Por que a nova corrida espacial é privada, não pública
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Por que a nova Corrida Espacial é privada, não pública

Kaluan Bernardo em 3 de julho de 2016

Em meio aos temores da Guerra Fria, os Estados Unidos e a União Soviética, duas das maiores potências mundiais, disputavam para ver quem teria a hegemonia na exploração do universo. O episódio, conhecido como Corrida Espacial, era apenas a cortina de fumaça de uma disputa entre dois modelos econômicos: o capitalismo e o comunismo.

Com a queda da União Soviética, e a expansão do capitalismo, o cenário mudou. Hoje, a corrida espacial não é mais disputada por agências governamentais, mas por empresas privadas — sejam elas bancadas por bilionários ou por pequenos engenheiros com suas startups.

O soviético Iuri Gargarin foi o primeiro homem a ir para o espaço (em 1961) e o americano Neil Armstrong foi o primeiro a pisar na lua (1969). Cinco décadas depois, os passos de agências como a estadunidense Nasa tornaram-se muito mais tímidos.

Alguns acidentes foram essenciais para essa desaceleração. Um dos casos mais notáveis é do ônibus espacial Columbia, que em 2003 explodiu durante sua reentrada na atmosfera terrestre e encerrou a vida de sete astronautas.

Com isso, a Nasa passou a focar na exploração do espaço profundo, enquanto investia em parcerias público-privadas para que empresas assumissem a exploração humana e robótica de planetas e satélites próximos. Só em novembro de 2015, a agência fechou parceria com mais de 22 companhias estadunidenses. No entanto, as que mais se destacam nessa nova corrida espacial privada, são as controladas por três famosos bilionários: Elon Musk, Jeff Bezos e Richard Branson.

Disputas de gigantes na corrida espacial privada

Jeff Bezos é dono da Amazon, do Washington Post, e da Blue Origin, uma empresa de foguetes. Elon Musk criou o PayPal, a Tesla, a SolarCity, e a SpaceX, outra empresa de foguetes. Richard Branson é dono do grupo Virgin, que concentra empresas de música, telecomunicações, trens, aviões, e, é claro, foguetes.

Boa parte da corrida espacial privada está concentrada nessas três grande companhias, que apesar de terem como objetivo comum levar o homem ao espaço, concentram estratégias diferentes para seus feitos.

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Tanto a Virgin Galactic quanto a Blue Origin miram no turismo espacial. Eles querem levar o homem para fora da órbita da Terra, para que ele possa ver como é o espaço, e trazê-lo de volta. Para isso, precisam desenvolver foguetes mais baratos e reutilizáveis —até hoje, quando lançávamos uma nave ela era destruída em seu retorno, o que encarecia o custo das viagens.

Elon Musk tem planos mais ousados. Ele também quer criar foguetes mais baratos e reutilizáveis, mas os seus também precisam ser mais poderosos. Afinal, o objetivo da SpaceX é levar o homem para Marte. O bilionário acredita que tal feito será essencial para a sobrevivência humana no futuro.

Tanto a Blue Origin quanto a SpaceX já conseguiram criar foguetes reutilizáveis. E eles foram testados recentemente.

Em dezembro de 2015 ela enviou ao espaço o Falcon 9, que levou consigo 11 satélites à órbita baixa de nosso planeta. Desprendeu-se de sua parte inferior e voltou ao solo, conseguindo pousar na vertical. Em abril desse ano, a companhia já conseguiu pousar em uma plataforma em cima do mar. Veja no vídeo abaixo:

A Blue Origin já conseguiu usar o mesmo foguete, New Shepard, três vezes seguidas. No entanto, enquanto a Falcon 9 saiu de órbita, o New Shepard viajou apenas 100 km. A imagem abaixo resume a diferença de ambos os casos:

Comparação Space X e Blue Origin.

Comparação Space X e Blue Origin. Foto: zlzadesign/divulgação

Isso não quer dizer exatamente que uma empresa esteja perdendo para outra. São objetivos diferentes. Para fazer as pessoas saírem do planeta, verem que a Terra é azul e redonda, e voltar, como a Blue Origin deseja, não é preciso de muito. O New Shepard pesa 40 toneladas, enquanto o Falcon 9 pesa 450 toneladas. O primeiro tem 12 metros de altura, o segundo 48. O da Blue Origin viaja a uma velocidade de 1.200 m/s, o da SpaceX a 1.600 m/s. E por aí vai.

Já a Virgin Galactic realmente está atrasada nessa corrida. Em 2014, uma aeronave dela caiu no sul da Califórnia, nos Estados Unidos, deixando um morto e um ferido. Desde então, eles não tentaram novos pousos, mas a empresa segue desenvolvendo tecnologia para um dia poder vender turismo espacial.

Pequenas startups também participam da corrida espacial

Mas não são apenas bilionários que participam da nova corrida espacial. Pequenas startups também estão na disputa, com objetivos mais modestos do que promover turismo galáctico ou povoar Marte. Em novembro de 2015, por exemplo, aconteceu, no Texas, Estados Unidos, a SpaceCom Expo, evento que reuniu diversas companhias que desenvolvem tecnologia espacial.

Lá, representando a privatização do espaço, haviam várias pequenas como a Terrabotics, que usa satélites para criar mapeamentos tridimensionais da Terra; a Gyana, que também usa câmeras aéreas e de satélites aliadas a inteligência artificial que cruza as imagens com dados de redes sociais para criar inteligência em Big Data.

E se há meio século ir para a lua era para apenas alguns astronautas escolhidos pela Nasa ou pela União Soviética, hoje já podemos sonhar com pequenas empresas nos levando para lá. Afinal, essa é a proposta do Google Lunar Xprize, que oferecerá US$ 30 milhões para quem conseguir nos levar novamente à lua. Ninguém ainda conseguiu, mas há 16 times tentando. O Google conta suas histórias em um documentário chamado Moon Shot, disponível no YouTube. Veja o trailer abaixo:

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