Crowdsourcing: conheça a origem desse modelo de colaboração
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Foto: Istock/Getty Images
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Crowdsourcing: a origem e os usos desse modelo de negócio

Pedro Katchborian em 12 de abril de 2017

Um dos termos mais adorados da nova economia é o crowdsourcing. Assim como crowdfunding, o crowdsourcing depende da força da colaboração para funcionar. Entenda mais sobre esse modelo e veja cases que deram certo.

O que é crowdsourcing?

Crowdsourcing é, em sua essência, a união de pessoas com um objetivo em comum. Ou seja, plataformas colaborativas que visam um bem maior e utilizam a inteligência e a contribuição de cada indivíduo para alcançar a meta.

Enrique Estellés-Arolas e Fernando Gonzáles Ladrón-de-Guevara, pesquisadores da Universidade de Valência, estudaram mais de 40 definições do termo e chegaram na seguinte conclusão:

Crowdsourcing é um tipo de participação online em que um indivíduo, uma instituição, uma organização sem fins lucrativos ou empresa propõe a um grupo de indivíduos com conhecimentos diferentes uma tarefa.

O crowdfunding pode ser, por exemplo, uma empresa que promove um concurso em que pede ao público para participar ou criar um projeto.

Quando surgiu o crowdsourcing?

O termo crowdsourcing é recente e foi cunhado em 2005 por Jeff Howe e Mark Robinson, então editores da revista Wired. A palavra servia para descrever negócios que utilizam “força do público” (ou crowd, em inglês).

Em post no blog da Wired em junho de 2006, chamado “The Rise of Crowdsourcing”, eles escreveram: Crowdsourcing representa o ato de uma empresa ou instituição pegar uma função que era feita por funcionários e utilizar um grupo (geralmente grande) de pessoas“, diz.

Apesar de ser atrelado a conectividade, há relatos de iniciativas que funcionam com modelos parecidos de séculos atrás. Em 1714, por exemplo, o governo britânico estava tentando achar uma maneira de medir a posição longitudinal de navios e lançou um prêmio para quem conseguisse a melhor solução.

Há dezenas de exemplos entre concursos, prêmios e iniciativas colaborativas, mas foi somente a partir da popularização da internet nos anos 2000 que o modelo de negócio aqueceu.

Quais plataformas utilizam o crowdsourcing?

Você provavelmente usou alguma plataforma de crowdsourcing no último mês. Veja alguns exemplos de plataformas que utilizam a força do público:

iStockPhoto: lançado em 2000, o iStock foi um dos primeiros sites a adotar o crowdsourcing como modelo de negócio. Qualquer fotógrafo pode enviar suas imagens, que são avaliadas antes de serem aprovadas. Os contribuidores recebem de 15% a 40% em cada venda, dependendo de diferentes fatores.

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Foto: Istock/Getty Images

Wikipedia: A enciclopédia mais popular do mundo é fruto da colaboração de milhões de pessoas. O site foi lançado em 2001 e tinha como propósito ser uma enciclopédia apenas em inglês e com a possibilidade de ser editada por qualquer pessoa. Hoje são mais de 5 milhões de verbetes e o site é o quinto mais acessado do mundo, segundo números de dezembro de 2016.

No total, são 40 milhões de páginas no site, o que equivaleria a cerca de 2 mil enciclopédias físicas — do tipo daquela Larrouse Cultural que você tinha em casa. No total, mais de 29 milhões de pessoas já contribuíram com alguma edição ou criação de verbete. Quer maior plataforma colaborativa do que essa?

Waze: o aplicativo é o principal companheiro de motoristas ao redor do globo. Desenvolvido em Israel, o Waze reúne informações de todos os usuários para entregar informações sobre tráfego de carros. Pessoas podem reportar acidentes, barreiras policiais, buracos e até chuva. O app pode ser utilizado em qualquer lugar do mundo, mas necessita de um número considerável de usuários para se tornar útil.

Números de 2013 mostravam que o aplicativo tinha mais de 50 milhões de usuários. Desde então, não houve nenhuma atualização em relação ao número. Porém, só no Brasil, são mais de 6 milhões de pessoas usando o aplicativo. E, não se engane: mesmo sem ser um usuário com muitos pontos na plataforma, você está colaborando com todos, já que o Waze usa o seu GPS para saber a sua velocidade — e é capaz de deduzir que você está parado em algum congestionamento, por exemplo.

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Foto: Divulgação

Planet Hunter: Humanos são melhores em reconhecer padrões visuais do que os computadores. É baseado nessa premissa que foi lançado o Planet Hunter, um projeto para colher informações sobre planetas. O site utiliza os dados coletadas pela missão Kepler da NASA e pede para “cientistas cidadãos” olharem as informações e perceberem como o brilho de uma estrela muda com o tempo.

Como há muitas informações, há muito o que ser explorado: foi através do projeto Planet Hunter que pessoas acharam uma anomalia que até hoje não foi explicada corretamente: a tal megaestrutura alienígena em uma estrela que perdeu muito brilho em pouco tempo.

Duolingo: O Duolingo ficou famoso por ser uma plataforma grátis para o aprendizado de idiomas, mas o principal destaque da ferramenta é a colaboração entre os usuários. Nas lições e nas aulas, os próprios usuários se corrigem, criando uma rede em que todos aprendem. Além disso, o Duolingo também funciona na tradução de sites. Por exemplo, o site BuzzFeed era traduzido utilizando a plataforma antes de ter uma sede no Brasil.

Quais são as vantagens desse modelo?

O crowdfunding é uma tendência em um mundo amplamente conectado. E o crowdsourcing pode ir muito além das plataformas citadas. Um exemplo é a Crowd, plataforma de publicidade que usa a força do público para fazer os jobs.

O criador da plataforma é Gabriel Matias. Ele fundou a empresa depois de perceber que era impossível agregar tantos especialistas em diferentes áreas de uma agência. “Às vezes um redator que está escrevendo para um cliente de carros não consegue ser bem aproveitado para um cliente de saúde, por exemplo”, diz, lembrando do custo de manter tantos especialistas. “Isso é caro. São profissionais com um salário alto”, afirma.

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A insatisfação pessoal com o que fazia também ajudou Matias a ter coragem para lançar seu próprio negócio. Hoje, a Crowd tem uma rede com mais de 5 mil profissionais freelancers e mais de 150 empresas atuantes. Para contratar um freelancer da plataforma, a empresa acessa a ferramenta e cruza dados para achar os profissionais mais indicados.

Sobre a vantagem do modelo, Matias é objetivo: primeiro, o fato de ter “muitas cabeças pensando no mesmo problema“, lembrando que há vários serviços que utilizamos todos os dias que são adeptos do crowdsourcing, como o Shutterstock e o próprio Waze. Além disso, a ferramenta possibilita que empresas contratem o funcionário ideal para um job específico.

Além disso, traz uma liberdade para os profissionais. “Inverte um pouco o processo. As pessoas produzem por que querem e fazem o que gostam”, destaca. Matias vê o crowdsourcing como tendência e acredita que o modelo deve chegar em breve em outras áreas. Um exemplo que dá é no direito: “poderia muito bem existir uma plataforma comum com contratos dos mais variados. E esse contrato pode ser vendido e aplicado em diferentes negócios”, afirma.

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