Creator's House: o não-negócio de três empresas para criadores digitais
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Adrianne Elias, fundadora da Co_Creators. Imagem: Divulgação
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Creator’s House: o não-negócio de três empresas para criadores de conteúdo

Kaluan Bernardo em 16 de dezembro de 2016

Na Economia Criativa, a única regra é não se amarrar a regras. Um exemplo disso é a Creator’s House, um não-negócio criado por três negócios: a Content House, a Co_Creators e o youPIX.

A suntuosa casa, na Vila Madalena, tem como objetivo ser o endereço para pessoas e empresas que querem comprar, criar, consumir, pensar ou debater a criação de conteúdo digital no Brasil. Ou, como eles gostam de chamar, o “mundo dos creators”.

A casa é um coworking de três empresas, mas também é um estúdio para pessoas que quiserem produzir seu próprio conteúdo, é uma espécie de agência digital para marcas, um espaço para fazer cursos, ou ainda um “Projac de youtubers“. É tudo isso e nada disso ao mesmo tempo, segundo seus criadores.

Para entender um pouco melhor, é necessário olhar quais são os três negócios que coabitam a Creator’s House. Em síntese, a Co_creators é um estúdio para pessoas interessadas em criar conteúdo digital se aproximarem; a Content House é uma agência que trabalha com criação digital; e o youPIX é uma plataforma para fomentar e debater esse conteúdo digital.

Co_creators, Content House e youPIX e o universo dos creators

Creator's House

Creator’s House

Essas três empresas são separadas, mas dividem muito quando o assunto é universo de criação digital e creators. A mais nova da família é a Co_creators, que nasceu dentro da Content House e se tornou um novo negócio. É ela a base fundamental da Creator’s House.

O negócio da Co_creators é dar suporte e estrutura para pessoas criarem seus conteúdos digitais. Ela fornece estúdios, profissionais de audiovisual, edição de vídeos, coaching mensal, propostas de parcerias com outros canais, acesso a um banco de trilhas sonoras, a fóruns e workshops e relatórios de performance. Tudo para ajudar alguém a desenvolver seu conteúdo para YouTube.

A casa tem uma série de estúdios, ambientes e equipamentos para fazer desde um simples vlog até a uma série completa para o YouTube. Segundo os fundadores, também dá para usar o espaço para cuidar de seu blog, gravar um podcast ou qualquer coisa relacionada a conteúdo digital.

Se você tem um projeto na internet, mas falta estrutura para alavancá-lo, você assina o programa e eles te ajudam a ir criando sua estrutura — seja tecnicamente ou estrategicamente.

Um dos pacotes é “starter”, voltado a iniciantes. Nesse, a pessoa tem direito a produzir quatro vídeos mensais de até cinco minutos. Para usar a estrutura ela paga R$ 2.000 pelo pacote com edição de vídeo, ou R$ 1.000 sem a edição.

Já no “profissa”, a pessoa tem direito a produzir e finalizar oito vídeos de até cinco minutos por mês e tem uma equipe dedicada especificamente ao seu canal, ajudando-a a conseguir contato com marcas, a profissionalizar e vender seu espaço. Nesse, paga R$ 5.000 mensais.

É nesse contexto que entra a Content House, a empresa que deu origem à Co_creators. Ela existe desde 2009 e oferece branded content, redes sociais, desenvolvimento web, trabalhos com influenciadores etc. É mais voltado ao que uma agência digital faz. Tanto a Content House, quanto a Co_creators foram fundadas por Adrianne Elias. Hoje, no entanto, Adrianne está focada na segunda, enquanto a CEO da primeira é Rafaela Lotto.

Se uma marca precisar se aproximar de algum criador de conteúdo digital, a Content House terá no seu radar não só os criadores que estão naturalmente se destacando na web, como também os que estão ali, na mesma casa, trabalhando com a Co_creators.

A Co_creators, por sua vez, por conhecer as necessidades do mercado, sempre poderá orientar os criadores a pensarem em conteúdos que as marcas precisam. Além disso, procurará por pessoas que preencham lacunas específicas.

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Para solidificar esse movimento entra o youPIX. Criado em 2006, é uma plataforma que fomenta e discute o movimento de criação de conteúdo digital. Redes sociais, memes, youtubers, podcasters, tudo isso foi debatido pela plataforma desde o início.

