Cemfreio leva moda sem gênero e representatividade ao mercado
cemfreio_moda-sem-genero
Foto: Divulgação
Nova Economia > Modelos Disruptivos

Cemfreio leva moda sem gênero e representatividade ao mercado

Camila Luz em 1 de dezembro de 2016

A moda sem gênero começa a ganhar espaço no Brasil pelas mãos de criativos como Victor Apolinario, dono da Cemfreio. O paulistano trabalha com conceitos sustentáveis e brasileiros para criar peças confortáveis, que vestem bem em diferentes identidades de gênero.

Apolinario tem 23 anos e é fotógrafo, DJ, artista e estilista. Criar a Cemfreio, no início deste ano, foi um processo natural, que nasceu de sua própria construção como artista e indivíduo. “A moda sem gênero faz parte de minha vivência”, conta.

Apolinario e a moda sem gênero

Foto: Arquivo Pessoal

Foto: Arquivo Pessoal

O primeiro contato de Apolinario com a moda foi aos 17 anos, como assistente de visual merchandising na Hering. Trabalhava em uma das maiores operações de loja da rede no Brasil, no shopping Center Norte. “Fiquei dentro de Hering por quase quatro anos. Lá consegui desenvolver um trabalho maravilhoso, aprendi muito sobre varejo”, relembra. “Comecei como assistente e saí como analista de visual merchandising junior”, completa.

Na época, a moda sem gênero ainda não fazia parte de sua carreira profissional. Trabalhava com quase 500 lojas, como PUC e Hering Kids. “Depois desse período quase claustrofóbico trabalhando com  varejo de moda, quis dar uma parada e fui trabalhar dentro da Box 1824”.

A Box 1824 é uma agência de pesquisa de tendências de consumo e comportamento. “Fui trabalhar junto com Eduardo Biz e André Alves. Foi incrível, eles me ensinaram tudo que sei sobre pesquisa. Fiquei lá por quase um ano”, conta. Na época, Apolinario discotecava em algumas festas em São Paulo e trabalhava como fotógrafo para o I Hate Flash. Também escrevia para veículos como Vice e Thump.

Foi nesse período que começou a se relacionar de forma mais íntima com a moda sem gênero e a construir sua identidade como artista. “Eu tive um cabelo que chegava até o pé, usava vestidos mega justos e tinha uma construção muito forte em arte e performance sobre arquétipos de gênero. Então essa construção sobre ‘agênero’, sem gênero, multigênero, sempre foi uma frente muito forte e presente em mim enquanto formação artística”.

Após passar por um período de luto pela morte de sua avó, com quem morou durante sua infância na Zona Norte de São Paulo, criou a Troos. Era uma linha composta por camisetas, vestidos e bermudas confortáveis e adequadas ao clima brasileiro. A Cemfreio nasceu da vontade de estruturar melhor esse trabalho e de criar uma empresa que também trabalhasse com o sem gênero.

Apolinario e suas tantas vontades

Além de democratizar a moda sem gênero no Brasil, a Cemfreio nasceu de muitos outros desejos. Apolinario quer que os brasileiros finalmente deixem de ser colonizados por modelos e ideias vindos de fora e se vistam com peças que condizem com o clima e a cultura do país. Por isso, investe em roupas confortáveis e leves, como vestidos, moletons e jeans.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Conceitos sustentáveis também estão presentes em sua marca. “Atualmente, trabalho com produtos naturais, como o algodão. Essa é realmente a minha frente hoje”, diz. “Agora estou trazendo o conceito de upcycling, redefinindo peças que já existem para fazer com que se tornem novos produtos e criem novas conversas”, conta ele.

Sua principal vontade, no entanto, é não estar sozinho. A representatividade dentro do trabalho do estilista vai além de empoderar corpos que se definem como bem entendem. ”Eu represento o que o branco classe média não quer acreditar, e represento o que a preta periférica precisa acreditar. Não quero ser uma pessoa sozinha, velada, fazendo coisas para outras pessoas apontarem dizendo que aquilo era bom”, declara.

E continua:

Quero ser a gasolina para que outras pessoas criem junto comigo e que seja um trabalho colaborativo.

A Cemfreio quer funcionar como impulso para sonhos de profissionais que estejam dentro do campo da moda ou não. “Não são só sonhos com arte. Quero impulsionar o dentista, o cara que quer ser advogado. Mesmo com os ‘abafamentos socioculturais’, a gente vai fazer fazer acontecer e vai calar a boca da classe média branca”, finaliza.

Gostou deste post? Que tal compartilhar:
Últimos
Trend Tags
Array ( [0] => 76 [1] => 222 [2] => 237 [3] => 115 [4] => 17 [5] => 238 [6] => 92 [7] => 125 [8] => 173 [9] => 16 [10] => 276 [11] => 25 [12] => 157 [13] => 66 [14] => 67 [15] => 62 [16] => 153 [17] => 127 [18] => 12 [19] => 19 [20] => 187 [21] => 69 [22] => 154 [23] => 175 )
Vídeos
Copyright © 2016 Free the Essence