As empresas de tecnologia nunca foram tão grandes e poderosas
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Apple Store, Nova Iorque. Foto: Istock/Getty Images
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Por que as empresas de tecnologia nunca foram tão grandes e poderosas

Kaluan Bernardo em 4 de outubro de 2016

O mundo mudou. E as empresas que dominam ele também. Se em outros tempos petrolíferas como a Exxon e varejistas como o Walmart eram as maiores do planeta, hoje companhias tecnológicas como Apple, Alphabet (dona do Google), Amazon e Facebook são muito mais poderosas.

Em setembro, a revista britânica Economist dedicou uma edição para discutir as mudanças proporcionadas pela consolidação de empresas gigantes, a maioria delas na área de tecnologia. Apesar da imagem de startups que começaram dentro de uma garagem e hoje são descoladas e flexíveis, as gigantes de tecnologia se tornam cada vez mais concentradoras de mercado e ativos.

Gigantes de tecnologia concentram mais capital

No editorial, a revista argumenta que uma das maiores mudanças está acontecendo em termos de concentração econômica. Eis alguns dos números que a Economist traz de diversos institutos de pesquisa:

  • 10% das empresas de capital aberto geram 80% dos lucros no mundo;
  • Empresas com mais de US$ 1 bilhão de receita anual são responsáveis por 60% das receitas geradas anualmente no planeta;
  • Em 1990 aconteceram 11.500 fusões e aquisições que, na época, eram equivalentes a 2% do PIB mundial; em 2008 foram 30 mil, responsáveis por 3% do PIB;
  • Nos Estados Unidos, em 1994, as 100 maiores empresas da lista da revista Fortune eram responsáveis por 33% do PIB; em 2013 dominaram 46% dessa parcela. Isso tudo gerou impacto na geração de negócios. Diferente do que se acredita, os Estados Unidos não têm cada vez mais empresas. Em 1997 eram 6.797 companhias por lá, mas em 2013 eram apenas 3.485.

Apesar do discurso de empreendedorismo que vem do Vale do Silício, hoje é mais difícil criar uma startup – mesmo nos Estados Unidos. A revista cita pesquisas acadêmicas afirmando que o número de startups lá hoje é o mais baixo desde 1970. E mais empresas morrem do que nascem.

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É nesse contexto que Peter Thiel, polêmico investidor do Vale do Silício, co-fundador do PayPal ao lado de Elon Musk e um dos primeiros a aportar no Facebook, declarou que “competição é para perdedores”.

Nesse cenário, são as empresas de tecnologia que passam a concentrar mais as riquezas e os ativos. Veja no gráfico abaixo, da Economist, como Apple, Alphabet e Microsoft tomaram o posto das maiores empresas do mundo em 2006 e em 2016. Os valores correspondem ao seu valor de mercado, em bilhões.

gráfico com números sobre os maiores da tecnologia

Foto: Reprodução

Empresas de tecnologia, via de regra, empregam menos do que setores mais tradicionais empregavam antigamente. Em 1990, por exemplo, as três maiores montadoras de carros em Detroit, EUA, tinham valor de mercado em US$ 36 bilhões e 1,2 milhões de empregos. Em 2014, as três maiores empresas do Vale do Silício tinham valor de US$ 247 bilhões (quase sete vezes mais), mas empregava apenas 137 mil funcionários (quase nove vezes menos).

O fenômeno das gigantes com menos funcionários, embora seja mais intenso entre as empresas de tecnologia, não pertence apenas a elas. A Exxon, maior petrolífera do mundo, tinha 1.500 funcionários em 1.960. Hoje, apesar de ter se fundido com a Mobil, tem menos de metade. As gigantes crescem cada vez mais, mas precisam cada vez menos estrutura graças à tecnologia.

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