Essas discussões acontecem e aconteceram por muito tempo nos eventos e no site da empresa. Nos últimos dois anos, o youPIX passou a apostar também em educação e a oferecer cursos online.

Agora, também na Creator’s House, o youPIX continua a apostar na fomentação e discussão do ecossistema de criação de conteúdo digital — seja oferecendo cursos, think tanks, processos de aceleração, consultoria ou pelo site. Esses processos ainda estão sendo estruturados e o youPIX lançará diversos serviços no próximo ano, mas o foco é continuar a apostar em informação e fomentação do “ecossistema de creators”.

Os sócios do youPIX são Bia Granja, Bob Wollheim e Dani Costa. Já da Co_Creators e da Content House são Adrianne Elias, Rafaela Lotto, Armando Bordallo e Marja Pugliese.

Vamos morar juntos? Como se cria um negócio, que não é bem um negócio

A soma da Content House, da Co_Creators e do youPIX na mesma casa é o que dá origem à Creator’s House. A casa funciona como um espaço onde três empresas trabalham, produtores independentes de conteúdo se encontram ou cursos acontecem. É um negócio, exceto pelo fato de não ter um CNPJ e não ser estruturado como uma empresa. É a apenas o conjunto da obra, fruto da soma de três empresas em um único ambiente, que consequentemente gera novas oportunidades.

“É claro que temos sonhos de fazer grandes projetos juntos entre os negócios. Mas vamos deixar acontecer organicamente. Não colocamos esse objetivo no curto prazo para não tirar energia e serendipidade”, resume Bob.

Tão maluco quanto o conceito é a forma que ele aconteceu: em minutos. “Nós íamos lançar a Co_creators oficialmente no evento do youPIX. Foi quando comecei a conversar com o Bob Wollheim [cofundador do youPIX] e explicar que íamos vir para essa casa”, conta Adrianne. “Foi quando, na hora, ele virou e disse ‘vamos morar juntos?'”, brinca.

Na hora decidiram que era uma boa ideia. “Avisei a Bia Granja e a Dani Costa por WhatsApp na hora. A Bia estava em cima do palco no evento do youPIX”, conta Bob.

Assim, durante o evento, não só a Co_creators foi lançada, como a parceria entre as três empresas foi firmada e decidiram que eles iriam funcionar juntos. “Claro, nós já namorávamos há um tempo, mas nunca surgiu essa oportunidade de negócio. Quando surgiu, abraçamos na hora”, diz Bob.

Bob Wollheim, cofundador do youPIX.

Bob Wollheim, cofundador do youPIX. Foto: Campus Party (Creative Commons)

Em menos de dois meses fizeram três reuniões para discutir burocracia e já estavam inaugurando a casa. “Acho que isso é parte da Economia Criativa. É esse jeito menos linear, menos estruturado e mais solto de deixar o acaso funcionar”, comenta Bob. “A Economia Criativa acontece assim. Não é impulsivo nem nada do tipo. Mas é sobre não exagerar na dose de burocracia. É mais sobre fazer um negócio parecido com a própria internet: você lança primeiro depois vê como fica”, conclui.

É por isso que, apesar de já estarem todos juntos, ainda estão estudando vários modelos nos quais poderão trabalhar no futuro. “A casa tem potencial para ser um quarto negócio, mas por enquanto não é. É um espaço onde as coisas podem acontecer com todos juntos”, comenta Rafaela.

“Quando me perguntaram o que era, respondi que éramos um coworking de três empresas — e não de vários indivíduos com suas empresas, como num coworking comum”, resume Bob. “Estamos juntos pelo mundo dos creators, da criação, das redes sociais, que são mundos que transitam pelas três companhias”, diz. O”Somos um Projac dos youtubers, guardada as devidas proporções. Só que é muito mais legal. É o conceito de uma casa de gente que ama, quer entender mais e respira conteúdo digital”, completa Adrianne.

Os três negócios, segundo Bob, são um sinal de que empresas e consumidores estão descobrindo que vivemos em um mundo mais autêntico. “Não é nem pior nem melhor, apenas autêntico”, diz. E, quando companhias começam a entender essa necessidade, a resposta é criar um espaço para não forçar a barra e deixar as coisas acontecerem.

Para Adrianne, um sinal de que estão caminhando na direção certa é o fato de, apesar das crises econômicas de 2016, a Content House não ter perdido nenhum cliente ou funcionário sequer.

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