CCXP: Youtuber é coisa séria e não existe fórmula para dar certo
CCXP_youtuber
Foto: Andre Conti/Daniel Deák
Nova Economia > Criativos

Youtuber é coisa séria e não existe fórmula para dar certo

Redação em 13 de dezembro de 2016

Por Kaluan Bernardo e Pedro Katchborian

Não é de hoje que ouvimos falar sobre o crescimento e a profissionalização dos youtubers. Constantemente respondendo perguntas sobre como chegaram ali e quais as chaves para o sucesso nesse concorrido cenário, alguns deles estiverem presentes na Comic Con Experience,  a CCXP, em São Paulo, e deram dicas para iniciantes.

Os youtubers se manifestaram em dois painéis diferentes. No primeiro, participaram: Pyong Lee (Pyong Lee TV), Luba (LubaTV), Lully (Lully de Verdade) e Rodrigo Fernandes (Jacaré Banguela). No segundo, estavam: PC Siqueira (Mas Poxa Vida), Maurício Cid (Cid Cidoso), Tavião (Rolê Gourmet), Marco Castro (Castro Brothers), e Nathalia Arcuri (Me Poupe). Saiba mais o que eles têm a dizer.

Cada youtuber começa de um jeito

Algo ficou bem claro no painel: raramente há um padrão entre os canais de sucesso. Pyong Lee, que tem um canal com mais de 3 milhões de inscritos, começou sozinho. “Não conhecia ninguém no YouTube”, afirmou. “Fiz uns 25 mil inscritos e parei por ali”, diz. Para ele, a chave do sucesso foram os colabs — quando a pessoa grava com outros canais. A partir dali, Pyong gravou vídeos todos os dias durante mais de um mês. “Crescemos e ultrapassamos 715 mil inscritos”, afirmou Pyong, que fala sobre hipnose em seus canais.

Já Luba contou que a chave do seu sucesso foi outra: “o que me fez chegar onde estou foi a constância”. Hoje, com 3,5 milhões de inscritos em seu canal principal e mais 1,2 milhão no de games, ele publica vídeos todos dias em algum dos dois canais. Também explica que não fez um vídeo viral. “O que fiz de verdade foi criar uma comunidade, uma turma”, destaca. “Foi gradativo”, explicou Luba.

Lully atinge um público menor: 300 mil pessoas. Mas não necessariamente isso é algo ruim. Com foco em cinema, ela explica que foi a partir do momento em que tornou o seu canal de nicho que o sucesso veio. “Eu comecei a viver do YouTube quando parei de fazer um vídeo qualquer”, diz. Foi quando começaram a aparecer os contratos de publicidade. Rodrigo Fernandes, do Jacaré Banguela, concorda. “Para os anunciantes faz muito mais sentido quando é um público ‘nichado’ e específico“, disse.

Rodrigo Fernandes já completou mais de uma década fazendo vídeos. “Em 2004, ninguém pagava nada na internet”, afirma. Seu primeiro pagamento foi um convite para inauguração de um bar e, quando as pessoas viram a cobertura profissional, passaram a olhar para o Jacaré Banguela de outra forma. “Era uma linguagem diferente”, diz.

Os quatro youtubers também destacaram que é necessário aprender a gravar e editar. “Tem um monte de tutorial na internet”, afirmou Pyong Lee. Outro destaque interessante é o dinheiro. Como viver de YouTube? Um conselho de Luba é ter paciência: depois de três anos, ele ganhava apenas R$200 ou R$300. “Pode demorar muito”, diz.

Mas youtuber é profissão?

O segundo painel foi deveras interessante e mostrou o quanto a produção de conteúdo amadureceu desde os imemoriais tempos de Orkut. Se um dia ser youtuber significou gravar qualquer coisa com uma câmera amadora, falar bobagens para adolescentes ou ficar famoso sem precisar de conteúdo, hoje as coisas não são (sempre) assim.

LEIA MAIS
CCXP 2016 além dos grande paineis: dois olhares sobre o evento
LEIA MAIS
As dicas de Frederico Elboni para você criar um canal no YouTube

O bate papo nem tinha “youtuber” no nome — apesar de todos os participantes terem canal no YouTube. Falava-se em “Creators”, aqueles que produzem conteúdo na internet. Os participantes veem seu trabalho muito além da plataforma.

