Com curadoria em moda e design, Pandorga cria ecossistema criativo
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Foto: Reprodução/Facebook
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Com curadoria em moda e design, lojas da Pandorga criam ecossistema criativo

Emily Canto Nunes em 17 de março de 2017

Pandorga é um dos nomes que se dá àquele brinquedo que voa baseado na oposição entre a força do vento e a da corda e que colore o céu de parques mundo afora. Pandorga também é o nome de uma loja colaborativa (hoje já são duas unidades ) que dá corda para novos criadores de moda e design do Brasil alçarem voo.

Criada em 2010, a Pandorga hoje se divide em duas: a primeira está localizada no bairro Rio Branco, em Porto Alegre (RS), em uma casa colonial portuguesa que já ficou conhecida como reduto de projetos e produtos inovadores. A segunda foi inaugurada em 2014, desta vez dentro do Instituto Ling, também em Porto Alegre. Para o projeto do arquiteto brasileiro Isay Weinfeld foi montada uma loja semelhante as de museu, com a curadoria focada em peças de design, jóias e editorias.

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Por trás dessas duas lojas, porém, há um modelo próprio de negócio e que vai além dos espaços físicos colaborativos.  Segundo Gabriel Vanoni, um dos sócios,  a Pandorga emergiu como solução para uma demanda de mercado.

“Vinícius [Andrade], um dos fundadores, tinha sua própria marca e, como uma pequena empresa inserida no mercado de moda e design, sofria uma série de problemas, como ter poucos e desqualificados canais de venda, ter que lidar com um perfil de varejista que além de não valorizar o trabalho destes novos criadores se aproveitava da ingenuidade comercial deles, prejudicando diretamente a saúde financeira destas pequenas empresas etc”, afirma, em conversa com o Free the Essence.

Não demorou para que Vinícius percebesse que, assim como ele, existiam uma série de novas marcas com os mesmos problemas. “A partir de um modelo de negócios transparente, baseado na política de ganha-ganha e voltado para este novo mercado nasceu a Pandorga em novembro de 2010”, conta Gabriel. Segundo ele, iniciativas como a Endossa, em São Paulo, foram referência para a criação da primeira loja.

Na Pandorga, o comissionamento ocorre por dois caminhos, que eles chamam de PDV e Venda. O PDV é um serviço que engloba o espaço físico exclusivo para a marca, assessoria de comunicação, feedback comercial e técnico (aspectos diretamente ligados aos produto, como tecido e acabamento, por exemplo) e consultoria de negócios. E apesar de trabalhar, na maioria das vezes, com pequenas marcas, a Pandorga também abriga as grandes. A loja é um PDV conceito da marca Melissa, da Grendene, ao lado de outras seis lojas espalhadas pelo Brasil.

Já na opção Venda, a Pandorga recebe uma porcentagem sob o valor de atacado de cada marca. “Vale ressaltar que são valores muito abaixo de um varejo tradicional, pois estamos pautados por uma lógica de comércio justo, pois sabemos que os recursos que um novo criador dispõe para oferecer um produto com valor de atacado competitivo são exíguos”, explica Gabriel.

Desde lá, o modelo vem dando certo: ao longo desses mais de seis anos cerca de 600 marcas foram apresentas nos espaços. Em 2015, foram mais de 15 mil visitas, 11 mil itens comercializados e 40 eventos. Os eventos, aliás, tornaram-se uma outra faceta da Pandorga nesses anos.

Evento e ensino, ou um ecossistema todo

Gabriel conta que enquanto espaço criativo, é importante para as lojas terem uma programação que valorize essa significação. “Nossa pauta esta baseada em ideias disruptivas, como o projeto Pandorga Recebe, que chamamos outras lojas para ocupar nosso espaço, ou mesmo o Sábado Amarelo, evento que ocorre no dia posterior ao Black Friday e no qual brincamos com esta data comercial, além de lançamentos das marcas, eventos com foco em arte e eventos voltados para a rua”, conta.

Foto: Reprodução/Facebook

Um outro viés recente da Pandorga é o Barbante. De forma resumida, é uma “escola” com o DNA da Pandorga. A ideia com esse projeto é desenvolver o ecossistema de moda e design por meio do conteúdo e do ensino. Associados com a empresa de consultoria de moda Radar, o Barbante apresentar temas e personagens que possam agregar boas experiências na área e na região Sul em palestras, workshops e encontros livres.

A Pandorga também participa da WPA, uma associação de empresas que conta também com a Winnova e Ambiente Verde. A ideia é fazer uma seleção de designers da economia criativa para co-criar produtos a partir de matérias primas originadas em resíduos industriais, pensando na sustentabilidade.

Muito embora a Pandorga esteja voando alto e crescendo como um ecossistema, existem sim, desafios. “O primeiro esta diretamente ligado ao perfil de uma nova marca de moda e design, mercado que estamos inseridos. Este criador possui um instinto criativo extremamente aguçado, porém com pouco conhecimento de temas relativos a negócio”, afirma Gabriel. Nesse sentido, e na opinião dele, o Brasil não ajuda com sua complexidade fiscal.

O outro desafio é o de ampliar o público consumidor deste segmento. “Estamos falando ainda para um público muito restrito que basicamente está inserido no que costumamos chamar de classe criativa. Esta ampliação de mercado esta diretamente ligada a questões comportamentais e de mudanças culturais, processos como estes não são tão ágeis e ainda são pouco difundidos, o que requer bastante persistência”, afirma Gabriel.

Se depender do sucesso da curadoria, a Pandorga vai longe. Segundo Gabriel, eles ainda precisam dizer muito não, mesmo com duas unidades. “Temos duas lojas e uma oferta de novos criadores muito maior do que podemos absorver, conseguimos absorver cerca de 10% de quem nos procura”, conta.

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