Quais são os principais desafios para o futuro da carne sintética
carne sintética
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Quais são os principais desafios para o futuro da carne sintética

Kaluan Bernardo em 28 de dezembro de 2016

A essa altura do campeonato você já deve ter ouvido que o excesso de carne faz mal para a saúde e para o meio ambiente. Isso para não citar as questões éticas que envolvem  Mas ainda há um problema: carne é muito saborosa. Além disso, algumas pessoas consideram trabalhoso seguir uma dieta vegetariana. É por isso que cientistas e engenheiros em diversas startups estão trabalhando para criar carnes em laboratórios.

A expectativa de diversas empresas que trabalham nesse ramo é conseguir lançar carne sintética para os grandes mercados até 2020. No entanto, o desafio é enorme – tanto pelo lado científico quanto regulatório.

Principais desafios que enfrentam os pesquisadores da carne sintética

Preço

Em 2013 foi criado o primeiro hambúrguer em laboratório. A carne foi desenvolvida em Londres por Mark Post, hoje dono de uma empresa chamada Mosa Meat, que tem investimentos de Sergey Brin, cofundador do Google. Críticos que experimentaram o alimento afirmaram que ela tinha gosto de carne e textura semelhante à de um hambúrguer tradicional – apesar de faltar o sabor da gordura. O verdadeiro problema, no entanto, é o preço para produzi-lo: £ 215.000 (aproximadamente R$ 934 mil na cotação atual). É um pouco mais do que estamos dispostos a pagar em um hambúrguer.

Sabor

Outras iniciativas conseguiram criar um hambúrguer mais barato, porém que não era feito de carne produzida em laboratório. Eram, na verdade, hambúrgueres vegetarianos feitos para se parecerem ao máximo com carne. Empresas como Beyond Meat e Impossible Burguers testaram diversas receitas para criar um hambúrguer que se parecesse com o original. Chegaram perto, mas diversos críticos que experimentaram dizem que não é exatamente a mesma coisa.

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Desafios biológicos

Uma das dificuldades de fazer a carne sintética se parecer com uma natural é o fato de não conseguirmos, ainda, reproduzir os vasos sanguíneos em laboratórios. Normalmente, os hambúrgueres artificiais são feitos a partir de células-tronco retiradas dos animais (sem machucá-los) e cultivadas em um ambiente controlado que simula as condições do corpo animal. Reportagem do site MIT Technology Review ressalta que textura e sabor são igualmente difíceis de se copiar porque, na carne, ambos são resultado de uma complexa estrutura química que é alterada de uma forma única quando cozinhada.

Regulação

Se um dia conseguirmos criar, eficientemente, carnes sintéticas, será um desafio para a maioria dos países regular sua comercialização, afinal essa categoria ainda não existe.  Um alimento produzido em laboratório deve ser controlado por departamentos de ciências, agropecuária ou medicina?

Outra reportagem do MIT Technology Review mostra, por exemplo, que nos Estados Unidos a bola é dividida entre a Administração de Comidas e Drogas (FDA, na sigla em inglês) e o Departamento de Agricultura. Como a carne sintética pode ser vista desde um alimento a um medicamento, a Casa Branca não sabe como regulá-la.

Há uma urgência, no entanto, para que a regulamentação não atrapalhe o lançamento e a competitividade das empresas que investem nesse mercado.

E o frango sintético?

A startup Memphis Meats, de São Francisco, anunciou recentemente que fez o primeiro filé de frango feito em laboratório, apenas com células animais. No início de 2017, a startup convidou várias pessoas para uma degustação. Segundo a companhia, o sabor era “igual ao de frango”.

“É uma alegria introduzir o primeiro frango e pato que não precisaram de uma criação de animais. Esse é um momento histórico para o movimento da carne limpa”, afirmou Uma Valeti, CEO da Memphis Meats.

Essa não foi a primeira inovação da empresa: em fevereiro de 2016, a companhia disse ter criado almôndegas em laboratório.

A Memphis Meats afirma que pode fazer carnes e aves de maneira muito mais afetiva — sem matar animais. Vale dizer, no entanto, que a carne feita em laboratório utiliza células de fetos dos animais.

O preço também é um problema: com a tecnologia atual, são necessários US$ 9.000 para fazer menos de meio quilo de frango. Apesar disso ser metade do que custava há um ano, ainda está muito longe de ser acessível.  A comparação com o preço atual do mercado é cruel: são necessários apenas US$ 3,22 para fazer meio quilo de frango nos Estados Unidos.

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