Por que a automação dos empregos poderá ser pior para as mulheres
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Por que a automação dos empregos poderá ser pior para as mulheres

Kaluan Bernardo em 11 de janeiro de 2017

Pesquisadores da Universidade de Oxford acreditam que, nos próximos 20 anos, ao menos 47% dos empregos nos Estados Unidos serão substituídos por robôs. E, não obstante os desafios naturais de tamanho processo de automação, há uma parte da população que irá sofrer mais as consequências: as mulheres.

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Isso porque, quando os robôs começarem a ocupar os empregos de colarinho branco, as profissões que ainda terão espaço para humanos serão justamente as da área de ciência, tecnologia, engenharia e matemática — onde a desigualdade de gênero é mais latente. A correlação é feita pelo Fórum Econômico Mundial.

Essas são áreas que há muito tempo são desiguais para mulheres. Segundo o estudo do Fórum, apenas 32% dos graduados nessas áreas são mulheres. Colocando uma lupa sobre os números: apenas 11% dos empregos em arquitetura e engenharia no mundo são de mulheres; em computação e matemática o índice é de 23%.

O estudo diz que tanto homens quanto mulheres perderão empregos; o problema é que elas enfrentarão mais dificuldades de se recolocar no mercado de trabalho. Entre 2015 e 2020, por exemplo, a expectativa é que, para cada três homens que perderem emprego, um conseguirá um novo. Já para as mulheres, a proporção será de um para cinco.

A boa notícia é que a chegada das máquinas tanto no mercado de trabalho quanto nas casas é uma oportunidade para desconstruir tabus. “O trabalho doméstico poderá ser automatizado, aliviando algumas das atuais carreiras duplas e permitindo que mulheres usem suas habilidades na economia formal. Mudanças do que tradicionalmente foram papéis do homem na força de trabalho também permitirão reformar a divisão em casa”, diz o estudo.

Como fazer para mudar o cenário da desigualdade de mulheres na tecnologia

Embora esse futuro apontado pelo relatório seja uma tendência, ele não necessariamente é uma fatalidade. Há caminhos para mudar o cenário e construir uma sociedade mais igualitária para homens, mulheres e máquinas.

“Para nivelar os benefícios da diversidade de gênero, as empresas precisam de uma aproximação geral, começando pelo topo. Gerenciar ativamente talentos, em vez de comprometimento passivo, tem mostrado retornos melhores. Enquanto algumas das transformações em práticas corporativas e políticas públicas irão exigir adaptação, no curto prazo, por famílias, empresas e setor público; no longo prazo, a subsequente expansão de oportunidades para mulheres tem o potencial de transformar economias, sociedades e demografias de nossos países como um todo”, diz a organização.

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Com base em respostas de diversos especialistas, o relatório diz que, para alcançar a paridade de gêneros, o mais essencial é, respectivamente, promover políticas de equilíbrio entre vida pessoal e profissional; estabelecer metas e medir o progresso; e desenvolver lideranças e treinamentos de mulheres.

Eles recomendam estabelecer mecanismos que procurem equilibrar a diversidade em todos os níveis, com uma base de dados transparente, mostrando a evolução das políticas, atentando-se à igualdade de salários de homens e mulheres.

Além disso, é importante promover uma cultura dentro das empresas que não só atraia, mas também retenha o talento feminino — algo que pode começar por programas de treinamento e oportunidades para mulheres liderarem.

Para alcançar o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, é necessário pensar em políticas para mulheres mais velhas e mães, além de programas para cuidar das crianças e permitir que a mulher continue progredindo na carreira. É importante também oferecer horas flexíveis de trabalho para homens e mulheres cuidarem de seus filhos.

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