dela, você vai começar a pagar um monte de streaming por conta de cada produção. Vai ser parecido com o que temos na TV a cabo, que reclamamos de pegar um monte de canais que não usamos”.

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6. E aí, a TV morreu ou não?

“A gente precisa entender que conteúdo é a jornada da pessoa da hora que acorda até quando vai dormir. O SBT, por exemplo, tem programação infanto-juvenil muito grande e foi o consumidor que nos conduziu até o digital. A gente precisou entender que Chiquititas, Carrossel e outros programas têm consumidores muito diferentes da TV, daquela coisa binária, com horários certos”, explicou Marcelo Parada, diretor comercial e de marketing do SBT, que comemorou o número de 26 milhões de inscritos em canais de YouTube de artistas e programas da emissora.

O youtuber Felipe Neto, o 4º maior do Brasil, criticou a dificuldade que a publicidade brasileira tem de se desvencilhar da TV aberta. “O Brasil hoje é um dos mais atrasados do mundo no entretenimento em relação à migração de investimento publicitário da televisão para o online. É um dos maiores consumos de YouTube per capta do mundo. Um fator determinante não está sentado aqui do lado. Nunca falei mal com alguém da Globo ao meu lado. Há 50 anos, a Rede Globo estabeleceu relações com agências para além dos resultados. Como a audiência cai e a receita sobe?”. Para ele, morrer a TV aberta não vai, mas precisará aprender a lidar com os concorrentes cada vez mais poderosos na internet e, principalmente, com a queda nas receitas publicitárias.

Daniela Cachich, vice-presidente de marketing da PepsiCO, fez uma relação entre a necessidade do on demand e a procura dos consumidores por experiências mais individualizadas. “Procura-se um conteúdo mais bem desenvolvido para o indivíduo. Se o conteúdo deve ser individualizado, melhor que ele esteja sempre disponível, on demand, na hora que ele quiser e puder consumir”.

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