Amazon vai testar jornada de trabalho de 30 horas
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Amazon vai testar jornada de trabalho de 30 horas em programa piloto

Camila Luz em 10 de setembro de 2016

Um grupo selecionado de funcionários da Amazon irá cumprir jornada de trabalho de apenas 30 horas semanais. O programa experimental será constituído por profissionais de tecnologia. Eles irão receber os mesmos benefícios das equipes que cumprem carga horária completa (40 horas), mas salário reduzido em 25%.

pessoas trabalhando com programação em notebooks

Foto: Istock/Getty Images

Atualmente, a empresa emprega alguns funcionários em tempo parcial. O programa piloto será diferente pois todos os funcionários das novas equipes, incluindo líderes e gerentes, terão jornada de trabalho de 30 horas. O objetivo é testar um modelo mais flexível, no qual trabalhadores tenham tempo livre para se dedicar a seus filhos, pais idosos ou a outras atividades que julguem importantes.

A Amazon quer entender se a jornada de trabalho reduzida poderá aprimorar a produtividade de seus funcionários, ou ao menos funcionar tão bem quando a integral. “Queremos criar um ambiente de trabalho adaptado a um horário reduzido e que ainda promova crescimento e sucesso na carreira”, disse o diretor executivo da empresa Jeffrey P. Bezos em seminário informativo, segundo o Washington Post. “Esta iniciativa foi criada com a força de trabalho diversificada da Amazon em mente e a percepção de que a programação em tempo integral tradicional talvez não seja o único modelo possível”, completa.

Outro objetivo da Amazon é atrair os melhores cérebros do mercado para integrar sua força de trabalho, tornando-a mais qualificada.

Como irá funcionar a jornada de trabalho reduzida   

Em um primeiro momento, o programa piloto será pequeno, constituído por algumas dezenas de pessoas. As equipes vão trabalhar em produtos de tecnologia dentro da divisão de recursos humanos da empresa, cumprindo a carga horário de 30 horas semanais. Eles irão trabalhar de segunda à quinta, das 10h às 14h, com horas flexíveis adicionais.

Como o salário será reduzido, os funcionários poderão mudar para a carga horário completa caso prefiram. Os membros das equipes serão novos contratados ou antigos funcionários que topem participar do programa.

De acordo com o Washington Post, a Amazon não tem planos de alterar a a jornada de trabalho de toda a empresa, que atualmente cumpre 40 horas semanais (oito horas por dia, de segunda à sexta). No entanto, caso o programa seja um sucesso, poderá inspirar outras companhias a adotar rotinas mais flexíveis.

O que a jornada de trabalho reduzida poderá fazer pela Amazon

Multinacionais como a Deloitte e a KPGM oferecem jornadas flexíveis, exigindo que o funcionário compareça ao trabalho apenas quatro vezes na semana. No entanto, continuam apegadas à carga horária de 40 horas semanais. “Muitas companhias têm falado em reduzir a jornada de trabalho, mas não parece que realmente vão fazer alguma coisa sobre isso”, disse Ellen Galinsky, presidente e fundadora do Instituto da Família e do Trabalho, também ao Washington Post.

Ellen acredita que se o programa de uma empresa tão grande como a Amazon tiver sucesso, isso irá ajudar a quebrar o tabu associado a jornada de trabalho reduzida.

Há um estigma contra trabalhar horas reduzidas, ou trabalhar meio período. Os próprios nomes, “reduzida” e “meio período”, dão a impressão de desvio da norma, como se o funcionário estivesse fazendo menos do que devia.

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Além de estabelecer horários mais humanos, que podem motivar o funcionário a dar o melhor de si enquanto trabalham para voltar para casa mais cedo, o programa poderia melhorar a diversidade dentro da Amazon, diz Ellen. Assim como outras grandes empresas de tecnologia, a Amazon ainda emprega mais homens do que mulheres: 76% dos cargos de gerência e liderança estão nas mãos do sexo masculino.

Uma jornada de trabalho de 30 horas semanais poderia encorajar mulheres, que tendem a assumir mais responsabilidades domésticas do que homens, especialmente em relação aos filhos. “A Amazon não é muito boa em promover e manter mulheres, e a ironia é que sua base de consumidores é muito diversificada”, afirma Ellen. “Então temos essa ‘orelha surda’ na tecnologia para esse grupo vital de consumidores”, completa.

Amazon é posta contra a parede

O anúncio do novo programa veio um ano após a Amazon enfrentar críticas feitas em reportagem do New York Times. O jornal estadunidense afirmou que a companhia estava encorajando seus funcionários a trabalhar 80 horas semanais enquanto raramente tiravam férias.

A matéria diz que, apesar de ser uma empresa inovadora, em seus escritórios usa “ferramentas psicológicas para estimular seus milhares de trabalhadores a fazer mais e mais”. Esse processo começa mesmo antes do funcionário ser contratado e se intensifica quando assume o cargo.

O novo trabalhador já entraria para a empresa se sentindo lisonjeado por ter sido escolhido e intimidado pela quantidade de responsabilidades que são jogadas em suas costas. A Amazon relacionaria o sucesso dele diretamente ao sucesso dos projetos aos quais está ligado, causando uma pressão sem tamanho.

O programa da Amazon que instaura a jornada de trabalho de 30 horas pode ser tentativa de se redimir, mas ainda assim é um exemplo para que outras empresas testem rotinas inovadoras e possivelmente benéficas para a saúde de seus empregados.

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