Direito ao reparo: EUA lutam contra monopólio do conserto
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Direito ao reparo: nos EUA, estados lutam contra monopólio do conserto

Kaluan Bernardo em 10 de fevereiro de 2017

Quem já teve um iPhone ou outro produto eletrônico quebrado sabe como é a dor de cabeça para consertar. Muitas vezes a peça oficial sai quase o preço do produto. Enquanto isso, lugares de assistência técnica não autorizada sofrem para conseguir acesso a peças, muitas vezes recorrendo ao mercado cinza e importando de países como China. Nos Estados Unidos, onde se vive a mesma situação, alguns estados estão brigando pelo “direito ao reparo“.

Ao menos nos estados de Nebraska, Minnesota, Nova York, Massachussets e Kansas foram apresentadas leis que garantam aos técnicos e clientes terem acesso a peças oficiais e, assim, conquistarem seu direito ao reparo. Segundo o site Motherboard responsáveis esperam aprovar a legislação em pelo menos um estado, mas focam principalmente em Nova York.

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A Apple é uma empresa no alvo da nova legislação. A gigante estadunidense não permite que assistência técnica independente tenha acesso a peças oficiais, apesar de diversas pequenas empresas fazerem o conserto todos os dias — mas recorrendo ao mercado cinza.

Máquinas de lavar louça, de lavar roupa, geladeiras, tratores, câmeras, qualquer dispositivo com componentes eletrônicos passa pelo mesmo problema. Além de dificultarem o acesso às peças, muitas vezes as fabricantes instalam softwares de proteção para dificultar ainda mais o conserto. A ideia é manter os clientes com a única opção de recorrerem à assistência técnica oficial.

“Canais limitados e autorizados resultam em preços altos e inflados, além de uma grande invalidez de itens eletrônicos”, escreveu o legislador que apresentou a lei em Nova York. “Outra preocupação é a grande quantidade de lixo criado devido à impossibilidade de consertar eletrônicos quebrados”, continuou.

O movimento pelo direito ao reparo

A legislação nos estados é um movimento da Repair Association, criada em 2013. Em sua página, eles dizem que representam todos envolvidos no reparo da tecnologia — dos que consertam coisas por hobby aos técnicos independentes e organizações ambientais.

Mais do que fazer lobby para modificar a legislação, eles também promovem uma rede de troca de conhecimentos e discussões para alavancar a indústria do reparo. Inspiram-se em uma legislação de 2012, aprovada em Massachussets, que trouxe o direito ao conserto aos automóveis, permitindo que mecânicos independentes também tivessem acesso às peças.

“Cada um de nossos membros está no negócio dos reparos”, disse Gordon-Byrne, diretor executivo do grupo, à Motherboard. “Somos um movimento popular. A maioria dos negócios de conserto são muito pequenos e não é difícil provar isso”, disse.

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Curiosamente um dos principais grupos que defendem o movimento não são os geeks cheios de gadgets, mas os fazendeiros. Isso porque os equipamentos rurais também são protegidos por assistências técnicas oficiais. Muitas vezes donos de tratores ficam dias com o equipamento parado esperando um técnico autorizado trocar um simples chip quebrado.

É por isso que organizações como a AmericanFarm Bureau, presente nos 50 estados dos EUA, está entrando na briga e pedindo por leis específicas que facilitem o acesso ao conserto por fazendeiros.

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