Canditado à presidência na França defende a renda mínima universal
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Benoît Hamon, candidato à presidência da França.
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Canditado à presidência na França defende a renda mínima universal

Kaluan Bernardo em 3 de fevereiro de 2017

Benoît Hamon, um dos principais candidatos à presidência da França, está levantando a bandeira da renda mínima universal em sua plataforma de campanha. Hamon é candidato do Partido Socialista, partido de esquerda — o mesmo do atual presidente do país, François Hollande.

O candidato propõe que a renda mínima universal deverá ser a principal saída em um cenário onde os robôs tomarão a maioria dos empregos. O político propõe que todos os cidadãos franceses recebam uma renda de € 758 (aproximadamente R$ 2,5 mil), independente de terem emprego.

Seus oponentes acreditam que a ideia é uma utopia irreal e que não há como pagar. Em resposta, ele propõe que os robôs industriais, que tomarão os empregos, sejam taxados para pagar os cidadãos.

Como está o debate pela renda mínima universal na França

Embora renda mínima universal seja um debate antigo, ele tem ganhado mais força nos últimos anos quando começou a se notar possíveis ameaças econômicas e aos empregos devido à ascensão da automação.

Ainda assim, a discussão muitas vezes é relegada ao patamar de utopia ou futurista. Muitos acreditam que ainda demorará bastante tempo para que nos preocupemos com os robôs tomando nossos trabalhos. Não é o caso do candidato, que está forçando a discussão se tornar pauta já nessas eleições.

A chave para o sucesso de Hamon é o clima de rebeldia na opinião de Jim Shields, professor de políticas francesas na Aston University, na Inglaterra, que comentou ao site da Bloomberg. “Hamon impôs a renda mínima universal como questão de campanha, obrigando outros candidatos a se posicionarem”, disse.

O candidato diz que utilizaria a renda mínima universal inicialmente para substituir os atuais programas antipobreza do país. Na sequência, estenderia para os jovens entre 18 e 25 anos, antes de realizar uma “conferência dos cidadãos” e decidir como aplicaria a todos.

Alguns de seus adversários dentro do próprio partido, como o ex-ministro da Economia, Arnaud Montebourg, e ex-primeiro ministro, Manuel Valls, dizem que a proposta é muito cara e inviável. Para eles, a solução seria mais capacitação profissional. Em resposta, Hamon defende que “uma renda básica universal não é um custo adicional, mas uma divisão dos ricos”, defendeu o candidato em um debate.

De fato é uma política cara. Um estudo da OFCE, um instituto de pesquisa econômica ligado ao instituto Sciences Po, diz que a medida custaria € 480 bilhões por ano na França — mesmo considerando os vários programas assistencialistas que substituiria. O número equivale a 22% do PIB do país. Entre os 35 países mais ricos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o único que tem impostos nessa proporção é a Dinamarca.

Um estudo paralelo, conduzido pelo Institut Montaigne estimou que o plano custaria um pouco menos: € 349 bilhões por ano.

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Mas as chances de tais planos se concretizarem são pequenas: as atuais pesquisas presidenciais mostram que Hamon ficaria em quarto ou quinto lugar e perderia ainda no primeiro turno.

Apesar disso, os eleitores do Partido Socialista se mantém animados. Nenhum desses argumentos os impediu de elegerem Hamon como o candidato do partido. Ele venceu as primárias com 59% dos votos. No último debate, Valls, seu oponente, o acusou de fazer promessas “impossíveis e inviáveis”.

A renda mínima universal em 2017

Em 2017 alguns dos principais programas de renda mínima universal serão testados e, pela primeira vez, teremos números suficientes para aprofundar o debate em torno do assunto.

Entre os países que testarão a política econômica estão a Quênia, Finlândia, Estados Unidos e Holanda. Alguns serão bancados pelo próprio governo, enquanto outros serão por ONGs interessadas no debate.

A ideia será observar se pessoas procurarão outros trabalhos, se acomodarão no desemprego ou se sentirão mais livres para empreenderem e criarem sem serem reféns de suas condições financeiras.

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