Exchange do Bem permite fazer voluntariado em outros países
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Foto: Reprodução/Exchange do Bem
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Exchange do Bem une intercâmbio ao trabalho voluntário

Kaluan Bernardo em 18 de julho de 2017

Tirar férias e viajar por turismo é muito legal. Mas que tal utilizar esse tempo em outro país fazendo trabalho voluntário e ajudando quem precisa? Esse é um conceito forte em muitos lugares e que, no Brasil, começa a ganhar força com uma startup chamada Exchange do Bem.

A ideia é bem simples: você entra no site, escolhe que tipo de trabalho gostaria de fazer e em qual país. Na sequência, eles oferecem acomodação, alimentação, te colocam em contato com a ONG que irá trabalhar etc. Se quiser, também te ajudam a contratar passagem aérea.

“O que me deu um estalo e me fez sair da multinacional [na qual trabalhava] foi um dia em que a CFO (Chief Financial Officer) chamou o pessoal e falou que precisávamos dar novo retorno para os acionistas”, comenta Francisco Cavalcanti, 32 anos, um dos fundadores da iniciativa. ”Comecei a me questionar e perceber que tudo o que fazia era dar mais dinheiro para alguém que já tem muito dinheiro”, comenta.

Não só as metas, mas a “participação acionária”, por assim dizer,  também é um tanto diferente na Exchange do Bem. A empresa fica com uma comissão sobre os pagamentos agenciados. E eles prometem que 10% do lucro vai para projetos sociais ao redor do mundo.

Os programas na plataforma são divididos em “educação”, “esportes”, “comunidade”, “proteção à infância”, “saúde”, “empoderamento feminino” e “proteção aos animais”.

Há possibilidades para ensinar línguas e meditação para crianças, gerar oportunidades para mulheres ou ajudar com cuidados médicos a animais, por exemplo.

Entre os países contemplados estão África do Sul, Índia, Quênia, Costa Rica, Nepal, Sri Lanka, Vietnã, Gana, Peru e Tailândia. Os fundadores afirmam que, em breve, também haverá possibilidade de fazer intercâmbios no próprio Brasil.

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Os intercâmbios duram entre duas e quatro semanas. Os valores mudam bastante, principalmente quando se consideram as passagens aéreas. Apenas como exemplo: duas semanas em Gana costumam custar US$ 290, enquanto duas semanas no Peru custam US$ 640.

O intercambista paga pela hospedagem e alimentação em um lugar que não seja da ONG – afinal, justamente por estar carente de recursos, a ONG não tem como custear a hospedagem de voluntários. Normalmente é exigido ainda inglês básico ou intermediário para poder realizar os trabalhos.

Intercâmbio com trabalho voluntário

As primeiras sementes da empresa surgiram em 2012, quando Eduardo Mariano, 26 anos, foi estudar na França. Após aprender sobre marketing, políticas internacionais e economia, fez um intercâmbio para o Nepal, onde começou a trabalhar como voluntário.

Após voltar ao Brasil e trabalhar em multinacional, percebeu que não era aquilo que queria da vida mais.

Juntou-se a Francisco Cavalcanti, 32 anos, já insatisfeito com as cobranças por melhorar ainda mais os rendimentos dos acionistas e com quem estudava na UFRGS, e decidiram, em 2016, começar a estruturar uma empresa para conectar outras pessoas com vontade de fazer intercâmbio com trabalho voluntário.

“Queríamos tornar o mundo um lugar mais justo. Sempre fiz voluntariado aqui em Porto Alegre e, quando morei nos EUA, estudava em uma escola que tinha [trabalho voluntário]. Lá fora é mais comum se envolver em projetos sociais”, diz.

Segundo Francisco, 100% dos participantes voltaram relatando que suas vidas foram transformadas. Francisco comenta:

As pessoas fazem o intercâmbio e conseguem dimensionar o tamanho de seus problemas. E, mais ainda, conseguem sentir que seu trabalho teve efeito positivo na vida de alguém. Você coloca uma perspectiva global e percebe que tem muitas coisas pequenas a se valorizar.

Ele relata o exemplo de uma participante que foi para o Quênia e para o Sri Lanka. No primeiro caso, trabalhou em um orfanato em situação de risco. Conseguiu comprar movéis para as crianças e convenceu família e amigos a comprarem uma série de itens para o orfanato, que ficou muito mais estruturado.

A empresa, lançada em 2017, ainda não tem lucro, mas já proporcionou 49 intercâmbios solidários em diversos países. É que para a Exchange do Bem, a saúde financeira é importante. Mas ninguém precisa ficar para trás para eles chegarem lá.

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