“Não gosto do termo youtuber, somos produtores de conteúdo e somos empreendedores. É uma empresa, ganhamos dinheiro com isso”, comenta Nathalia Arcuri, do canal Me Poupe. “Apesar disso, [o termo youtuber] é um mal necessário para as pessoas entenderem o contexto em que está inserido”, diz Marcos.

CCXP Youtubers

Pyong Lee (Pyong Lee TV), Luba (LubaTV), Lully (Lully de Verdade) e Rodrigo Fernandes (Jacaré Banguela). Foto: Andre Conti/Daniel Deák

Justamente por irem além do YouTube, os participantes falaram em diversificar conteúdo. Tal como um investimento financeiro, a produção precisa ser diversificada. Se você está pensando em criar para web, é importante pensar que as pessoas que assistirão a seu vídeo no YouTube são bem diferentes das que assistirão no Facebook. Assim, você poderá criar pensando em cada tipo de público que terá em cada plataforma — e ficará menos refém de todas elas. “A palavra de ordem é segmentação. Cada plataforma tem seu público e você tem que falar sabendo qual é qual”, resume Marcos.

Mauricio Cid exemplifica isso. Ele diz que seu blog tem um público universitário, enquanto o canal no YouTube é mais jovem e o podcast é um terceiro grupo, completamente diferente. “Podcast é uma mídia de difícil acesso mas tem um publico muito apaixonado”, explica.

Uma diferença, no entanto, segundo Tavião, é que o YouTube conseguiu criar uma comunidade e uma identidade. “O Facebook não tem um movimento para criar uma identidade naquela plataforma pra quem produz conteúdo. Existem o estereótipo dos youtubers e dos tuiteiros, mas não tem do Facebook ou do Vimeo. Tudo parte de como a comunidade de produtores se organiza. Como o Facebook não tomou esse cuidado, seus criadores ainda só pensam em visualizações — o que deixa tudo meio caótico”, diz.

youtubers

PC Siqueira (Mas Poxa Vida), Maurício Cid (Cid Cidoso), Tavião (Rolê Gourmet), Marco Castro (Castro Brothers), e Nathalia Arcuri (Me Poupe). Foto: Andre Conti/Daniel Deák

Não é só uma questão de variar plataformas, mas também conteúdos. “Quando você fala youtuber por vezes vem uma imagem de alguém específico que não representa todo mundo”, diz PC. “Ser youtuber não é ser famoso. A gente não vê, por exemplo, muito conteúdo para pessoas mais velhas no YouTube. Só se pensa em adolescente. Tenho tentado abordar temas que não nivelem a inteligência das pessoas por baixo. Eu tenho 30 anos e não adianta ficar querendo ser um moleque jovem e descolado”, comenta.

“Mas acho que estou mudando aos poucos. Mudando a linha editorial, vejo outros amigos que não assistiam e agora me veem. Se houver uma movimentação desse tipo, é possível trazer um público novo”, conclui.

Nathalia, que fala sobre finanças pessoais, concorda que é possível criar conteúdo para pessoas mais adultas, mesmo no YouTube. “A maior parte do público tem de 18 e 40 anos e precisa se criar conteúdo para eles. Agora que as pessoas sabem que podem encontrar discussões sérias do mundo geek, culinária, finanças etc…, é necessário atendê-las”, resume.

Sinal do amadurecimento do ecossistema de criadores era o fato de Cid já ter entrevistado candidatos à presidência, enquanto Nathalia entrevistou os que disputavam  a prefeitura de São Paulo. Nessa transição em que profissionais independentes saem na frente de muitos jornais ao produzir conteúdo leve, a profissionalização dos criadores é cada vez mais evidente.

Gostou deste post? Que tal compartilhar:
ESCOLHA DO EDITOR
Últimos
Trend Tags
Array ( [0] => 205 [1] => 76 [2] => 12 [3] => 237 [4] => 97 [5] => 249 [6] => 222 [7] => 62 [8] => 157 [9] => 276 [10] => 259 [11] => 86 [12] => 267 [13] => 94 [14] => 68 [15] => 16 [16] => 167 [17] => 115 [18] => 186 [19] => 17 [20] => 102 [21] => 173 [22] => 238 [23] => 175 [24] => 92 )
Vídeos
Copyright © 2016 Free the Essence