The DAO: empresa autônoma cria o maior crowdfunding da história
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Foto: Istock/Getty Images
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The DAO: empresa autônoma cria o maior crowdfunding da história

Pedro Katchborian em 9 de junho de 2016

Milhares de pessoas se juntaram em um dos projetos mais ambiciosos da história. Nada mais, nada menos do que US$ 174,40 milhões foram arrecadados em um crowdfunding não para fazer um produto ou disponibilizar um serviço e sim para montar uma corporação: o The DAO. O DAO, que significa Descentralized Autonomous Organization,  organização autônoma e descentralizada, pretende ser uma nova maneira de controlar e manejar o capital.

Resumindo, imagine uma empresa em que 11 mil pessoas tem ações no valor total de US$174,40 milhões (valor que varia de acordo com a cotação dos ethers) e que essas pessoas votam em como utilizar esses fundos.

Companhias ou indivíduos que querem usar os fundos para algum projeto, serviço ou produto podem fazer uma proposta, que é publicada online para avaliação e votação dos detentores das ações. Caso aprovadas, os detentores da ações podem ganhar dinheiro do faturamento vindo da realização das propostas ou em um aumento do valor dos seus DaoTokens, como são nomeadas as ações. Essas propostas podem ser feitas em inglês e devem ser acompanhadas de um contrato em códigos.

O investimento do crowdfunding foi feito em ethers, que é a moeda do Ethereum, sistema blockchain em que o The DAO baseia os seus contratos. Isso significa que ninguém doou dólares ou qualquer outra moeda real e sim a criptomoeda— foram 12 milhões de ethers investidos. Foi a partir dessa doação de ethers que as pessoas ganharam os seus DaoTokens. Portanto, quando a pessoa estava doando a criptomoeda, ela também estava adquirindo as ações da empresa. 

O que eu posso fazer com o The DAO?

Indivíduos ou empresas que tiverem as suas propostas aprovadas são chamadas de construtores e precisam usar o software do DAO para realizá-la.

Suponha que um indivíduo tem uma ideia de um aplicativo para ser feito no The DAO. Ele submete sua proposta no site e espera para ser aprovada por quem tem as ações. Em caso positivo, parte do capital em ethers é repassado a ele para que possa construir o aplicativo, de acordo com os termos preestabelecidos por quem tem as ações.

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Depois de terminado o projeto, ele pode vender o app, sendo que, dependendo do termo escolhido, parte do lucro pode ficar com quem investiu inicialmente. Além dos construtores e dos detentores de ações, na comunidade do DAO também há os curadores, que trabalham para impedir que alguém compre 51% dos DaoTokens, por exemplo, faça uma proposta, aprove-a e receba os ethers. Isso vai contra os princípios da organização. 

Revolução nos negócios

Essa democratização digital do capital é considerada uma revolução dos negócios e da maneira que eles são conduzidos. “O The DAO oferece completa transferência, controle de ações, flexibilidade e uma governança autônoma”, diz Seth Bannon, do TechCrunch.

Embora seja um terreno desconhecido, o que fica claro é o pioneirismo e ineditismo do The Dao. “É um grande experimento sobre uma nova forma de colaboração econômica. As dificuldades e vantagens inesperadas serão descobertas por esse pioneiro. Vai ser divertido de assistir”, conclui Bannon.

Quem quiser se arriscar neste mercado e não aproveitou a fase de criação da corporação terá que esperar. Por enquanto, não é possível mais doar (ou seria investir?) ethers na plataforma, já que novos DaoTokens não estão sendo gerados. As propostas de financiamento já podem ser acompanhadas por aqui.

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