Cripto-anarquistas são os verdadeiros mestres do jogo político?
Mr robot
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Cripto-anarquistas: os hackers por trás dos movimentos políticos

Kaluan Bernardo em 27 de julho de 2017

Cientistas políticos do mundo inteiro quebram a cabeça para entender o momento de líderes populistas que ganham corações e mentes ao redor do globo. Mas para o jornalista Jamie Barlett, autor do livro “Radicals: Outsiders Changing the World”, eles podem estar olhando para o lado errado. Todos os grandes conflitos de esquerda e direita são pequenos perante as mudanças que as tecnologias, pensadas e planejadas por cripto-anarquistas, poderão promover.

cripto-anarquistas

Foto: Istock/Getty Images

Em artigo ao jornal britânico Guardian, Barlett discorre como a internet foi um grande banho de água fria nos entusiastas da década de 1990 que acreditavam que a conexão nos deixaria mais informados e com a democracia fortalecida. Duas décadas depois ampliam-se as discussões sobre fake news, monopólios digitais e vigilância de informações. Fomos realmente libertos?

Segundo o autor, esse turbilhão de desencontros e caos no qual fomos jogados com a tecnologia justificam, em parte, a ascensão do conservadorismo no mundo – dos quais Donald Trump, eleito presidente dos EUA, e Marie Le Pen, como segunda colocada na corrida presidencial francesa, são dois dos mais marcantes exemplos.

Mas isso tudo é só um detalhe da história no longo prazo. No final, são peças  de um jogo de pessoas que olham mais à frente e estão criando condições para sabotar governos e criar um estado regido pela tecnologia. Esse é o jogo dos cripto-anarquistas. E eles estão com sede de vitória (entenderam a referência à série “Mr. Robot” em nossa foto principal?).

Os cripto-anarquistas e a democracia da tecnologia

Barlett define cripto-anarquistas como experts em computador, libertários anti-estado que têm sabotado instituições políticas e mostrado ao mundo os perigos de termos tudo conectado. Eles acreditam que a tecnologia digital, quando bem usada por cidadãos que conhecem criptografia, é a estrada para um paraíso desestatizado, sem um governo com poder para monitorar, controlar ou cobrar pessoas.

Para o autor, nomes como Julian Assange, fundador do Wikileaks, e Edward Snowden, que revelou a vigilância da NSA, são dois exemplos. “São o tipo de pessoas que criam as tecnologias que dominam o mundo”, resume.

O autor parece um pouco ufanista e exagerado em relação ao como descreve os cripto-anarquistas, sugerindo fantasias de super hackers com poderes incontroláveis.

Mas há alguns pontos interessantes na narrativa. De fato, existem grupos de pessoas com ideias anti-estado desenvolvendo tecnologias que carregam o poder de minar as instituições políticas. É o caso da blockchain, que promove a descentralização burocrática; da bitcoin, que distribui o poder de controle monetário; ou mesmo da economia compartilhada ou gig economy, que traz novos desafios de regulação a uma velocidade que muitos governos não conseguem acompanhar.

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O paradoxo está no fato de, ao passo em que muitos desenvolvem e aprimoram tais tecnologias com objetivos de sabotar governos, instituições públicas são cada vez mais pressionadas para abraçarem tais tecnologias.

“Não é um caminho direto, mas a tecnologia tende a empoderar o indivíduo aos custos do Estado”, comenta o autor.

Todas essas discussões fazem com que, dentro de aproximadamente uma década, candidatos estejam discutindo raivosamente e publicamente temas como inteligência artificial, big data e bitcoins. Parece uma realidade longe de um mundo no qual grandes líderes negam consensos científicos, como o aquecimento global. E, por isso mesmo, é importante aprofundar-se em tais debates desde já, para não aprofundar o caso.

O cenário é otimista, segundo o autor. Ele traça um paralelo com a década de 1820, quando aconteceu a Revolução Industrial. Foi um período de intensa confusão, com revoltas e contra-revoltas políticas e sociais, ludistas destruindo máquinas, desemprego em massa, líderes sendo assassinados e a sociedade dividia em extremos. Mas isso nos levou ao mundo moderno e a tempos mais estáveis. Talvez estejamos vivendo uma nova fase semelhante.

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