A Cabe na Mala tentou fazer disrupção no Brasil; conheça os desafios
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Foto: Istock/Getty Images
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Cabe na Mala tentou fazer disrupção e por isso enfrentou grandes desafios

Kaluan Bernardo em 25 de setembro de 2016

Em 2013, Marcela Kashiwagi e Ana Paula Lessa se juntaram para criar a Cabe na Mala, uma startup que permitia viajantes trazerem produtos estrangeiros dentro do espaço ocioso de suas bagagens. Quem traz o produto ganhei uma comisssão, e a startup cobra uma porcentagem dessa comissão.

Foto: Reprodução/Facebook

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Nesses cinco anos, elas foram aceleradas duas vezes, levantaram investimentos, fizeram negócios no Vale do Silício e se destacaram no ecossistema brasileiro de startups.

Recentemente, Ana Paula divulgou um texto no Medium  contando o que aconteceu com a empresa. Uma confusão jurídica, que se transformou em processo culminou com as sócias vendendo a Cabe na Mala para a Entrusters, uma empresa semelhante, mas que opera nos Estados Unidos.

O que a Cabe na Mala fazia não era ilegal. Para a pessoa trazer um objeto de fora, ela precisaria seguir algumas regras da alfândega, que permite apenas uma câmera, um smartphone ou um relógio por pessoa, por exemplo.

“Se o que fizéssemos fosse algo ilegal, um programa do governo não teria investido tanto em nós”, comenta Marcela ao Free The Essence. Elas foram uma das empresas a receber capacitação e investimento de quase R$ 70 mil do Seed, um programa de aceleração de startups regido pelo governo estadual de Minas Gerais.

Foram várias as vezes que Ana Paula e Marcela recorreram à consultoria de advogados para garantir que a empresa estava operando dentro dos limites da lei. No entanto, aconteceu uma confusão com a Muamber, uma startup que sequer chegou a existir, mas ganhou destaque na imprensa prometendo serviço semelhante, mas sem se preocupar com os limites da alfândega. Em seu texto, Ana Paula diz que a Muamber utilizou o CNPJ delas e as envolveu no processo.

Foi no meio do cansaço desse imbróglio legal, que elas resolveram vender a Cabe na Mala para a Entrusters. “Nos encontramos em uma situação que tínhamos duas opções: ou vendíamos ou continuávamos, mas reformulando completamente por conta da confusão do processo. Achamos mais interessante vender e deixar a empresa seguir no modelo em que todos conhecem”, comenta Marcela. Segundo ela, a Entrusters, por operar em outro país, não deverá ter os mesmos problemas com a Justiça brasileira.

Apesar da tensão no final da história, Marcela garante que o resultado foi positivo. Ela diz que a venda foi feita por um valor interessante às sócias, que saíram por cima. Mas, como o que importa é a jornada, não o destino, vale olhar um pouco mais de perto como foi que elas chegaram até aqui.

Como foi a viagem da Cabe na Mala

Em 2013, quando a empresa começou, Ana Paula tinha 19 anos e Marcela, 23. Elas trabalhavam juntas em uma agência. Marcela, na área de computação; Ana Paula, na de comunicação.

Um pouco antes, no final de 2012, aconteceu um Startup Weekend – evento para pessoas que desejam empreender, validarem suas ideias e se capacitarem em um final de semana. Marcela resolveu testar uma ideia que já estava em sua cabeça desde 2011. “Quando eu estava voltando de uma viagem dos Estados Unidos, era época do lançamento do iPad 2 e vários amigos pediram para eu trazer. Não consegui fazer isso para todos, mas vi que várias pessoas estavam voltando com espaço vazio na mala e que poderia ser utilizado”, comenta.

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Após validarem a ideia no evento, resolveram abrir a empresa. Lançaram o site em janeiro de 2013, mas a papelada toda só permitiu que formalizassem o negócio cinco meses depois, em maio daquele ano.

“Além da burocracia, outra dificuldade no começo são os gastos. Como no início faturávamos pouco porque ainda estávamos testando, precisávamos bancar contador, os custos de abrir empresa etc”, comenta Marcela. Elas gastaram dinheiro do próprio bolso por um ano.

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Foto: Divulgação

O primeiro apoiador que encontraram foi o Sebrae, do Rio de Janeiro. Foi em um evento deles que elas conheceram vários possíveis investidores e fizeram o networking que as ajudaria muito.

Passaram um ano nessa situação, trabalhando para terceiros durante o dia, e dedicando seu tempo e dinheiro ao negócio em todos os outros momentos. Até que encontraram outro grande apoio: o Seed, programa que funciona em Belo Horizonte. Saíram do Rio de Janeiro e foram para as montanhas de Minas Gerais no início de 2014. Lá, ficavam em um local cheio de empreendedores tocando startups, recebendo mentoria e treinamento, além de aporte financeiro para tocar o negócio.

“Foi essencial para dar um gás. Depois de um ano gastando seu dinheiro, é tentador largar tudo e focar apenas na carreira”, comenta Marcela. “Ir pra lá, conviver com o pessoal, receber investimento, nos ajudou a executar coisas que havíamos apenas planejado”, diz.

Foram seis meses lá. Conseguiram contratar funcionários, melhorar o site e apresentar o negócio para o mercado. Nesse período, eram sempre as primeiras a chegarem no escritório e as últimas a saírem, incluindo finais de semana. Esse esforço as destacou, fazendo com que o Seed as premiasse com a viagem para o Vale do Silício. “Tínhamos muita vontade de fazer acontecer. Quanto mais nos dedicávamos, mais víamos o retorno”, declara.

Mais tarde, conseguiram um investidor anjo, Fabio Póvoa, e entraram em um programa de aceleração da editora Abril, que hoje está extinto. O negócio crescia a todo vapor e, no início de 2016, resolveram voltar para os Estados Unidos com o objetivo de procurar mais investimento e começar a expandir internacionalmente.

Foi quando veio o processo, a frustração e a decisão de então vender a empresa. A história acabou bem. No momento, Ana Paula está no Vale do Silício dando consultoria a outras startups e Marcela está de volta ao Brasil descansando e pensando nos próximos projetos.

Esses próximos passos envolvem empreender? Sim, é claro. “Não sei se criarei uma empresa imediatamente ou em alguns anos, mas voltarei a empreender”, comenta. No momento, o mais importante é descansar. “Foi um processo muito intenso. Por quase três anos e meio vivemos praticamente pela empresa”, comenta.

Mesmo assim, vale a pena, segundo Marcela. “O aprendizado que tivemos não teríamos trabalhando como funcionárias. Tivemos que fazer muitas coisas que iam além de nossas áreas. Aprendemos como falar com investidor, criar um negócio inteiro etc. Quero aproveitar toda essa experiência em outro negócio”, diz,

E a lição que fica? Marcela destaca duas: a importância da resiliência e a do networking. Sobre a primeira: “Empreender é uma montanha-russa, você vai apanhar, sofrer, se esforçar muito para dar certo. Esqueça qualquer glamour. É legal, mas é muito difícil e intenso. Precisa segurar firme e seguir no objetivo. Sobre o networking: “Muito do que deu certo foi graças a quem esteve conosco, sejam outros empreendedores, investidores ou qualquer um. Valorize muito as pessoas que você conhece ao longo do caminho”. E aproveite a viagem.

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